Benjamin Netanyahu chegou à campanha eleitoral com um objetivo cristalino: garantir que o Likud permanecesse como a maior força política de Israel. Os últimos levantamentos de saída das principais emissoras – Channel 11, 12 e 13 – confirmam que ele atingiu esse objetivo, projetando cerca de 27 cadeiras para o partido, bem à frente do segundo colocado, o partido Yashar! liderado por Gadi Eisenkot. Contudo, no sistema parlamentar israelense, ser o primeiro colocado não assegura a formação de governo.
O bloco de direita e haredi, que na eleição anterior somou 64 assentos, recuou para algo entre 51 e 52 cadeiras, ainda longe das 61 necessárias para comandar a Knesset. Em todas as pesquisas, exceto a da Channel 14, esse bloco fica bem abaixo da maioria requerida. Mesmo que o resultado final seja mais favorável ao Likud, graças ao método de dupla urna, a diferença ainda parece insuperável.
Dois fenômenos marcaram o pleito. Primeiro, a participação eleitoral subiu para quase 78 %, o nível mais alto desde 1999, indicando um eleitorado mais engajado e, possivelmente, mais polarizado. Segundo, os partidos árabes obtiveram um recorde histórico, projetando entre 17 e 19 cadeiras, o que eleva ainda mais a fragmentação do parlamento. Nenhum dos blocos – nem o da direita/haredi nem o da mudança liderado por Eisenkot – chega a 61 assentos sozinho, o que torna inevitável a busca por alianças amplas.
A única saída plausível para que Netanyahu permaneça como primeiro‑ministro seria a construção de um governo de unidade nacional, reunindo, além do Likud, Eisenkot, Naftali Bennett, Yair Lapid e Avigdor Liberman. No papel, essa coligação alcançaria cerca de 70 cadeiras, garantindo maioria confortável. Na prática, porém, o acordo exigirá concessões significativas ao líder sionista, que terá que negociar seu preço.
A primeira concessão parece a mais simples: a retirada de Itamar Ben‑Gvir, líder do partido de extrema direita Otzma Yehudit. Apesar de Ben‑Gvir ter entrado e saído do governo ao longo do mandato atual, Netanyahu pode aceitar sua exclusão como sacrifício político calculado, já que a presença de um parlamentar tão controverso dificultaria a aceitação do acordo por Eisenkot, Bennett, Lapid e Liberman.
A segunda e mais delicada concessão envolve os partidos haredi, especialmente Shas e United Torah Judaism, aliados de longa data de Netanyahu e pilares do bloco da direita. Eisenkot já sinalizou que pretende formar um “governo esboço sionista”, cujo ponto central é a questão do serviço militar obrigatório para os judeus ultra‑ortodoxos, tema que os partidos haredi consideram inegociável. Assim, Netanyahu enfrentará o dilema de ceder ou não em um assunto que tem sido a base de sua coalizão durante mais de uma década.
Caso não consiga chegar a um consenso, as alternativas são limitadas: um governo que dependa do apoio dos partidos árabes, algo impensável para a maioria dos líderes sionistas, ou a convocação de novas eleições, o que poderia enfraquecer ainda mais o Likud e abrir espaço para movimentos radicais. Portanto, o futuro de Netanyahu está atado a sua habilidade de negociar, equilibrando pressões internas e externas, e a disposição de abrir mão de aliados tradicionais em nome da estabilidade política. O cenário aponta para intensas negociações nas próximas semanas, com o potencial de redefinir a configuração do poder em Israel.
📖 Perspectiva Bíblica
“Mas confia no Senhor, e faze o bem; habita na terra e alimenta-te da verdade.” (Salmos 37:3)
Fonte original: Netanyahu wins first place, but his road to a government narrows to one path — Israel Hayom
