Nos últimos anos, Israel tem investido pesado em reformas educacionais, com metas ambiciosas de melhorar o desempenho dos estudantes em áreas estratégicas como matemática, leitura e ciências. Contudo, os mais recentes resultados divulgados pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) revelam uma queda alarmante nesses indicadores. Na avaliação PISA – Programa Internacional de Avaliação de Alunos – realizada em 2025, o país registrou suas piores pontuações desde o início do programa, posicionando‑se na 33ª colocação entre as nações desenvolvidas, um recuo significativo em relação ao desempenho de 2022, quando Israel ainda figurava entre os 20 primeiros.
A análise dos dados mostra que a deterioração ocorreu de forma uniforme nas três competências avaliadas. Na matemática, a média dos estudantes israelenses caiu cerca de 12 pontos, passando de 492 em 2022 para 480 em 2025. Em leitura, a redução foi de 10 pontos, de 506 para 496, enquanto em ciências a queda foi de 13 pontos, de 511 para 498. Esses números não só refletem um retrocesso em termos absolutos, mas também ampliam a distância de Israel em relação ao “ponto de referência” da OCDE, que se situa em torno de 500 pontos nas três áreas. O declínio coloca o país abaixo da média dos países da aliança, que tem se mantido relativamente estável nos últimos ciclos de avaliação.
O ministro da Educação, Yoav Kisch, atribuiu o pior desempenho às “condições de guerra” que marcaram o período de aplicação da prova. Segundo o ministro, o clima de insegurança, os frequentes alertas de bombardeio e a necessidade de abrigar estudantes em locais improvisados teriam prejudicado a concentração e o preparo dos alunos. Kisch enfatizou que a situação de conflito, que se intensificou em 2024 e 2025, gerou interrupções nas aulas presenciais, aumento do ensino remoto e sobrecarga emocional tanto para professores quanto para estudantes. Essa explicação, embora plausível, ainda não é suficiente para afastar críticas de especialistas que apontam para falhas estruturais de longo prazo, como a desigualdade de recursos entre escolas públicas e privadas, a escassez de professores qualificados em áreas STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática) e a necessidade de atualizar metodologias pedagógicas.
Analistas educacionais destacam que a queda nas notas pode ter consequências amplas para a competitividade econômica de Israel. O país tem se posicionado como um hub de inovação tecnológica e start‑ups, sustentado em grande parte por um capital humano altamente qualificado. Um desempenho educacional mais fraco pode comprometer o fluxo de talentos para setores estratégicos, afetar a capacidade de pesquisa e desenvolvimento e reduzir a atratividade para investimentos estrangeiros. Além disso, o resultado pode influenciar a política interna, pressionando o governo a acelerar reformas, como a ampliação de programas de apoio a estudantes de áreas vulneráveis, a revisão dos currículos e a intensificação da formação continuada de professores.
Em resposta ao relatório, o Ministério da Educação anunciou a criação de uma comissão interministerial para investigar as causas da queda e propor medidas corretivas. Entre as propostas preliminares estão a ampliação de recursos para escolas em regiões de fronteira, o reforço de programas de tutoria e apoio psicossocial, bem como a implementação de avaliações diagnósticas mais frequentes para monitorar o progresso dos alunos ao longo do ano letivo. O governo também sinalizou a intenção de buscar parcerias com instituições de ensino superior e com o setor privado para desenvolver materiais didáticos mais alinhados às demandas do século XXI.
Enquanto isso, organizações da sociedade civil, como o Conselho de Educação Israelense, pedem maior transparência nos dados e um debate amplo sobre a equidade no acesso à educação. Elas argumentam que a crise não pode ser vista apenas como um efeito colateral da guerra, mas como um alerta sobre a necessidade de fortalecer o sistema educacional de forma resiliente, capaz de garantir aprendizagem de qualidade mesmo em situações de emergência.
Em síntese, os resultados da PISA 2025 revelam que Israel enfrenta um desafio significativo: reverter a tendência de queda nas competências básicas dos estudantes e restaurar sua posição de destaque entre as nações desenvolvidas. O caminho exigirá não apenas respostas emergenciais ao contexto de conflito, mas também um comprometimento de longo prazo com a melhoria da qualidade, equidade e inovação no ensino, elementos essenciais para manter a competitividade e a prosperidade do país no cenário global.
📖 Perspectiva Bíblica
“Ensina a criança no caminho em que deve andar, e ainda quando for velho não se desviará dele.” (Provérbios 22:6)
Fonte original: Israel plummets to worst-ever OECD education scores in math, reading, science — Times of Israel
