A retirada definitiva das forças militares dos Estados Unidos do Iraque foi celebrada por amplas manifestações populares e por desfiles militares nas principais cidades do país, marcando um ponto de inflexão na presença norte‑americana na região desde a invasão de 2003. O presidente do Conselho de Ministros, Mohammed Shia al‑Sudani, aproveitou a ocasião para enfatizar que o governo iraquiano assumirá integralmente a responsabilidade pela segurança nacional, embora tenha reconhecido que a luta contra o terrorismo permanece uma prioridade inalterada. Em pronunciamento oficial, al‑Sudani agradeceu ao exército estadunidense pelos “esforços de estabilização” realizados ao longo de quase duas décadas, mas sublinhou que o Iraque agora possui as capacidades necessárias para proteger suas fronteiras, controlar o território e impedir a ressurgência de grupos extremistas.
A retirada foi concluída em duas fases: a primeira, anunciada em 2020, reduziu o contingente a cerca de 2.500 militares; a segunda, finalizada em junho de 2024, levou embora os últimos 900 soldados, que estavam concentrados principalmente em bases de apoio logístico e em missões de treinamento. As imagens transmitidas pela televisão mostraram veículos militares americanos sendo carregados em caminhões iraquianos, enquanto multidões entoavam hinos nacionais e agitavam bandeiras nas avenidas de Bagdá, Basra e Erbil. O clima festivo foi acompanhado por discursos de autoridades locais que destacaram a soberania irrefreável do Estado e a esperança de que a retirada impulsione um novo ciclo de desenvolvimento econômico e de reconstrução de infraestruturas devastadas pelos conflitos.
Entretanto, apesar do otimismo popular, especialistas em segurança apontam que a partida dos EUA deixa lacunas que poderão ser preenchidas por milícias xiitas, como os Hashd al‑Shaabi (Forças de Mobilização Popular), e por facções remanescentes do Estado Islâmico (EI). O governo iraquiano tem buscado equilibrar o apoio a essas milícias, que desempenham papel crucial na luta contra o EI, com a necessidade de manter o controle civil sobre as forças armadas. A preocupação de Washington reside no risco de que grupos armados não alinhados com o Estado possam ganhar autonomia, ameaçando a estabilidade interna e a segurança regional. Para mitigar esses riscos, o Departamento de Defesa dos EUA afirmou que continuará oferecendo treinamento especializado e apoio de inteligência a forças iraquianas selecionadas, bem como assistência em contrainsurgência, embora em escala reduzida e sob forma de “parcerias direcionadas”.
A comunidade internacional reagiu com cautela. Enquanto países europeus elogiaram a soberania iraquiana e a redução da presença militar ocidental, a Rússia e o Irã viram na retirada uma oportunidade para ampliar sua influência diplomática e militar no país. O Irã, em particular, tem mantido laços estreitos com grupos xiitas e pode buscar consolidar seu papel como principal parceiro de segurança do Iraque, o que gera apreensão em Washington e em aliados regionais como a Arábia Saudita. Por outro lado, o governo iraquiano tem enfatizado que continuará cooperando com todos os parceiros, inclusive os EUA, para garantir que a luta contra o EI não ressurgirá em áreas vulneráveis, como o norte do país, onde a presença de milícias curdas ainda é significativa.
Em termos de implicações estratégicas, a retirada completa dos EUA pode redefinir o equilíbrio de poder no Oriente Médio. A diminuição da presença militar americana reduz a capacidade de projeção de força dos EUA na região, ao mesmo tempo em que pressiona o governo iraquiano a provar sua competência em segurança interna. Caso o Iraque consiga manter a ordem e impedir a volta do EI, poderá servir de modelo para outras nações que buscam transitar de uma dependência externa para uma autonomia plena. Contudo, se milícias não controladas ganharem terreno ou se o EI conseguir se reorganizar, o cenário poderia se deteriorar rapidamente, alimentando um ciclo de violência que comprometeria tanto a estabilidade iraquiana quanto os interesses estratégicos dos Estados Unidos e de seus aliados.
📖 Perspectiva Bíblica
“Então o Senhor vos libertará do jugo dos vossos inimigos, e vos entregará a paz.” (Isaías 26:20)
Fonte original: Iraqis celebrate final US troop withdrawal as government takes charge of security — Times of Israel
