Na madrugada de 18 de agosto de 2026 (terça-feira), Israel realizou ataques aéreos contra a base aérea militar de Abu al-Duhur (também chamada Abu Duhur), na província de Idlib, no noroeste da Síria, a cerca de 70 km da fronteira com a Turquia.
Detalhes do ataque
- A televisão estatal síria (Ekhbariya) informou, citando fonte militar, que aviões israelenses efetuaram oito ataques contra a pista de pouso e instalações de armazenamento da base.
- Houve danos materiais à infraestrutura (pista recentemente reformada e hangares), mas nenhuma vítima foi registrada (confirmado por fonte militar e civil local).
- A base estava fora de serviço como aeródromo militar desde cerca de 2013, mudou de mãos várias vezes na guerra civil e, após a queda de Bashar al-Assad em dezembro de 2024, passou a ser usada como centro de treinamento do novo exército sírio sob o presidente Ahmed al-Sharaa. Relatos indicam visita recente de uma delegação militar turca ao local, no contexto de esforços de reativação.
Israel inicialmente não comentou (houve até censura militar sobre confirmação), mas no final do dia 18 o gabinete do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu assumiu responsabilidade de forma indireta e depois clara.
Explicação oficial de Israel
O gabinete de Netanyahu publicou declaração em inglês no X (Twitter):
“Israel e a Síria concordaram em manter o status quo em questões de segurança, que a Síria estava prestes a violar ao permitir que tropas turcas se implantassem em uma base aérea perto de Aleppo.
Israel alertou repetidamente a Síria de que tal implantação representaria uma ameaça à segurança de Israel. A Síria optou por ignorar esses avisos.
Israel não tolerará ameaças à sua segurança e receberia de bom grado um retorno ao status quo.”
Fontes israelenses adicionais (incluindo a um jornalista do Axios e ao Jerusalem Post) disseram que:
- Israel compartilhou inteligência “altamente sensível” com os EUA com antecedência (em níveis seniores).
- O objetivo era impedir um reforço militar turco (incluindo possível envio de sistemas de armas sofisticados) e evitar que a base se transformasse em ponto de presença turca permanente ou de reconstrução da capacidade aérea síria.
- Houve tentativas de diálogo indireto com Damasco que fracassaram.
Analistas interpretam o ataque também como mensagem mais ampla: impedir a reconstrução da Força Aérea síria e limitar a influência turca na Síria pós-Assad.
Repercussões
Síria
- Condenou o ataque como “ato de agressão injustificado” e “violação flagrante da soberania e integridade territorial”.
- Afirmou que os ataques contínuos de Israel desde a queda do regime anterior minam esforços de estabilização.
- Enviou cartas à ONU e ao Conselho de Segurança denunciando os ataques.
- No dia seguinte (19/08), forças israelenses também realizaram incursão na província de Quneitra (sul), sequestrando duas pessoas, segundo a TV estatal síria.
Estados Unidos
- O enviado especial para Síria e Iraque (e embaixador na Turquia), Tom Barrack, emitiu rara condenação pública:
“Estamos profundamente preocupados com o fato de que os ataques aéreos israelenses confirmados na Base Aérea de Abu al-Duhur constituem uma escalada desnecessária que não promove a estabilidade regional.” - Destacou que o governo de al-Sharaa não adota postura predatória nem mantém forças proxy e prefere a desescalada.
- Alertou que o ataque correu risco real de escalada militar direta com a Turquia (os turcos não foram avisados e poderiam ter scrambleado jatos).
- Houve frustração no governo Trump com Netanyahu; alguns oficiais americanos vinculam o timing às eleições israelenses de outubro.
Turquia
- Condenou fortemente os ataques como violação da soberania síria.
- Rejeitou as alegações israelenses como “infundadas”, “frívolas” e pretexto para legitimar agressão.
- Acusou Netanyahu de políticas “expansionistas e desestabilizadoras” com vistas às eleições.
- Afirmou que continuará cooperando legitimamente com o governo sírio e não permitirá a desestabilização da Síria. Fonte turca disse ao Axios que não havia presença militar turca na base.
ONU e outros
- Porta-voz da ONU (Stéphane Dujarric) classificou como “violação muito preocupante da integridade territorial e do espaço aéreo da Síria” e pediu o fim dos ataques.
- Jordânia e Paquistão também condenaram.
A repercussão nos jornais regionais
A manchete dizia: “Aviões de guerra israelenses bombardearam um aeroporto militar em Idlib – a apenas 55 km da fronteira com a Turquia. O aeroporto destina-se à instalação de radares e sistemas de defesa aérea – portanto, (os israelenses) realizaram uma provocação de guerra.” No entanto, apesar do tom agressivo, as declarações não receberam destaque especial e foram praticamente ofuscadas por outras reportagens.
O “Observador de Inteligência do Egito”, uma conta vinculada ao X que trata de assuntos de inteligência, publicou imagens de satélite mostrando os esforços de reconstrução em andamento no aeroporto atacado por Israel. A conta vinculada ao X também relatou que, ao longo do tempo, foi possível observar a reconstrução da pista e das vias de circulação de aeronaves. Segundo a conta vinculada ao X, a atividade sugere a intenção de retomar as operações na base, possivelmente com apoio turco ou como parte de um futuro destacamento turco em solo sírio.
O jornal “Türkiye” atribuiu o ataque israelense à ascensão da Turquia no cenário internacional. O jornal escreveu, entre outras coisas: “A conversa entre Erdogan e Trump enfureceu Israel, que está cometendo genocídio. Erdogan e Trump chegaram a um acordo para resolver a crise no Irã e a paz em Gaza. Netanyahu, que entrou em pânico após as decisões tomadas na conversa, atacou a Síria logo em seguida.” O jornal “SABAH” também elogiou o presidente turco e escreveu, em relação às conversas entre Erdogan e Trump, que “a Turquia é a nova arquiteta do Oriente Médio”.
O jornal “Cumhuriyet” buscou destacar a disputa entre os Estados Unidos e Israel sobre a questão dos ataques aéreos na Síria. Nesse contexto, escreveu: “O ataque foi realizado em paralelo ao apelo do enviado dos EUA para o Oriente Médio, Tom Barak, por ‘moderação'”. Enquanto isso, em meio às tensões regionais, a Turquia anunciou hoje que está pronta para trabalhar com as autoridades de Damasco na exploração de petróleo e gás na Síria. O ministro da Energia turco, Alfersalen Bayraktar, afirmou hoje, em uma coletiva de imprensa com seu homólogo sírio, Mohammed al-Bashir, que a estatal Turkish Petroleum Corporation (TPAO) e empresas privadas estão prontas para realizar levantamentos sísmicos e perfurações em terra e no mar. Ao mesmo tempo, a Turquia e a Síria colocarão em operação em breve uma nova infraestrutura elétrica, triplicando a capacidade de transmissão de energia para a Síria.
O Chefe do Estado-Maior Conjunto dos EUA, General Dan Kaine, conversou por telefone hoje (quarta-feira) com o Chefe do Estado-Maior General da Turquia, General Selçuk Bayraktarulu, cerca de dois dias após o ataque à Base Aérea de Abu al-Duhur, no noroeste da Síria, a cerca de 70 km da fronteira turca. O ataque e as tensões entre Israel e Turquia foram manchete nos jornais de Ancara e Istambul hoje.
Contexto mais amplo
Desde a queda de Assad (dezembro de 2024), Israel intensificou operações na Síria (centenas de ataques), mantém zona-tampão no sul e se opõe a qualquer reforço militar sírio ou presença turca que considere ameaça. Há conversas indiretas sobre acordo de segurança entre Israel e a nova Síria (com mediação americana), mas as tensões persistem, especialmente com a Turquia (aliada de Damasco e parceira dos EUA). O ataque de Abu al-Duhur foi o primeiro contra ativos do governo sírio atual desde março de 2026 e expôs divergências entre Washington, Tel Aviv e Ancara.
As informações estão atualizadas até 19 de agosto de 2026. A situação permanece fluida.
Declaração do Chefe do Estado Maior de Israel
Um dia após o ataque extraordinário da força aérea a uma base do exército sírio, onde, segundo o gabinete do primeiro-ministro, forças turcas deveriam estar posicionadas, o chefe do Estado-Maior, tenente-general Eyal Zamir, visitou território sírio nesta quarta-feira e declarou: “Não permitiremos que forças hostis se estabeleçam dentro de nossas fronteiras.
Operamos em uma realidade multifacetada, onde os desafios estão em constante mudança e evolução, sendo o cenário sírio um deles. Observamos o que está acontecendo e acompanhamos as mudanças na frente síria – e devemos nos preparar adequadamente para elas. Não permitiremos que forças hostis se estabeleçam em nossas fronteiras e saberemos usar nosso poder precisamente onde e quando necessário. Devemos prevenir o desenvolvimento de ameaças terroristas e, ao mesmo tempo, impedir o surgimento de uma ameaça militar significativa em nossas fronteiras. Na Síria, também, criamos uma zona de defesa avançada que constitui uma área de proteção em frente aos assentamentos onde nossas forças operam”.
