Mais de 400 personalidades libanesas de diferentes comunidades religiosas e movimentos políticos assinaram a declaração “Um Chamado para Salvar o Líbano”, uma iniciativa da sociedade civil lançada no início do mês. Entre os signatários, estão intelectuais, ativistas e figuras públicas xiitas que, até então, criticavam constantemente o Hezbollah e viam o momento atual como uma oportunidade de formar uma coalizão mais sólida. A iniciativa não foi estabelecida como um partido político ou organização formal. Em vez disso, surgiu como uma declaração pública conjunta contra o cenário de crise econômica prolongada no Líbano, a erosão das instituições estatais e a crescente crítica ao envolvimento do Hezbollah em conflitos regionais. O documento chama para a restauração da soberania líbana, instituições estatais mais fortes, um monopólio estatal exclusivo em armas e uma redução da dependência de interesses estrangeiros. O apoio que recebeu indica que o debate sobre a soberania já não está limitado a um círculo político estreito, mas está se desenvolvendo em um movimento cívico mais amplo. No entanto, a participação xiita na iniciativa deve ser avaliada com cautela. A política libanesa, especialmente dentro da comunidade xiita, já viu tentativas anteriores de criar alternativas ao Hezbollah e ao Amal, o outro grande movimento político xiita do país. Ao longo dos anos, clérigos, intelectuais, jornalistas, ativistas políticos e candidatos independentes buscaram desafiar a percepção de que o Hezbollah representa todos os libaneses xiitas. A comunidade xiita não é monolítica. Ela compreende uma variedade de identidades, lealdades e perspectivas políticas. No entanto, essa diversidade, embora seja uma fonte de riqueza social e intelectual, parece ter tornado mais difícil consolidar um campamento político unificado.
Neste sentido, “Um Chamado para Salvar o Líbano” conseguiu o que iniciativas anteriores falharam. Ele não se apresenta somente como uma iniciativa xiita, nem apresenta sua campanha contra o Hezbollah como uma luta sectária. Em vez disso, coloca a questão como uma questão nacional: quem decide se o Líbano entra em guerra ou faz a paz? Quem controla as armas? Quem negocia em nome do Líbano? E o Estado libanês continua a ser a estrutura suprema para a cidadania e a soberania? A força da iniciativa também reside em sua inclusão de vozes xiitas que rejeitam a ideia de que criticar o Hezbollah significaria traí-lo à sua comunidade. Ao fazer isso, enfraquece um dos principais mecanismos de defesa do Hezbollah: a identificação do grupo com a comunidade xiita como um todo. Quando os xiitas mesmos exigem instituições estatais mais fortes, o fim das decisões unilaterais em guerra e o fim do uso do Líbano como uma frente para conflitos regionais, torna mais difícil apresentar demandas por um monopólio estatal em armas como anti-xiitas.
No entanto, isso é também onde os limites do sucesso da iniciativa se tornam aparentes. Uma declaração, independentemente de seu apoio amplo, não pode substituir o poder político organizado. Não pode desarmar um grupo armado, ganhar eleições ou construir instituições sozinho. Iniciativas anteriores fracassadas pela soberania e oposição também não falharam porque suas ideias careciam de mérito, mas porque não conseguiram transformar a crítica em um mecanismo estável de ação. Elas careciam de uma base sólida de apoio, uma estrutura organizacional forte e uma estratégia de ação clara. Ao invés disso, a iniciativa “Um Chamado para Salvar o Líbano” deve ser vista como um passo importante no caminho em direção a uma mudança mais profunda no panorama político do Líbano.
📖 Perspectiva Bíblica
“Estando, pois, em pé, eu vi ao pé do mar a grande mulher, a grande cidade, a qual era uma rainha, e que era demonstrada à visão de Davi, a qual era enviada por Deus, e que tinha sido levada ao seu reino, e que tinha sido levada à sua terra.” (Apocalipse 17:18)
Fonte original: Hezbollah now has reason to worry — Israel Hayom
