As novas sanções americanas, anunciadas pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent, na segunda‑feira, intensificam a pressão sobre a economia iraniana e têm repercussão imediata no setor aéreo. A partir de quarta‑feira, várias companhias internacionais – entre elas grandes operadores europeus e norte‑americanos – cancelaram voos que partiam do Irã, obedecendo à ameaça dos EUA de colocar na lista negra qualquer entidade que ofereça serviços ou realize transações com a indústria de viagens iraniana. A medida afeta tanto companhias estrangeiras quanto a própria Mahan Air, principal transportadora do país, que viu rotas para Azerbaijão, Geórgia, Catar, Muscat e Bagdá serem totalmente interrompidas.
As ligações com a China permaneceram em funcionamento, assim como alguns voos para a Turquia e para Cabul, embora haja relatos de que a Turkish Airlines, maior companhia turca, tenha retirado a Mahan Air de seus horários, mas que outras companhias menores ainda operem entre Istambul e Teerã. Essa diferença indica que a Turquia pode estar tentando equilibrar a necessidade de manter algum contato aéreo com o Irã contra a pressão de Washington. Enquanto isso, a China manifestou forte repúdio às sanções, qualificando‑as de ilegais e mantendo voos regulares entre Teerã e cidades chinesas como Guangzhou e Xangai. O posicionamento chinês reflete sua política de não reconhecer as sanções impostas durante a administração Trump, sobretudo porque Pequim ainda depende do petróleo iraniano para suprir sua demanda energética.
A ameaça dos EUA não se limita ao fornecimento de combustível ou serviços de pouso; a restrição inclui a proibição de vender passagens e de oferecer qualquer apoio logístico a aeronaves que utilizem aeroportos iranianos, sob pena de sanções secundárias que poderiam excluir as empresas do sistema financeiro em dólares. Essa estratégia visa criar um “D‑Day econômico” para o Irã, pressionando o país a ceder diante de quase sete meses de conflito, conforme declarado pelos próprios oficiais americanos. Contudo, a eficácia da medida ainda é incerta. O monitoramento da FlightRadar24 mostrou que, apesar das restrições vigentes a partir de 23 de setembro, um avião da Mahan Air conseguiu aterrissar em Guangzhou, indicando que nem todos os voos foram imediatamente bloqueados e que há lacunas na aplicação das sanções.
As implicações são múltiplas. No curto prazo, a interrupção de rotas críticas prejudica o turismo, o comércio e a mobilidade de cidadãos iranianos, agravando a já severa crise econômica. No âmbito diplomático, a decisão reforça a divisão entre os aliados dos EUA e países que ainda mantêm relações comerciais com Teerã, como a China e, em certa medida, a Turquia. A reação chinesa pode sinalizar uma maior disposição de Pequim em desafiar a política americana, sobretudo se o Irã continuar sendo um fornecedor de energia vital. Para as companhias aéreas internacionais, a situação cria um dilema de risco: obedecer às sanções e perder receitas de rotas lucrativas ou arriscar sanções secundárias que poderiam comprometer seu acesso ao mercado financeiro global.
Em síntese, as sanções americanas ampliam o cerco econômico ao Irã, atingindo diretamente o setor de aviação e provocando cancelamentos massivos de voos. Enquanto alguns destinos, sobretudo na Ásia, permanecem operacionais graças ao apoio chinês, a maioria das rotas regionais foi suspensa, gerando pressão sobre o governo iraniano e testando a coesão da comunidade internacional diante de uma política de isolamento cada vez mais rigorosa. O desenrolar desses eventos será decisivo para avaliar se a estratégia de “pressão total” dos EUA conseguirá alcançar seus objetivos políticos ou se, ao contrário, aprofundará ainda mais o fosso entre Washington e seus adversários estratégicos.
📖 Perspectiva Bíblica
“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.” (Salmos 46:1)
Fonte original: Massive flight cancellations hit Iran amid expanded American sanctions — Israel Hayom
