O presidente Isaac Herzog anunciou, na noite de sábado, que encarregará o presidente da Yesh Ar — Gadi Eisenkot—de formar o próximo governo de Israel, após consultas com os partidos eleitos para a Knesset. O mandato inicial de Eisenkot tem validade até 6 de dezembro; caso solicite prorrogação, o prazo final esperado será 20 de dezembro. Em resposta ao convite, Eisenkot enfatizou que o momento exige a criação de um governo de emergência nacional e que fará “tudo para estar à altura da responsabilidade”.
Durante as consultas, os partidos que representam 67 deputados recomendaram Eisenkot para o cargo de primeiro‑ministro, enquanto os que detêm 46 cadeiras apoiaram o atual primeiro‑ministro e líder do Likud, Benjamin Netanyahu. O bloco United Torah Judaism optou por não recomendar nenhum dos candidatos. Antes de tomar a decisão, Herzog se reuniu separadamente com Eisenkot e com Netanyahu, reforçando a seriedade do processo de formação de governo.
Pouco antes do anúncio presidencial, Netanyahu divulgou um segundo vídeo gravado desde o dia da eleição, apelando à “unidade”. O líder do Likud alertou que “na próxima semana alguns pretendem, às pressas, empossar um governo com apoiadores do terrorismo”, referindo‑se a partidos que, segundo ele, buscam a destruição do Estado de Israel e a criação de um Estado palestino sobre suas ruínas. O discurso de Netanyahu foi interpretado como tentativa de posicionar-se como guardião da segurança nacional em meio à crise política.
A Yesh Ar, partido de Eisenkot, não descartou a possibilidade de um governo de unidade, mas deixou claro que qualquer aliança deveria respeitar quatro princípios fundamentais: reconhecimento do Hamas como organização terrorista, compromisso com a sua destruição, rejeição a qualquer concessão territorial que comprometa a soberania israelense e a manutenção da segurança interna. O partido criticou duramente o discurso de Netanyahu, acusando‑o de hipocrisia ao pregar “unidade” apenas quando seus dias no poder parecem encerrados. Segundo Eisenkot, Netanyahu teria historicamente dividido a sociedade israelense, inclusive durante a guerra de outubro, ao incluir figuras como Itamar Ben‑Gvir em seu gabinete, violando promessas anteriores.
A nomeação de Eisenkot tem implicações significativas. Primeiro, sinaliza a intenção de Herzog de buscar um governo que priorize a luta contra o Hamas e a segurança nacional, afastando‑se de acordos que, na visão de Eisenkot, poderiam comprometer a integridade do Estado. Segundo, a divisão entre os 67 MKs que apoiam Eisenkot e os 46 que ainda defendem Netanyahu evidencia um Parlamento fragmentado, onde a formação de coalição dependerá de negociações intensas e possivelmente de concessões mútuas. Por fim, a possibilidade de extensão do mandato até 20 de dezembro indica que o processo pode se prolongar, aumentando a instabilidade política em um período já marcado por tensões de segurança e por demandas internas de unidade nacional.
Em suma, a decisão de Herzog coloca Gadi Eisenkot à frente da tarefa de montar um governo de emergência que reflita os princípios de resistência ao terrorismo e de preservação da soberania israelense, ao mesmo tempo em que enfrenta o desafio de conciliar forças políticas divergentes e de responder ao apelo de Netanyahu por unidade, que muitos consideram mais retórico do que substantivo. O desenrolar desses eventos determinará não apenas a configuração do próximo executivo, mas também a direção da política de segurança de Israel nos próximos meses.
📖 Perspectiva Bíblica
“Porque o Senhor dá a sabedoria; da sua boca procedem o conhecimento e o bom entendimento.” (Provérbios 2:6)
Fonte original: Herzog taps Eisenkot to form next government — Israel Hayom
