O presidente sírio, Ahmed al‑Sharaa, utilizou a entrevista concedida ao canal de televisão estatal para reiterar que o ataque de 7 de outubro, perpetrado por militantes palestinos, não pode servir de justificativa para a política de segurança adotada por Israel em relação à Síria. Segundo o diplomata, o governo israelense tem mantido, nos últimos meses, uma postura de “escalada” que inclui o aumento de voos de caça, a intensificação de exercícios militares nas fronteiras e a realização de incursões aéreas em território sírio, sob a alegação de neutralizar ameaças do Irã e do Hezbollah. Al‑Sharaa advertiu que tal estratégia não só agrava as tensões regionais como também coloca em risco a estabilidade de toda a região do Levante.
Em contrapartida, o presidente sírio revelou que há quase um ano as duas partes vêm mantendo “conversas diretas” – ainda que de forma confidencial – sobre questões de segurança e fronteiras. Segundo ele, as negociações avançaram a ponto de alcançar um acordo de cerca de 90 % sobre os principais pontos de discórdia. Entre os temas discutidos estão a retirada de armas de longo alcance do território sírio, a limitação de operações de inteligência e a criação de mecanismos de verificação conjunta para impedir violações de espaço aéreo. Al‑Sharaa enfatizou que, embora ainda existam detalhes pendentes, o progresso demonstra uma “vontade real” de ambas as partes de evitar um conflito aberto e de buscar soluções diplomáticas.
O diplomata sírio também reiterou a exigência de que Israel retorne às linhas de fronteira estabelecidas pelo Acordo de 1974, que definiu a zona de desarmamento ao longo da fronteira entre Israel e a Síria, incluindo o alto do Golã. Essa demanda, segundo Al‑Sharaa, é fundamental para garantir a soberania síria e evitar que Israel continue a expandir sua presença militar em áreas que, historicamente, pertencem a Damasco. Ele apontou que a ocupação do Golã, que data da Guerra dos Seis Dias de 1967, permanece um ponto sensível e que a manutenção de bases militares israelenses na região impede a normalização das relações bilaterais.
Ao analisar as possíveis implicações, Al‑Sharaa sugeriu que, se Israel aceitar o retorno às fronteiras de 1974 e avançar nas negociações, isso poderia abrir caminho para um clima de confiança que facilitaria acordos mais amplos, inclusive sobre a questão dos refugiados sírios e a cooperação econômica transfronteiriça. Por outro lado, a recusa de Israel em mudar sua postura poderia levar a um aumento das hostilidades, com maior frequência de ataques aéreos e possíveis retaliações de grupos armados apoiados por Damasco e Teerã. O diplomata advertiu ainda que a comunidade internacional, particularmente os Estados Unidos e a União Europeia, tem papel crucial em pressionar por um desmantelamento das infraestruturas militares israelenses na Síria e por garantir que qualquer acordo seja monitorado por observadores neutros.
Em síntese, a mensagem de al‑Sharaa busca desassociar o evento de 7 de outubro de qualquer mudança drástica na política israelense em relação à Síria, ao mesmo tempo em que destaca que há um diálogo avançado e quase concluído entre as duas nações. O presidente sírio deixa claro que a solução passa por respeitar as fronteiras de 1974, reduzir a presença militar israelense e consolidar mecanismos de segurança conjuntas, elementos que, segundo ele, poderiam estabilizar a região e evitar uma nova escalada de violência.
📖 Perspectiva Bíblica
“Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a justiça.” (João 7:24)
Fonte original: Al-Sharaa: October 7 cannot dictate Israel's Syria policy, talks reached 90% agreement — Jerusalem Post
