Três anos após o ataque de 7 de outubro, a onda de violência que se espalhou muito além das fronteiras de Israel deixou a Europa em um estado de instabilidade sem precedentes. O antissemitismo atingiu níveis recordes, e as manifestações contra Israel percorreram o continente de forma descontrolada, provocando atos de vandalismo e agressões que transformaram a aparência judaica em um sinal de vulnerabilidade. Apesar dos consideráveis recursos financeiros destinados pela União Europeia ao combate ao ódio contra os judeus, todas as tentativas de fechar o abismo social se mostraram insuficientes.
Diante desse cenário, a Conferência dos Rabinos Europeus – principal órgão que representa as comunidades judaicas da UE – decidiu assumir uma postura mais proativa. Pouco antes da celebração do Rosh Hashaná em Munique, evento que contou com a presença de mais de cem autoridades da União Europeia, representantes da Comissão Europeia e parlamentares, a Conferência apresentou um manifesto de sete pontos para enfrentar o antissemitismo. Segundo Gadi Gronich, CEO e chefe de gabinete do presidente da fundação da Conferência, o plano tem como objetivo “passar da fase de discurso para a fase de ação”. O documento propõe medidas que vão desde a intensificação da segurança em locais de culto até a criação de um instituto dedicado à liberdade de crença e à segurança – o IFFSE (Institute for Freedom of Faith and Security in Europe) – que combinará pesquisa e intervenções práticas.
A relação entre a Conferência e a União Europeia é descrita por Gronich como de “amigos leais”. Os líderes judeus mantêm contato constante com os tomadores de decisão, são convidados a participar de reuniões e conseguem que suas demandas sejam ouvidas. Contudo, o dirigente enfatiza que essa proximidade não se traduz em mudanças concretas. “A UE pode recomendar, pode indicar direções, mas não tem poder de obrigar os Estados‑membros a aplicar as medidas”, afirma. Na prática, quem realmente pode gerar transformações são os governos locais, que detêm a competência para reforçar a segurança nas sinagogas, garantir a aplicação das leis anti‑discriminação e promover a educação contra o ódio.
A iniciativa da Conferência, portanto, não se limita a pressionar Bruxelas; ela também dialoga com ministros de governos nacionais, buscando que as políticas de proteção sejam implementadas de forma efetiva. Nesse esforço, o combate ao extremismo islâmico, representado pela Irmandade Muçulmana, ganha destaque nas agendas de chefes de Estado europeus, inclusive fora da UE, como o Reino Unido. A criação do IFFSE reflete a estratégia de transformar a pesquisa acadêmica em ações concretas, como a elaboração de protocolos de segurança para instituições religiosas e a formação de agentes de segurança especializados.
As implicações desse novo plano são múltiplas. Primeiro, ele sinaliza uma mudança de postura da liderança judaica europeia, que deixa de depender exclusivamente de declarações políticas para adotar medidas operacionais. Segundo, coloca pressão sobre os governos locais para que cumpram as recomendações da UE, sob risco de serem vistos como omissos diante de um problema que afeta a coesão social. Terceiro, ao articular a luta contra o antissemitismo com a contenção da influência da Irmandade Muçulmana, o manifesto pode gerar alianças inesperadas entre comunidades religiosas e autoridades de segurança, reforçando a ideia de que a proteção da liberdade de crença é um interesse comum.
Em síntese, a Conferência dos Rabinos Europeus apresenta um plano ambicioso que busca transformar a retórica de combate ao ódio em ações tangíveis, reconhecendo que a efetividade depende mais dos Estados‑membros do que das declarações da União Europeia. O sucesso da iniciativa dependerá da capacidade dos governos locais de responder rapidamente às demandas de segurança e de integrar a educação contra o antissemitismo nos currículos escolares, garantindo que a comunidade judaica na Europa possa viver sem medo e com plena conexão ao Estado de Israel, que permanece como seu ponto de referência histórico e cultural.
📖 Perspectiva Bíblica
“Não temas, porque eu sou o teu Deus; eu te fortalecerei, e te ajudarei, e te sustentarei com a destra da minha justiça.” (Isaías 41:10)
Fonte original: 'European Jews want a connection to Israel – but certainly not most of them' — Israel Hayom
