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Será que Hamas vai entregar as armas ou é mais um blefe?

Hamas planeja dissolver seu governo de facto em Gaza para abrir caminho a comitê de tecnocratas

De acordo com um relatório publicado pelo jornal saudita Al-Sharq Al-Awsat, a liderança do Hamas pretende anunciar nesta segunda-feira (6 de julho de 2026) a dissolução da “Comissão de Monitoramento do Trabalho Governamental”, o órgão que funciona como governo de facto na Faixa de Gaza há quase 20 anos. A medida visa facilitar a entrada de uma comissão de tecnocratas palestinos, cuja implementação tem enfrentado obstáculos significativos.

Contexto da decisão

A comissão de tecnocratas, também chamada de “Comissão Nacional para a Gestão de Gaza”, foi concebida como parte da segunda fase do plano de 20 pontos elaborado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para encerrar o conflito na região. Liderada por Ali Shaath, a comissão é composta por profissionais com ligações à Autoridade Palestina, mas sem forte filiação política explícita. Seu objetivo é gerir assuntos civis cotidianos — como infraestrutura, saúde, educação e serviços públicos — durante um período de transição, substituindo o controle direto do Hamas.

Segundo fontes palestinas, a entrada efetiva dessa comissão ainda não foi possível, em grande parte devido a restrições impostas por Israel. A dissolução anunciada pelo Hamas seria um gesto para remover um dos principais entraves institucionais e permitir o avanço do processo de reconstrução.

Mudanças na posição americana

O anúncio ocorre em um momento delicado das negociações. Na semana passada, o jornalista Nahum Barnea, do Yedioth Ahronoth, revelou que a administração Trump decidiu abandonar a exigência de desarmamento completo do Hamas como condição prévia para a reconstrução de Gaza. Embora o desarmamento fizesse parte do plano inicial de cessar-fogo, os EUA optaram por avançar para a “Fase B”, que prevê retirada gradual de forças israelenses de áreas controladas, entrada de forças internacionais e reconstrução progressiva de bairros residenciais temporários.

O plano prevê um horizonte de até 10 anos para a reconstrução completa, priorizando inicialmente moradias temporárias em vez de grandes projetos urbanos. Paralelamente, foi criada em janeiro de 2026 a “Conselho da Paz” — um órgão internacional de supervisão que inclui líderes mundiais e deve monitorar o processo de reconstrução, desarmamento parcial e formação de novas instituições civis, sem assumir diretamente a administração diária da Faixa.

Desafios persistentes

Apesar dos avanços diplomáticos, o Hamas continua a impor dificuldades ao processo de desarmamento. Fontes indicam que novas rodadas de conversas devem ocorrer nos próximos dias no Cairo, com a participação de mediadores, para tentar reduzir as diferenças, especialmente em relação ao texto sobre o desarmamento de armas.

A comissão de tecnocratas já enfrenta desafios práticos desde o início: falta de sede fixa, escassez de infraestrutura operacional e necessidade de atuar de forma descentralizada. Sua composição de 15 profissionais foi aprovada por Israel, o que representa um esforço para criar uma governança de transição mais profissional e menos ideológica.

Implicações

Essa movimentação do Hamas pode ser interpretada como uma tentativa de manter influência indireta enquanto formalmente cede espaço a uma administração técnica. Para Israel e os mediadores internacionais, o sucesso dependerá da capacidade real de implementar o controle civil sem que o braço armado do Hamas continue a ditar os rumos da Faixa de Gaza.

O desenvolvimento é acompanhado com atenção pela comunidade internacional, pois representa um possível passo concreto na transição pós-conflito, ainda que frágil e sujeito a retrocessos. O futuro da reconstrução de Gaza continua condicionado ao equilíbrio delicado entre segurança israelense, governança palestina e apoio financeiro e logístico internacional.

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