A manhã de quarta‑feira trouxe um choque inesperado para os líderes do bloco “Change”, a aliança de partidos que se posicionou contra Benjamin Netanyahu nas eleições de 2026. Depois de dormir acreditando que já eram os presumíveis primeiros‑ministros – como ocorreu em outras ocasiões com Shimon Peres, Isaac Herzog e Benny Gantz – acordaram diante de resultados que mostraram o retorno triunfal do veterano do Likud. Embora a vitória de Netanyahu não tenha atingido a maioria absoluta de 61 cadeiras que garantiu em 2015, o feito ainda é impressionante: seus adversários partiram de condições iniciais favoráveis, mas perderam a oportunidade de montar uma coalizão capaz de alcançar a maioria judaica no Knesset de 120 assentos.
O bloqueio da “Change Bloc” desperta descrença semelhante ao que se viu em 2015, quando o espectro anti‑Netanyahu também subestimou a força do líder. “Como isso aconteceu conosco?”, perguntam os dirigentes, que já revisam os erros de campanha, os anos de oposição e as expectativas inflacionadas. A derrota, segundo eles, é “incontornável” e obriga a aliança a reavaliar completamente sua trajetória e a estratégia que a conduziu ao ponto atual. Reuniões de vitória e de coordenação que estavam previstas para a noite de terça‑feira foram canceladas, enquanto ainda se aguardavam os números finais. “Os números parecem ruins”, admitiram, “e ainda há a possibilidade de Netanyahu alcançar 61 cadeiras”.
A única luz de esperança que resta para o bloco anti‑Netanyahu depende de um acordo com o Ra’am – a Lista Árabe Unida – que poderia, em teoria, garantir a maioria necessária se o Joint List (a aliança árabe maior) se abstivesse nas votações de confiança. Contudo, tal arranjo exigiria uma violação flagrante dos compromissos de campanha da “Change Bloc”, que se comprometeu a não depender de partidos árabes para formar governo. Essa contradição já gera tensão interna e coloca em xeque a credibilidade da aliança perante seus eleitores.
Diante desse cenário, os líderes do bloco reconhecem que convocar novas eleições não resolverá a crise. As opções que se apresentam são três: tentar governar com apoio árabe, aceitar um governo de unidade nacional com Netanyahu ou, ainda, encarar um novo ciclo eleitoral que pode desgastar ainda mais a força da “Change Bloc”. Avigdor Lieberman, que lidera o partido Yesh Atid, já sinaliza preferência pela terceira alternativa, buscando reforçar seu poder de barganha ao se posicionar como peça-chave para qualquer futuro governo.
As implicações desse impasse são amplas. Primeiro, a continuidade de Netanyahu ao poder indica que, apesar das críticas internacionais e das tensões internas, ele ainda detém uma base sólida entre eleitores judeus que valorizam sua experiência em segurança e política externa. Segundo, a necessidade de negociar com partidos árabes, ainda que contrária ao discurso da “Change Bloc”, poderia abrir precedentes de cooperação que alterariam a dinâmica tradicional da política israelense, embora arriscando alienar eleitores conservadores. Por fim, a fragilidade da oposição pode levar a um período de instabilidade legislativa, dificultando a aprovação de reformas essenciais em áreas como orçamento, justiça e políticas de segurança.
Em resumo, o inesperado revés da “Change Bloc” reflete não apenas uma falha estratégica, mas também a complexidade do panorama político israelense, onde alianças improváveis e decisões de curto prazo podem redefinir o rumo do país nos próximos anos. A forma como os partidos de oposição lidarão com a necessidade de pactos com a comunidade árabe ou com a própria Netanyahu determinará se a política israelense avançará rumo a um consenso mais amplo ou permanecerá presa a ciclos de polarização e eleições frequentes.
📖 Perspectiva Bíblica
“Porque o que antes era firme, se tornou frágil; e o que parecia seguro, se desfez como névoa ao amanhecer.” (Jeremias 8:13)
Fonte original: 'It looks bad': Left in shock after election hangover — Israel Hayom
