O filme “NAZA”, que tem como base depoimentos anônimos de soldados das Forças de Defesa de Israel (IDF), estreou na América do Norte neste sábado durante o New York Film Festival, mas a sua exibição foi acompanhada por uma forte mobilização pró‑Israel nas imediações do Lincoln Center. Organizado pelo Israeli‑American Council (IAC), um comício começou às 14h30, meia‑hora antes da sessão, e utilizou telas de LED instaladas em caminhões para projetar trechos de “October 7: Bearing Witness to the Massacre”, um documentário que reúne imagens gravadas pelas câmeras corporais dos terroristas do Hamas durante a invasão de 7 de outubro de 2023. As filmagens mostram o ataque a civis, o massacre nas comunidades de fronteira e a devastação que desencadeou a atual guerra em Gaza.
A presença de sobreviventes israelenses reforçou o caráter simbólico da ação. Entre os convidados estavam Rom El‑Hai e Shalev Biton, membros da Nova Music Festival, que viveram o ataque, além de Yunis Alkarnawi, um beduíno israelense que salvou dezenas de pessoas naquele dia. Em discurso, representantes do IAC enfatizaram que, ao contrário de um filme, a história não pode ser editada: “Não vamos permitir que o 7 de outubro seja apagado da narrativa”. O conselho também lançou uma petição pedindo que futuras exibições de “NAZA” sejam acompanhadas por depoimentos de vítimas, debates com diferentes pontos de vista e material de contexto, para que o público tenha acesso a uma visão mais completa dos fatos.
A controvérsia em torno de “NAZA” já se espalhou além de Israel. Críticos acusam o longa de ser “anti‑sionista” e de ignorar informações que contradizem suas conclusões, bem como de omitir o massacre que deu origem ao conflito atual. Defensores do filme argumentam que ele oferece uma perspectiva interna das operações militares israelenses na Faixa de Gaza, trazendo à tona questões éticas e estratégicas que raramente são abordadas nos meios de comunicação. No entanto, a ausência de referências ao 7 de outubro tem sido apontada como uma tentativa de desviar a responsabilidade moral da IDF.
Durante a exibição, duas espectadoras locais, entrevistadas pelo Israel Hayom, declararam que consideraram importante estar presentes, apesar das “sentimentos ambivalentes” que circulavam sobre os cineastas. Elas apontaram que a obra poderia representar um ponto de vista israelense num conflito onde a narrativa costuma ser dominada por perspectivas externas, e ainda sugeriram que o governo dos Estados Unidos, ao financiar projetos culturais, estaria, indiretamente, apoiando o que chamam de “genocídio”. Quando questionadas sobre a relevância do contexto do 7 de outubro para compreender o filme, responderam que, para elas, a obra “se sustenta por si mesma”, ainda que reconhecessem a importância de não desconsiderar o que aconteceu em Israel.
A estratégia de projeção das imagens do massacre fora da sala de cinema tem implicações significativas. Primeiro, cria um contraponto visual que impede que o público ignore o horror do ataque ao assistir a um filme que, segundo seus críticos, minimiza ou silencia esse episódio. Segundo, reforça a narrativa de que a arte pode ser utilizada como ferramenta de resistência e memória coletiva, especialmente quando há risco de revisionismo histórico. Por fim, a iniciativa do IAC sinaliza que, nos próximos meses — quando o filme deve ser exibido nos Hamptons, na Bay Area de São Francisco e em Los Angeles, próximo ao terceiro aniversário do 7 de outubro — haverá pressão para que cada projeção seja acompanhada de um debate público, garantindo que a história do ataque não seja dissociada da discussão sobre as políticas de segurança e de ocupação de Israel. Essa postura pode influenciar a forma como festivais e instituições culturais norte‑americanas programam obras controversas, equilibrando liberdade artística com responsabilidade histórica.
📖 Perspectiva Bíblica
“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão fartos.” (Mateus 5:6)
Fonte original: Oct. 7 footage confronts 'NAZA' premiere at New York Film Festival — Israel Hayom
