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Israel sofre críticas na ONU por suposta limpeza étnica

No primeiro dia da semana de alto nível da Assembleia Geral da ONU, o debate foi marcado por críticas contundentes a Israel, vindas de diversas lideranças mundiais. O secretário‑geral António Guterres, em sua fala de abertura, alertou para o “espectro de limpeza étnica” na Cisjordânia (Judeia e Samaria) e condenou a escala de morte e destruição em Gaza, que ele descreveu como “sem precedentes” em sua longa trajetória à frente da organização. Guterres ressaltou ainda a necessidade de cumprimento das medidas provisórias da Corte Internacional de Justiça no caso de genocídio contra Israel e enfatizou que todas as partes devem respeitar o direito internacional, sob pena de a solução de dois Estados desaparecer “diante dos nossos olhos”.

O rei Abdullah II da Jordânia, que também se pronunciou, acusou Israel de cometer “crime de guerra” e de representar uma “ameaça regional”. O presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, que abriu o debate antes de Donald Trump, seguiu a mesma linha ao denunciar o “genocídio” perpetrado pelo governo Netanyahu contra mulheres e crianças em Gaza, lembrando que “gerações de palestinos carregarão a dor e o trauma”. Lula ainda criticou a perseguição ao Tribunal Penal Internacional, afirmando que isso encoraja a impunidade, e apontou que a expansão dos assentamentos ilegais na Cisjordânia torna a solução de dois Estados cada vez mais inviável. Em tom nostálgico, o presidente brasileiro lembrou Yasser Arafat e Yitzhak Rabin como estadistas que buscaram a paz, mas foram derrotados pelo ódio.

A fala mais agressiva contra Israel veio do presidente turco Recep Tayyip Erdogan, que descreveu Gaza como “o mais desumano e vergonhoso campo de concentração da nossa época”. Erdogan contou que, nos últimos três anos, 74 mil palestinos – a maioria mulheres e crianças – morreram, e que a Faixa de Gaza se tornou o maior cemitério infantil do mundo, com a taxa mais alta de amputações entre crianças. Para o líder turco, esses números configuram “terrorismo de Estado” praticado por Israel. Apesar da crítica feroz, Erdogan elogiou o presidente dos EUA, Donald Trump, afirmando que o cessar‑fogo foi alcançado graças aos esforços de Trump e à colaboração da Turquia, embora tenha ressaltado que, mesmo após o acordo, o número de mortos em Gaza ultrapassou 1.500.

Donald Trump, ao subir ao palco, desviou o foco para o Irã e celebrou o que considerou um “acerto” em Gaza, embora sua fala tenha sido curta comparada ao peso das acusações lançadas por Guterres, Abdullah, Lula e Erdogan. O discurso de Guterres foi o seu último como chefe da ONU, já que seu mandato termina em dezembro, e ele usou a oportunidade para reforçar a urgência de impedir a destruição de um futuro de paz entre israelenses e palestinos.

As declarações reunidas revelam um clima de crescente tensão diplomática. As acusações de crime de guerra, limpeza étnica e campos de concentração aumentam a pressão internacional sobre Israel para que modere suas operações militares e retome negociações sérias de paz. Ao mesmo tempo, a defesa de Trump e o apoio de países como a Turquia indicam que há ainda blocos que respaldam a postura israelense, ainda que com ressalvas. O debate na ONU pode influenciar futuras resoluções, sanções ou iniciativas de mediação, bem como o andamento dos processos na Corte Internacional de Justiça e no Tribunal Penal Internacional. Em suma, a primeira sessão da Assembleia Geral sinalizou um aprofundamento da polarização global sobre o conflito, com consequências potenciais para a segurança regional, a viabilidade da solução de dois Estados e a legitimidade das instituições internacionais envolvidas.


📖 Perspectiva Bíblica

“Aprendei a fazer o bem; buscai a justiça, repreendei o opressor; ajudai a viúva e o órfão.” (Isaías 1:17)

Fonte original: Erdogan calls Gaza a 'concentration camp' as UN leaders assail Israel — Israel Hayom

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