John Malkovich cancelou a apresentação que faria em Tel Aviv no dia 13 de abril, no Charles Bronfman Auditorium, ao descobrir que um comunicado de imprensa continha uma citação falsa atribuída a ele. O ator, conhecido por seu trabalho no cinema e no teatro, teria supostamente declarado estar “entusiasmado por voltar a Israel” e “ansioso para encontrar o caloroso público israelense, ao qual sinto uma forte proximidade e solidariedade”. A frase, porém, nunca saiu de sua boca. A origem da falha foi um release enviado em 5 de setembro, que acabou sendo publicado pelo *Jerusalem Post* e, em seguida, reproduzido pelo *Hollywood Reporter* (THR). Malkovich só tomou conhecimento da situação ao ler a cobertura do THR, que apontou a fonte original do erro.
A equipe do ator foi contatada pelo THR no sábado anterior à publicação, mas não respondeu a tempo de impedir que a matéria fosse veiculada. Na declaração oficial feita ao THR, Malkovich foi categórico ao afirmar que a empresa de relações públicas contratada pelo promotor israelense havia redigido a citação sem sua autorização. Ele ressaltou que nunca pronunciou aquelas palavras, que não foram aprovadas por ele nem por seus representantes e que a impressão de que ele teria expressado solidariedade política era “inaceitável e insustentável”. Por esse motivo, decidiu retirar-se da produção.
Malkovich também deixou claro que sua presença em qualquer país não implica apoio às políticas ou aos líderes desse lugar. “Minha aparição em qualquer nação, mesmo a minha própria, não constitui aprovação das políticas, nem das ações, nem dos líderes eleitos ou não eleitos. Minhas apresentações não significam solidariedade com nenhuma causa política, nem com a violência contra civis, nem com atos de terrorismo ou qualquer outra barbárie”, escreveu.
A empresa de publicidade, KoKo Blame, contratada pelo produtor israelense Alon Yurick, reconheceu o equívoco. Em entrevista ao THR, a agência admitiu que “creditou incorretamente” Malkovich e que o ator não havia fornecido, autorizado ou aprovado a declaração. A empresa pediu desculpas ao ator e aos seus representantes, lamentando o ocorrido. O *Jerusalem Post* também corrigiu a matéria, acrescentando uma nota de editor que indica que a citação foi removida após confirmação de que havia sido falsamente atribuída a Malkovich e que o produtor do espetáculo reconheceu o erro como fruto de um mal‑entendido.
Para o público israelense, a retirada de Malkovich pode ser vista como um revés cultural, já que o ator já havia sido homenageado no Festival de Cinema de Jerusalém em 2008 e mantinha uma relação amistosa com o país. O episódio, porém, destaca a delicada interface entre arte, imprensa e política no contexto israelense. A fabricação de declarações pode gerar desconfiança entre artistas internacionais e organizadores locais, dificultando futuras colaborações. Além disso, a situação reforça a necessidade de rigor na comunicação institucional, sobretudo quando envolve figuras públicas de alto perfil e temas sensíveis. Caso contrário, o risco de danos reputacionais – tanto para o artista quanto para o promotor – pode se tornar um obstáculo para projetos culturais que buscam promover o intercâmbio artístico entre Israel e o resto do mundo.
📖 Perspectiva Bíblica
“Não sejas mentiroso, mas fala a verdade ao teu próximo; pois a mentira tem a sua própria ruína.” (Provérbios 12:22)
Fonte original: John Malkovich cancels Tel Aviv performance after fabricated press release quote — Israel Hayom
