Nos últimos dias, a França tem sido palco de fortes tumultos que repercutiram imediatamente em Israel. Enquanto alguns observadores israelenses manifestam preocupação diante das imagens de confrontos nas ruas de Paris, Lille e Marselha, outros não conseguem esconder uma sensação de satisfação ao ver um dos críticos mais vocais de Israel mergulhado em crise. Contudo, a reação mais produtiva para o Estado judeu não pode se limitar a observar a Europa em chamas; deve‑se transformar a situação francesa em uma oportunidade histórica para o futuro demográfico e estratégico de Israel.
A comunidade judaica francesa, estimada em cerca de meio milhão de pessoas, representa a maior diáspora judaica da Europa e uma das mais relevantes do mundo. Durante décadas, judeus franceses mantiveram laços profundos com Israel, tanto culturais quanto familiares. Nos últimos anos, porém, o cenário interno da França tem se deteriorado: o antissemitismo voltou a subir, a sensação de insegurança pessoal se intensifica, e as tensões sociais e políticas geram um clima de instabilidade que leva muitas famílias a reconsiderarem sua permanência no país. O recente ataque a uma sinagoga no 19.º arrondissement, em Paris, simboliza a escalada desse ambiente hostil.
Mesmo reconhecendo que nem todos os judeus franceses desejam deixar a pátria adotiva, o autor do texto argumenta que o governo israelense precisa adotar uma política proativa para aproveitar o momento. Historicamente, grandes ondas migratórias só ocorrem quando um número expressivo de pessoas já está pronto para embarcar; porém, oportunidades estratégicas surgem quando circunstâncias externas fazem a população repensar seu futuro. Nesse sentido, a proposta é que Israel inicie, já nesta fase, um processo que possa culminar na aliyah de, no mínimo, 200 mil judeus franceses.
Essa iniciativa se encaixa no ambicioso plano “11º Milhão”, anunciado pelo Israel Hayom há cerca de um ano, que estabelece a meta de absorver um milhão de judeus nos próximos dez anos. O objetivo vai além de um ideal sionista; trata‑se de uma resposta estratégica a desafios demográficos, econômicos, sociais e de segurança que o país enfrenta. Uma migração em tal escala teria o potencial de transformar a composição da sociedade israelense, reforçar sua força de trabalho e ampliar seu capital humano.
Entretanto, o texto critica duramente a postura do governo israelense, que ainda trata a imigração como responsabilidade de ministérios isolados, sem uma estratégia nacional coordenada. Em vez de colocar a aliyah como prioridade máxima, o governo parece focar apenas na absorção de olim já decididos, deixando de mobilizar recursos e liderança política para atrair novos imigrantes. O autor aponta o primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu como responsável por não reconhecer a magnitude da oportunidade, repetindo um padrão de falha estratégica que já se manifestou em outras áreas.
A comparação com a absorção de quase um milhão de imigrantes nos primeiros dez anos do Estado – quando Israel era menor e mais pobre – serve de alerta: a capacidade de integrar grandes fluxos populacionais ainda existe, mas depende de vontade política e de um plano unificado. Se Israel conseguir transformar a crise francesa em um impulso para a aliyah, não apenas reforçará sua demografia, como também enviará uma mensagem clara de que o país está pronto para acolher judeus de todo o mundo, mesmo diante de adversidades externas. Por outro lado, a inércia pode significar perder uma janela histórica, permitindo que a França continue a perder parte de sua comunidade judaica sem que Israel capitalize esse movimento em benefício próprio.
📖 Perspectiva Bíblica
“Portanto, não se deixem vencer pelo mal, mas vençam o mal com o bem.” (Romanos 12:21)
Fonte original: France's crisis is a historic opportunity, but Israel is missing it — Israel Hayom
