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Israel rejeita plano de 15 pontos do Conselho de Paz para Gaza

Israel rejeita plano de 15 pontos do Conselho de Paz para Gaza e exige desarmamento total do Hamas antes de qualquer retirada

O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu anunciou neste domingo (9 de agosto de 2026) que Israel rejeita oficialmente o documento de 15 pontos apresentado pelo Board of Peace (Conselho de Paz) para a reconstrução e administração da Faixa de Gaza. Em declaração durante reunião de gabinete, Netanyahu foi categórico: “Israel rejeita o documento de 15 pontos de Gaza proposto pelo Board of Peace. As Forças de Defesa de Israel (IDF) não realizarão qualquer retirada até que o Hamas esteja genuinamente desarmado”.

O líder israelense enfatizou que o desarmamento deve ser real e completo — incluindo armas pesadas, leves e toda a infraestrutura militar —, e não “fictício”. Ele também reiterou sua oposição à criação de um Estado palestino: “Enquanto eu for primeiro-ministro, não haverá Estado palestino, nem em Gaza nem na Judeia e Samaria. Nem ‘Fatahstão’ nem ‘Hamastão’”.

Contexto do plano rejeitado

O documento de 15 pontos, divulgado há cerca de uma semana e meia, integra a segunda fase do quadro de paz impulsionado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Ele prevê um processo gradual, limitado no tempo e supervisionado internacionalmente, que inclui:

  • Reafirmação do compromisso com o plano abrangente de Trump;
  • Conclusão das obrigações restantes do acordo de Sharm el-Sheikh (cessar-fogo e outras medidas);
  • Entrada do Comitê Nacional para a Administração de Gaza (NCAG), formado por tecnocratas palestinos;
  • Implantação de uma força internacional de estabilização;
  • Descomissionamento e armazenamento de armas do Hamas e outras milícias, sob supervisão da NCAG;
  • Retirada israelense gradual condicionada ao cumprimento verificado das etapas anteriores;
  • Princípio de “uma autoridade, uma lei, uma arma” na Faixa.

O plano também menciona a eventual abertura de um caminho político confiável em direção à autodeterminação e à criação de um Estado palestino.

Netanyahu e ministros da coalizão de direita consideram que o texto não garante o desarmamento real, permite retirada das IDF antes da conclusão do processo e reintroduz a ideia de Estado palestino — pontos inaceitáveis para Jerusalém. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, chegou a questionar se o documento publicado era o mesmo aprovado anteriormente no gabinete de segurança e pediu nova votação.

Contraste com o plano de 20 pontos de 2025

Em outubro do ano passado, Israel havia aceitado o plano de 20 pontos de Trump, que previa liberação de reféns, cessar-fogo, entrada de ajuda humanitária, compromisso de Israel de não anexar Gaza e retirada gradual das forças israelenses à medida que uma força internacional estabelecesse controle e estabilidade. A presença de segurança perimetral israelense seria mantida até que não houvesse mais ameaça terrorista.

A versão atual de 15 pontos é vista por Israel como um recuo em relação às garantias de segurança e desmilitarização. O Board of Peace tentou esclarecer, após encontros com Netanyahu, que a retirada além da “Linha Amarela” só ocorreria após o descomissionamento completo de armas e túneis. Mesmo assim, o primeiro-ministro manteve a rejeição formal.

Pressão política interna e cobertura internacional

A decisão ocorre em meio a uma campanha eleitoral difícil para a coalizão de Netanyahu, com pesquisas desfavoráveis e pressão de parceiros da extrema direita, como o ministro da Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir, que se opõem a concessões. Veículos internacionais destacaram o episódio como um “raro racha público” com Trump, após meses de tensão também em torno da questão iraniana.

A BBC observou que, a poucos meses das eleições, é improvável que Netanyahu queira fazer concessões. A CNN apontou que a coalizão de direita está atrás nas pesquisas e que ministros sinalizaram desejo de ampliar o controle. O New York Times ressaltou que, apesar das promessas de “vitória total” sobre o Hamas após 7 de outubro, o grupo ainda mantém presença em partes da Faixa.

O Hamas, por sua vez, indicou disposição de avançar no quadro mediado, desde que Israel cumpra suas obrigações. Mediadores e o próprio Board of Peace continuam tentando destravar o impasse, mas a recusa israelense coloca um obstáculo concreto à transição para a segunda fase do acordo de paz.

Implicações

A rejeição formal reforça a posição de Israel de que qualquer retirada militar está condicionada ao desarmamento completo e verificável do Hamas. Enquanto as negociações com Washington sobre os pontos de discordância seguem, as IDF permanecem autorizadas a responder a ameaças. O episódio ilustra as dificuldades de transformar o plano de Trump em realidade no terreno, em um contexto de eleições israelenses e de desconfiança mútua profunda entre as partes.

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