Sina Amjadian, piloto da United Airlines de origem iraniana, foi impedido de operar voos que ingressem no espaço aéreo israelense após a nova política de vigilância adotada por Israel em resposta ao ataque ao cockpit da aeronave da Flydubai, que partia rumo a Tel Aviv, em 30 de setembro. A decisão surge a partir de informações repassadas pelo Ministério dos Assuntos da Diáspora e Combate ao Antissemitismo (MADDCA) às autoridades de segurança e ao Ministério dos Transportes de Israel, que determinaram que qualquer aeronave tripulada por Amjadian será barrada ao entrar no território israelense.
A medida foi motivada por alegações de que o piloto teria utilizado as redes sociais – especificamente a plataforma X (antiga Twitter) – para manifestar apoio ao regime iraniano, ao Corpo de Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) e ao grupo terrorista Hezbollah. As acusações não se baseiam em declarações formais apresentadas às autoridades israelenses, mas em postagens divulgadas por outros usuários da rede, que apontaram para fotos e mensagens nas quais Amjadian supostamente beijava o emblema do Irã, saudava o símbolo do regime, ostentava uma bandeira iraniana presa ao uniforme da United e compartilhava cartoons ofensivos, como “United States of Israel”. Em julho, ele teria publicado uma foto beijando o emblema iraniano com a legenda “não vai cair”, e em junho recebeu um retweet do líder supremo Khamenei durante a chamada “guerra” de retóricas regionais.
O MADDCA emitiu um comunicado ressaltando que tais indícios “geram preocupação e exigem revisão de segurança profissional”, dado o papel sensível de um piloto de companhia internacional, responsável direto pela segurança de passageiros e tripulação. O ministério explicou que mantém um monitoramento constante de fontes abertas, focado em manifestações de antissemitismo, incitação ao ódio e chamadas à violência contra judeus e israelenses. No contexto do ataque ao voo da Flydubai, a agência considerou esses relatos como parte de um esforço mais amplo de identificar elementos que possam representar ameaça à segurança nacional.
Além das postagens, o relatório divulgado por um analista de inteligência chamado ShadowGraph trouxe à tona detalhes que reforçam o perfil de risco: Amjadian teria trabalhado sete anos como capitão da Flydubai antes de integrar a United, voando atualmente 737 a partir de Los Angeles (LAX). Também foram citados indícios de ligações financeiras problemáticas, como uma ação judicial pendente, viagens recentes por Sudão e Eritreia, e até mesmo uma senha de acesso que começava com a palavra “Iran”. Tais elementos foram descritos como “perfil clássico de chantagem”, sugerindo vulnerabilidade a pressões externas.
A proibição de Amjadian tem implicações significativas para a United Airlines e para a indústria aérea em geral. Primeiro, demonstra que governos, especialmente Israel, estão dispostos a adotar medidas preventivas rigorosas quando houver suspeita de simpatias ou ligações com atores hostis. Segundo, coloca em evidência a necessidade de companhias aéreas reforçarem seus processos de verificação de antecedentes, indo além de simples checagens de antecedentes criminais e incluindo análise de comportamento nas redes sociais. A situação também levanta questões sobre a liberdade de expressão versus segurança nacional, já que a maioria das evidências provém de publicações públicas e não de provas de envolvimento direto em atividades ilícitas.
Por fim, o caso pode servir de alerta para outras companhias que empregam pilotos ou tripulantes de origens ou laços políticos controversos. A pressão para garantir que suas equipes não representem risco de infiltração ou influência de regimes adversários pode levar a políticas mais rígidas de monitoramento e, possivelmente, a restrições de voo semelhantes em outros países que mantêm relações tensas com o Irã. Enquanto isso, a United ainda não se pronunciou oficialmente sobre a medida israelense, mas a repercussão pública sugere que a companhia terá de rever seus protocolos de segurança e de comunicação interna para evitar novos episódios que comprometam a confiança dos passageiros e a integridade das rotas internacionais.
📖 Perspectiva Bíblica
“Não julgueis segundo a aparência, mas julguem segundo o justo julgamento.” (1 Samuel 16:7)
Fonte original: United Airlines pilot's provocative posts land him in hot water in Israel — Israel Hayom
