Novos entendimentos revelados na Arqueologia Bíblica A palavra “Gilgal” aparece 39 vezes na Bíblia, e em diversas dessas menções, parece se referir a um local de adoração, especialmente no Vale do Jordão, como descrito no livro de Josué. Por exemplo, em Josué 4:19-20, Gilgal é descrito como um lugar de memorial e de encontro para o povo de Israel após atravessar o Jordão:Referência: Josué 4:19-20 – “Subiu, pois, o povo do Jordão no décimo dia do primeiro mês, e alojaram-se em Gilgal, do lado oriental de Jericó. E aquelas doze pedras, que tinham tomado do Jordão, Josué levantou-as em Gilgal.” (Almeida) No entanto, em outros livros como Juízes e 1 Samuel, Gilgal é associado a outras regiões. No livro de Juízes (capítulo 3), o lugar aparece como um ponto de referência importante para o povo de Israel em diferentes contextos:Referência: Juízes 3:19 – “Mas ele, tendo virado atrás de Gilgal, disse aos servos: Fica de pé aqui, e eu voltarei a ti.” (Almeida) No livro de Amós, Gilgal parece ser referenciado como uma localidade de adoração nas regiões montanhosas de Efraim ou Manassés, possivelmente na Samaria. Em Amós 4:4, o profeta faz uma crítica aos israelitas que continuam em seus cultos e festividades religiosas, mas sem a verdadeira obediência a Deus:Referência: Amós 4:4 – “Vinde a Betel, e transgridam; a Gilgal, e multipliquem as transgressões; e levem de manhã os vossos sacrifícios, e de três em três dias os vossos dízimos.” (Almeida) Esse conceito de Gilgal como um local de adoração e transgressão é reforçado na crítica ao povo de Israel que, apesar de praticar rituais, não estava cumprindo com sua verdadeira responsabilidade espiritual. No livro de Josué, Gilgal é especialmente significativo, pois foi onde o povo de Israel se estabeleceu após a travessia do Jordão. É aqui que Deus declara, por meio de Josué, a remoção do opróbrio do Egito (Josué 5:9), o que simboliza o início da posse da terra prometida.Referência: Josué 5:9 – “Disse o Senhor a Josué: Hoje removi de vós o opróbrio do Egito. Por isso, o nome daquele lugar se chamou Gilgal, até o dia de hoje.” (Almeida) Por mais de 30 anos, durante as décadas de 70, 80 e 90, o renomado professor e arqueólogo Adam Zertal realizou uma das pesquisas científicas mais extensas já realizadas na Terra de Israel. Ele, como professor de arqueologia na Universidade de Haifa, dedicou-se a percorrer metro por metro a região montanhosa de Samaria. Zertal foi fundamental para trazer à tona novas informações sobre o contexto histórico e arqueológico do antigo Israel. Quando encontrei o trabalho de Zertal, há cerca de 20 anos, fiquei impressionado com a descoberta de algo que poderia ser o altar de Josué sobre o Monte Ebal, uma localização que estava diretamente ligada à história da conquista de Canaã. Em Josué 8:30-31, lemos que Josué, após a vitória sobre Ai, construiu um altar ao Senhor no Monte Ebal:Referência: Josué 8:30-31 – “Então Josué edificou um altar ao Senhor, Deus de Israel, no monte Ebal, como Moisés, servo do Senhor, tinha ordenado aos filhos de Israel, como está escrito no livro da lei de Moisés, um altar de pedras, sobre as quais ninguém alçou ferro; e ofereceram sobre ele holocaustos ao Senhor, e sacrificaram pacificações.” (Almeida) Segundo Adam Zertal, uma grande construção encontrada sobre o Monte Ebal pode ser identificada como o altar de Josué, que foi ampliado cerca de 100 anos depois, possivelmente sob a direção de Débora, conforme sugerido em Juízes 4:4, onde Débora é descrita como uma profetisa e líder de Israel:Referência: Juízes 4:4 – “E Débora, profetisa, mulher de Lapidote, julgava a Israel naquele tempo.” (Almeida) As descobertas de Zertal acenderam uma grande curiosidade em mim, despertando uma ânsia por entender como a ciência tem revelado a autenticidade das Escrituras. Desde aquele momento, minha busca por mais conhecimento e atualização nesse campo nunca cessou, e me sinto compelido a divulgar essas informações preciosas. A descoberta do altar, por si só, foi uma das mais impressionantes realizadas no século XX, pois trouxe à tona evidências de um altar que remonta a mais de 3100 anos atrás, o que é, sem dúvida, um grande milagre. A longo prazo, isso valida a narrativa bíblica sobre o estabelecimento do culto a Deus pelos israelitas em Canaã. Este artigo tem como objetivo ir além de simplesmente revelar os resultados das pesquisas do professor Adam Zertal. A intenção também é compartilhar com você algumas das riquezas espirituais reveladas por meio do estudo dedicado deste homem, que consagrou sua vida à investigação de uma região tão rica em história, geografia, arqueologia e, acima de tudo, acontecimentos espirituais. Tais descobertas nos mostram a fidelidade de Deus ao Seu povo e o cumprimento das promessas de posse e bênçãos registradas na Bíblia. Como está escrito em Deuteronômio 11:24, “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, será vosso”, algo que continua a ser celebrado e confirmado por cada descoberta arqueológica.Referência: Deuteronômio 11:24 – “Todo lugar que pisar a planta do vosso pé, será vosso; desde o deserto, e o Líbano, desde o rio Eufrates, até o mar ocidental será o vosso termo.” (Almeida) Gilgal não era apenas um local de adoração Gilgal não era apenas um local de adoração, mas, pelo visto, havia pelo menos 7 setores como esse ao longo das duas descobertas de Adam Zertal. Como não estamos focados na questão arqueológica, e sim nos princípios espirituais revelados por meio de sua pesquisa, não entrarei em detalhes sobre todos os setores, mas me concentrarei em dois principais. O primeiro, e único em seu tipo, é o setor de adoração sobre o Monte Ebal, onde o altar de Josué e da profetisa Débora foram encontrados. Este altar foi o local onde, conforme descrito em Josué 8:30-31, o povo de Israel realizou sacrifícios a Deus depois da vitória sobre a cidade de Ai:Referência: Josué 8:30-31 – “Então Josué edificou um altar ao Senhor, Deus de Israel, no monte Ebal, como Moisés, servo do Senhor, tinha ordenado aos
