A crise na fronteira israelo-libanesa está se tornando um ponto de tensão significativo no desgaste das relações entre Israel e os EUA, especialmente em relação às negociações com o Irã. O acordo de marco assinado na semana passada entre os EUA e o Irã estabeleceu o cenário para a aliança entre o Irã e o Hezbollah, tornando a Líbano o principal ponto de encontro para qualquer negociação ou acordo futuro. A conduta do Irã nos primeiros dias de reuniões, que totalizam 60, não surpreendeu ninguém, considerando os sinais de alerta dados nas últimas semanas. O Irã aplicou pressão, consolidou sua posição e até conseguiu que a trégua na Líbano fosse uma condição para a assinatura do acordo de marco.
A pressão exercida pelos EUA e pelo presidente Donald Trump sobre Israel, em relação à Líbano e ao Hezbollah, alcança até a capital iraniana. O Irã identificou os pontos de pressão e o desgaste entre os EUA e Israel, e está explorando a situação para maximizar seus interesses: fortalecer a aliança xiita e preservar o Hezbollah. O Irã enxerga um papel importante para o Hezbollah no futuro e já provou que está jogando um jogo de longo prazo. Israel se encontra entre a cruz e a caldeira, entre sua aliança com e compromisso com os EUA e seus interesses de segurança nacional.
A questão é que não há uma trégua real na Líbano. O Hezbollah continua a atacar as tropas israelenses na zona de segurança todos os dias. Do ponto de vista do Irã e do Hezbollah, o acordo de marco exige a retirada israelense, enquanto Israel mantém a posição devido a razões de segurança justificadas. Israel está limitado em sua capacidade de resposta e, como resultado, permanecer na zona de segurança está se tornando uma missão quase impossível para as forças militares, cujos soldados estão se tornando cada vez mais vulneráveis.
A situação pode ser alterada a partir do momento em que Israel acelere as negociações com o governo libanês até que sejam alcançados acordos rápidos que permitam ação militar real na Líbano meridional. Essa medida pode produzir dois resultados possíveis: deslocar o foco dos ataques do IDF para as forças armadas libanesas, com o risco de instabilidade interna que afetaria negativamente Israel, ou permitir que o governo libanês, em um processo que levará tempo, fortaleça significativamente o Hezbollah dentro do país. Outra opção é que Israel continue a manter a zona de segurança na Líbano meridional, com o consentimento dos EUA e do governo libanês, e devolva áreas às forças armadas libanesas apenas quando estiverem prontas para assumir o controle, enquanto se alcançam entendimentos sobre o alcance razoável de resposta que permita às forças israelenses atuar com flexibilidade.
📖 Perspectiva Bíblica
“Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal.” (Jeremias 29:11)
Fonte original: Lebanon emerges as flashpoint in Israel-US rift over Iran talks — Israel Hayom
