Nas últimas semanas, comunidades que ficaram na linha de frente do ataque de Hamas em 7 de outubro têm enfrentado um déficit crítico de forças de defesa, apesar das promessas feitas pelo governo israelense. O alerta começou a ser levantado dentro do Gabinete de Segurança Diplomática, onde se discutia a atividade de Hamas a partir de hospitais e a intenção do grupo de conduzir operações ofensivas, inclusive tentativas de sequestro de soldados. A partir dessas discussões, o Israel Hayom apurou que a realidade no terreno está muito aquém do que foi anunciado pelo ministro da Defesa, Israel Katz.
Coordenadores de segurança locais e autoridades municipais relatam que o Exército de Defesa de Israel (IDF) não está alocando tropas nas quantidades prometidas para proteger as comunidades fronteiriças de Gaza. Em vez de contar com o contingente completo previsto, muitas localidades contam apenas com um punhado de soldados, insuficiente para cumprir as missões de defesa. A escassez se deve a dois fatores principais: a falta de novas admissões ao serviço militar e a impossibilidade de transferir soldados de outras unidades para as forças territoriais. Simultaneamente, os militares que já estavam inseridos no esquema de defesa estão sendo liberados, sem que haja reposição.
Um representante de uma comunidade fronteiriça descreveu a situação como “cada comunidade tentando, por conta própria, suprir as lacunas, sem apoio militar e sem suporte governamental”. Essa falta de respaldo gerou um vazio grave nas forças de defesa territorial, que são compostas por residentes locais (esquadrões de prontidão) e por reservistas vinculados a unidades militares diferentes. Embora o Comando Sul do IDF tenha solicitado a extensão desses vínculos de reservistas, a Diretoria de Operações ainda não aprovou a medida, mantendo o número de soldados abaixo do necessário.
A crise de pessoal ocorre em meio a um recorte orçamentário significativo para as Forças de Defesa. O Ministério das Finanças tem dificultado a liberação de cerca de 40 bilhões de shekels que o estabelecimento militar necessita para 2025, um déficit reconhecido inclusive pelo primeiro‑ministro. Essa restrição financeira tem reduzido drasticamente o número de reservistas disponíveis, agravando a vulnerabilidade das comunidades fronteiriças justamente quando o gabinete alertou, em uma reunião noturna entre domingo e segunda‑feira, sobre a motivação de Hamas em intensificar ataques terroristas.
As consequências desse descompasso são alarmantes. Comunidades que já foram invadidas por Hamas, como Be’eri, agora enfrentam a perspectiva de estar ainda mais desprotegidas, com menos soldados do que o nível de força designado para elas. Essa situação pode comprometer a capacidade de resposta rápida a novos incidentes, dificultar a evacuação de civis e enfraquecer a dissuasão contra infiltrações inimigas. Além disso, a sensação de abandono pode gerar descontentamento entre os residentes, que veem suas vidas e propriedades expostas a riscos crescentes sem a devida proteção estatal.
Os oficiais militares reconhecem o problema na manutenção de reservistas nas forças de defesa territorial e apontam que a aprovação da extensão dos vínculos é crucial para fechar a lacuna. Enquanto isso, as comunidades fronteiriças têm emitido alertas contundentes: não podem aceitar que o sistema de defesa que deveria protegê‑las seja silenciosamente reduzido. A pressão sobre o governo para cumprir as promessas de segurança se intensifica, especialmente à luz das recentes declarações de que Hamas pretende novos ataques. O descompasso entre o número autorizado de defensores e o efetivo disponível coloca em risco não apenas a segurança das localidades, mas também a credibilidade das autoridades israelenses diante de seus próprios cidadãos.
📖 Perspectiva Bíblica
“Ele vos guardará de todo mal; guardará a vossa vida.” (Salmos 121:7)
Fonte original: Communities hit on Oct. 7 face shortage of defense forces — Israel Hayom
