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Israel: oposição de Gantz lidera com 29 cadeiras em outubro

A pesquisa de opinião realizada antes do 7 de outubro mostrava um cenário ainda familiar: o bloco de oposição liderado por Benny Gantz, ao lado de Yoav Eisenkot e Itamar Sa’ar, ostentava 29 cadeiras, enquanto Yair Lapid ainda mantinha 18, embora em queda. Não havia ainda a presença de figuras como Naftali Bennett, Avigdor Liberman ou o movimento Golan, nem sequer o partido de protesto Kaplan, que ainda não se havia registrado oficialmente. Naquele momento, a hipótese de que o movimento de protesto se transformasse em partido resultava em apenas 10 cadeiras, indicando que o estabelecimento político ainda dominava o panorama.

O ataque de 7 de outubro, porém, reconfigurou dramaticamente esse quadro. O mesmo levantamento, agora refletindo a realidade pós‑ataque, mostrou que a oposição praticamente desapareceu: dos 47 assentos que antes pertenciam a Lapid e Gantz, restam apenas cinco. O antigo bloco de centro‑esquerda, formado por Trabalhadores e Meretz, deu lugar a um novo partido unificado, composto majoritariamente por figuras do movimento de protesto, mas liderado por um político que se “reinventou” ao fugir para o sul durante o ataque. Essa liderança simbólica reforça a narrativa de resistência e resiliência que tem mobilizado grande parte do eleitorado.

Na direita, Naftali Bennett, ainda que tenha perdido parte do ímpeto que alcançou no ano anterior, tem conseguido atrair eleitores de centro‑esquerda ao oferecer políticas conservadoras em parceria com Avigdor Liberman. Juntos, eles agora acumulam cerca de três vezes o número de votos que possuíam antes da tragédia, indicando que o choque do ataque favoreceu a consolidação de uma bancada mais alinhada ao governo de segurança nacional. Assim, a composição tradicional do bloco de oposição – Estado Camp, Yesh Atid, Meretz e Yisrael Beiteinu – foi substituída por Yashar, Together, os Democratas e Yisrael Beiteinu.

A troca de comando dentro da coalizão, de Gantz para Eisenkot, tem significado simbólico: Eisenkot é pai enlutado, vítima direta da guerra, o que confere ao governo uma aura de legitimidade moral perante a população. Contudo, o novo cenário traz desafios. Enquanto antes a oposição concentrava sua crítica na reforma judicial, agora o debate mais sensível recai sobre a questão haredi, sobretudo a relação entre o serviço militar obrigatório e a comunidade ultraortodoxa. O eleitorado tem se afastado dos líderes que impulsionaram o movimento de protesto, concentrando‑se nos Democratas, que agora carregam a maior parte desse apoio.

A perspectiva de um segundo governo de mudança, que buscaria substituir Netanyahu, parece cada vez mais distante. A desconfiança em relação aos partidos árabes, que se recusam a classificar Hamas e Hezbollah como organizações terroristas, cria barreiras à formação de coalizões amplas. Uma pesquisa recente da Channel Corporation revelou que até um terço dos eleitores da oposição apoia a desqualificação do partido Ra’am, sem o qual nem Bennett nem Lapid teriam chegado ao premiêrio. Esse sentimento evidencia a crescente polarização e a dificuldade de construir consensos.

Em síntese, o ataque de 7 de outubro deslocou o espectro político israelense para a direita, enfraquecendo a oposição tradicional e fortalecendo alianças que combinam segurança nacional com políticas conservadoras. O eleitorado, marcado pelo trauma e pela busca por estabilidade, tem favorecido líderes que personificam a resistência ao terrorismo, ao mesmo tempo em que demonstra ceticismo em relação a partidos que não adotam uma postura firme contra Hamas e Hezbollah. As eleições que se aproximam, portanto, não prometem ser um ponto de inflexão decisivo, mas sim a continuação de um processo de consolidação de um governo centrado na segurança, com pouca margem para reformas estruturais ou acordos amplos que incluam partidos árabes.


📖 Perspectiva Bíblica

“Porque a nação se levantará contra a nação, e um reino contra outro; haverá fomes, pestes e terremotos em vários lugares.” (Lucas 21:11)

Fonte original: The looming crisis no one in Israel is preparing for — Israel Hayom

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