O prefeito de Nova Iorque, Zohran Mamdani, participou de uma celebração de Sucot em Brooklyn organizada por Devorah Halberstam, ativista da comunidade Chabad e presidente da comissão municipal de combate ao antissemitismo. Durante o evento, Mamdani concedeu entrevista ao jornal israelense Israel Hayom e afirmou que sua administração “combaterá todas as formas de antissemitismo”, mas rejeitou a necessidade de adotar uma definição formal do fenômeno. A declaração ocorreu poucas horas depois de o prefeito apresentar um plano municipal abrangente para enfrentar o ódio contra judeus, que inclui recursos financeiros para segurança, educação e prevenção de crimes de ódio, mas que deliberadamente não incorpora a definição da Aliança Internacional para a Recordação do Holocausto (IHRA) nem menciona o anti‑sionismo como forma de antissemitismo.
A estratégia de Mamdadi destina US$ 6,4 milhões a subsídios de prevenção de ódio para organizações comunitárias – o dobro do valor anterior – e acrescenta US$ 1 milhão para reforçar a segurança de sinagogas e outros locais de culto. Também amplia programas educativos sobre o Holocausto e a história judaica, cria apoio a vítimas e revê uma equipe interagências responsável pela proteção de instituições judaicas. Além disso, o plano prevê investimentos em um memorial do Holocausto no Queens e em um centro cultural judeu em Brooklyn. Apesar da amplitude das medidas, o documento não contém uma definição clara de antissemitismo nem esclarece quando o anti‑sionismo ultrapassa o limite para o ódio contra judeus, ponto que diverge da posição adotada por dezenas de países que seguem a definição da IHRA, a qual considera, por exemplo, a negação do direito de autodeterminação do povo judeu como discurso antissimita.
A entrevista foi marcada por questionamentos incisivos do repórter Or Shaked, que indagou se a estratégia cobriria “todas as formas de antissemitismo”. Mamdani respondeu afirmativamente, mas sustentou que “não precisamos de uma definição específica”. Quando pressionado, o prefeito encaminhou o jornalista a Phylisa Wisdom, diretora executiva da secretaria municipal de combate ao antissemitismo, e ao secretário de imprensa Sam Raskin, que ainda não se manifestaram.
O evento contou com a presença de figuras de destaque, como a governadora de Nova Iorque, Kathy Hochul, o comissário da NYPD, Jessica Tisch, e a presidente da Câmara Municipal, Julie Menin. Contudo, também houve protestos nas proximidades, com manifestantes xingando o prefeito ao chegar. A governadora Hochul aproveitou a ocasião para reafirmar seu compromisso de proteger a comunidade judaica, descrevendo o aumento do antissemitismo como “deprimente” e enfatizando que Nova Iorque abriga a maior população judaica fora de Israel.
O plano de Mamdadi surge em um contexto de escalada de incidentes antijudaicos: nos primeiros sete meses de 2026, os crimes de ódio contra judeus cresceram 8,5 % em relação ao ano anterior, e em 2025 os judeus representaram 57 % de todas as ocorrências de crimes de ódio na cidade. Quando assumiu o cargo, Mamdani revogou uma ordem do seu predecessor, Eric Adams, que havia adotado a definição da IHRA. A nova proposta, embora robusta em recursos, deixa em aberto a questão de quando o discurso anti‑sionista deve ser enquadrado como antissemitismo, o que pode gerar críticas de grupos de direitos humanos e de comunidades judaicas que defendem uma definição mais clara para facilitar a aplicação da lei e a prevenção de ataques. As próximas semanas deverão revelar como a administração municipal responderá às pressões internas e externas para alinhar sua política à norma internacionalmente reconhecida.
📖 Perspectiva Bíblica
“Pedi a paz de Jerusalém; prosperem aqueles que te amam.” (Salmos 122:6)
Fonte original: Mamdani to Israel Hayom: We will combat all forms of antisemitism — Israel Hayom
