O que as Portas de Jerusalém Revelam Sobre a História, a Fé e o Destino da Cidade Santa?

Neste artigo, eu vou te levar a desvendar alguns detalhes muito interessantes sobre as Portas da Cidade Santa, mas antes de continuar, já vai deixando o seu LIKE e compartilhe este artigo com seus amigos e sua família.

Jerusalém é uma cidade que se entende caminhando. Não apenas por suas ruas, mas por suas muralhas. Elas não delimitam somente espaço; delimitam tempo, memória e promessa. As muralhas atuais da Cidade Velha, reconstruídas entre 1537 e 1541 pelo sultão otomano Suleiman, o Magnífico, envolvem uma cidade cujas portas falam — algumas em voz alta, outras em silêncio profundo.

Cada porta de Jerusalém possui um nome, e cada nome carrega uma história. Em hebraico, árabe e inglês, essas portas revelam camadas sucessivas de domínio, fé e expectativa messiânica. Portas abertas falam de acesso, peregrinação e vida cotidiana. Portas fechadas falam de juízo, reverência, temor e tempo determinado por Deus.

Porta de Jaffa

Ao iniciar o percurso pelo oeste, encontra-se a Porta de Jaffa, chamada em hebraico שַׁעַר יָפוֹ (Sha’ar Yafo), em árabe باب الخليل (Bab al-Khalil), e em inglês Jaffa Gate. O nome hebraico aponta para a antiga cidade portuária de Jafa, por onde, segundo as Escrituras, chegaram os cedros do Líbano destinados à construção do Templo (2Crônicas 2:16). Neste lugar começava o antigo caminho que conectava Jerusalém até Jope, no litoral do Mediterrâneo. Já o nome árabe — Porta do Amigo [de Deus] — preserva a memória de Abraão, o Khalil Allah, pois esta porta se conecta à estrada que conduz a Hebrom, onde repousa o patriarca. Esta porta é a principal da cidade velha, pois dá acesso rápido ao mercado árabe e ao Museu da Torre de Davi que está bem ao lado. Desde a Antiguidade, esta porta representa entrada, provisão, aliança e promessa cumprida.

Porta de Sião

Seguindo ao sul, a muralha conduz à Porta de Sião, em hebraico שַׁעַר צִיּוֹן (Sha’ar Tzion), em árabe باب النبي داود (Bab an-Nabi Dawud), ou seja, Porta do Profeta Davi, e em inglês Zion Gate. Aqui, a cidade recorda sua identidade real. Sião não é apenas um monte; é o símbolo do reinado davídico e do governo divino. Isaías proclamou: “De Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do Senhor” (Isaías 2:3). Esta porta aponta para realeza, aliança e autoridade espiritual. Esta porta dá acesso imediato ao Bairro Judeu dentro da cidade velha. Durante a guerra da independência os judeus foram expulsos por ela e nela podem ser vistas as marcas de balas durante o conflito na Guerra dos Seis Dias.

Porta do Lixo

Pouco adiante está a Porta do Lixo, conhecida em hebraico como שַׁעַר הָאַשְׁפּוֹת (Sha’ar HaAshpot), em árabe باب المغاربة (Bab al-Magharbeh), e em inglês Dung Gate. Esta porta faz alusão a outra porta no período bíblico que ficava no Vale de Hinom, por ali eram removidas as impurezas da cidade, mas o nome atual está relacionado com a retirada do lixo da cidade velha até a conquista da cidade por Israel durante a Guerra dos Seis Dia. Neemias a menciona a antiga porta do lixo durante a reconstrução das muralhas (Neemias 2:13) e muitos pensam se tratar da mesma porta, mas a verdade é que não. Mesmo assim, podemos aprender que espiritualmente, esta porta ensina que não existe restauração sem purificação, nem santidade sem arrependimento.

Porta Dourada

Ao contornar a muralha oriental, surge a mais enigmática de todas: a Porta Oriental, também chamada Porta Dourada. Em hebraico, שַׁעַר הָרַחֲמִים (Sha’ar HaRachamim), a Porta da Misericórdia; em árabe, باب الرحمة (Bab ar-Rahma); em inglês, Golden Gate ou Eastern Gate. Ela permanece selada desde o século XVI. O profeta Ezequiel declarou: “Esta porta permanecerá fechada… porque o Senhor, o Deus de Israel, entrou por ela” (Ezequiel 44:2). Voltada para o Monte das Oliveiras — local associado à vinda do Messias (Zacarias 14:4). Porém, não há nenhum texto explícito dizendo que o Messias deveria ou deverá passar por ela. O fato é que Yeshua, há cerca de 2000 anos atrás, costumava passar por ali. Indícios da porta original foram descobertos debaixo da porta atual, e de acordo com Ezequiel, ela ficava exatamente em frente ao Templo, portanto, o Domo da Rocha não seria a localização exata do templo que ficava atrás dela. Esta porta não fala apenas do passado, mas também do futuro redentor.

Porta dos Leões

Seguindo para o norte, encontra-se a Porta dos Leões, em hebraico שַׁעַר הָאֲרָיוֹת (Sha’ar HaAriót), em árabe باب الأسباط (Bab a-Sahra), e em inglês Lions’ Gate. Pela tradição cristã, é por aqui que começa a Via Dolorosa. No passado, as pessoas confundiram os leopardos esculpidos na fachada com leões, juntando-se a uma lenda de que um casal de leões foi visto saindo da cidade. Mas o fato é que estes leopardos são um símbolo muito conhecido do conquistador Baibars, que tomou Jerusalém no século XIII. Os leopardos são espólio de algum prédio construído por ele e foram colocados na porta como elemento decorativo. O nome árabe evoca as Doze Tribos de Israel, enquanto os leopardos esculpidos remetem à realeza messiânica: “Judá é um leãozinho” (Gênesis 49:9). Há uma tradição cristã que aponta para esta porta da cidade como sendo o local onde Estevão fora apedrejado. Outra tradição aponta para a Porta de Damasco. Esta é uma porta marcada por sofrimento, autoridade e redenção.

Porta de Herodes

Continuando a caminha rumo ao norte, segue-se a mais discreta de todas. A Porta de Herodes, em hebraico שַׁעַר הַפְּרָחִים (Sha’ar HaPrakhim) significa Porta das Flores. Em árabe باب الساهرة (Bab a-Sahara) que significa Porta dos que caminham de noite, e em inglês Herod’s Gate. Esta porta da acesso interno ao Bairro Muçulmano na Cidade Velha, o visitante desavisado pode acabar se perdendo nas vielas a seguir. Apesar do nome inglês, Herodes não a construiu. O nome hebraico — Porta das Flores — lembra um mercado de flores que havia no local muitos anos atrás, além de lembrar os ornamentos do Segundo Templo e a fragilidade humana descrita pelos profetas: “Toda carne é erva, e toda a sua glória como a flor do campo” (Isaías 40:6).

Porta de Damasco

Seguindo em direção ao noroeste, ergue-se a mais imponente de todas as portas da cidade velha. A Porta de Damasco é chamada em hebraico שַׁעַר שְׁכֶם (Sha’ar Shechem) por dar acesso ao antigo caminho que conectava a cidade com a capital da Síria. Em árabe ela se chama باب العامود (Bab al-Amud) por que no local, durante o período bizantino e islâmico precoce, aqui ficava uma praça, construída por Adriano no século II. O nome árabe preserva a memória de uma coluna romana que existiu na praça interna. O nome hebraico aponta para Siquém, local bíblico de alianças e decisões espirituais (Josué 24). Em inglês Damascus Gate, na tradição cristã, é por aqui que Paulo segue em direção a Damasco e se encontra com Jesus antes de chegar a capital da Síria. Do lado de fora a esquerda, ainda pode ser vista uma das três aberturas do grande portal romano que existia neste local. Esta porta simboliza escolha, confronto e renovação de pacto.

Porta Nova

A última porta aberta é a Porta Nova, chamada em hebraico שַׁעַר הַחָדָשׁ (Sha’ar HaChadash), ou seja, Porta Nova. Em árabe الباب الجديد (Al-Bab al-Hamid) ela homenagem o Sultão Otomano que permitiu sua abertura Abdul Al-Hamid, e em inglês New Gate segue com o mesmo significado do Hebraico e em português. A Porta Nova é a entrada mais recente nas muralhas da Cidade Velha de Jerusalém, construída em 1889 durante o domínio otomano para facilitar o acesso ao Bairro Cristão. Localizada no lado noroeste, simboliza a modernização e conexão entre a cidade antiga e os novos bairros. Ela lembra que Jerusalém, embora antiga, continua viva e se renova a cada dia. “Eis que faço novas todas as coisas” (Apocalipse 21:5).

Portas Seladas

Mas Jerusalém também ensina por meio de suas portas seladas, que não se pode atravessar mais. No lado sul do Monte do Templo estão as antigas Portas de Hulda. A Porta Dupla (Double Gate) e a Porta Tripla (Triple Gate), em hebraico שַׁעֲרֵי חֻלְדָּה (Sha’arei Hulda), eram as principais e mais monumentais entradas usadas por peregrinos no período do Segundo Templo. Hoje permanecem seladas, aguardando sua restauração, lembrando-nos o profeta Isaías: “Subamos ao monte do Senhor” (Isaías 2:3).

Nos níveis subterrâneos temos algumas portas também. Com por exemplo a Porta de Warren e a Porta de Barclay, descobertas por arqueólogos no século XIX, revelam acessos do período de Herodes o Grande, que davam acesso para os sacerdotes ao Monte do Templo. Embora invisíveis em sua maioria, elas testemunham um tempo em que o culto moldava a vida da cidade. O salmista declarou: “Este é o portão do Senhor; os justos entrarão por ele” (Salmos 118:20).

Conclusão

Assim, Jerusalém permanece entre portas abertas e portas fechadas, proclamando que a história ainda não terminou. Portas abertas convidam à entrada. Portas fechadas ensinam a esperar. Todas, sem exceção, apontam para o dia em que o Grande Rei entrará — não por força humana, mas por direito eterno.

E enquanto isso, Jerusalém continua ali, silenciosa e eloquente, testemunhando por meio de suas portas aquilo que as palavras humanas jamais conseguiram conter.

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