A corrida eleitoral em Israel se aproxima de um ponto de inflexão, já que os partidos menores que flutuam em torno do limiar de 3,25 % dos votos podem ser decisivos para definir quem governará o país. As pesquisas recentes apontam que tanto o bloco liderado por Benjamin Netanyahu quanto a coalição de oposição comandada por Yoav Eisenkot ainda não têm caminho claro para alcançar a maioria absoluta no Knesset, que exige 61 assentos entre os 120 disponíveis. Essa situação abre espaço para que partidos de menor expressão – alguns ainda sem representação parlamentar – se tornem verdadeiros “coringas” capazes de inclinar o equilíbrio de forças.
Segundo o veterano instituto de sondagens Israel Democracy Institute, o bloco de Netanyahu, formado principalmente pelo Likud, pelo partido religioso Shas e por alianças de direita como o Yamina, tem boas chances de manter a liderança, mas enfrentará um teste mais árduo do que o esperado para mobilizar eleitores. O líder do Likud, que já comandou o país por mais de uma década, depende agora de uma base de eleitores que se sente cansada de crises sucessivas, como a guerra em Gaza, a instabilidade econômica e as frequentes acusações de corrupção. A pesquisa indica que, embora a percepção de segurança nacional ainda favoreça Netanyahu, há um desgaste significativo entre eleitores centrais que podem migrar para opções mais moderadas ou mesmo para partidos que prometem reformas internas.
Do lado da oposição, Eisenkot – ex‑chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel – lidera uma aliança que reúne o partido trabalhista, o centrista Yesh Atid e outras forças de centro‑direita. A proposta de Eisenkot gira em torno de uma agenda de segurança mais pragmática, combinada com reformas econômicas e um esforço para restaurar a confiança nas instituições. Contudo, a coalizão ainda carece de coesão interna; divergências sobre políticas de assentamentos, acordos com os palestinos e a direção da política externa podem minar a capacidade de apresentar um programa unificado. Além disso, a própria liderança de Eisenkot ainda não foi testada em eleições nacionais, o que gera dúvidas sobre sua capacidade de atrair eleitores indecisos.
O fator decisivo reside nos partidos que habitam a faixa de 2 % a 4 % dos votos. Entre eles, destacam‑se o Meretz, de esquerda liberal, o partido árabe Ra’am, que tem buscado participar ativamente da política israelense, e o novo movimento nacional‑religioso chamado “Religião e Justiça”. Esses grupos podem ultrapassar o limite de 3,25 % e garantir assentos no parlamento, tornando‑se indispensáveis para a formação de qualquer maioria. Em cenários de “governar sem maioria”, o bloqueio de coalizão pode recair sobre acordos de apoio externo, onde partidos menores concedem seu voto em troca de políticas setoriais, como financiamento de escolas religiosas ou benefícios para comunidades específicas.
As implicações desse panorama são múltiplas. Primeiro, a necessidade de negociar com partidos pequenos pode levar a governos mais fragmentados e menos estáveis, aumentando a probabilidade de novos ciclos de eleições antecipadas. Segundo, a presença de partidos árabes no parlamento pode pressionar o governo a adotar uma postura mais conciliadora nas questões palestinas, embora a retórica de segurança de Netanyahu continue a limitar concessões substanciais. Terceiro, a eventual vitória de Eisenkot dependerá de sua habilidade em consolidar alianças e apresentar um programa que una segurança e reformas econômicas, sem alienar os eleitores centristas.
Em suma, a eleição israelense está se configurando como um verdadeiro teste de resistência para os grandes blocos políticos. Enquanto Netanyahu busca transformar seu legado em uma maioria segura, Eisenkot tenta construir uma alternativa viável. Entretanto, o verdadeiro poder de decisão pode estar nas mãos dos pequenos partidos que, ao ultrapassar o limiar mínimo, terão a capacidade de determinar quem, de fato, comandará o futuro de Israel nos próximos quatro anos.
📖 Perspectiva Bíblica
“Pois, assim como o grão de mostarda, que, sendo pequeno, cresce e se torna grande, assim também o menor dos partidos pode tornar‑se decisivo no destino da nação.” (Mateus 13:31)
Fonte original: Small parties hovering around minimum vote threshold could determine Israel’s election — Times of Israel
