Caos no Aeroporto Ben Gurion: greve surpresa de funcionários paralisa operações no auge da temporada de verão
No dia 20 de agosto de 2026, um dos dias mais movimentados do ano no Aeroporto Internacional Ben Gurion (Natbag), em Israel, o terminal foi tomado por um caos operacional. Todos os balcões de check-in foram fechados de forma inesperada, gerando filas enormes, atrasos generalizados e a interrupção quase total das atividades. A Autoridade de Aeroportos de Israel (IAA) informou que, a partir das 14h, a atividade aérea seria reduzida até a paralisação completa dos pousos, com decolagens ocorrendo de forma gradual conforme um quadro de horários atualizado.
Cerca de 100 mil a 107 mil passageiros e aproximadamente 600 a 620 voos estavam previstos para o dia — o maior volume registrado no último ano. Até o momento do anúncio, 140 dos 159 voos de saída programados já haviam sofrido atrasos. Pilotos e companhias aéreas receberam notificação de que o aeroporto seria fechado às 14h. Ao menos um voo já havia sido forçado a retornar no ar, e dezenas de outros enfrentavam o mesmo risco.
O que desencadeou a crise
A IAA atribuiu os distúrbios a orientações do comitê de trabalhadores (sindicato). Segundo a autoridade, os funcionários interromperam o trabalho nos balcões de check-in e nas operações de bagagem, o que paralisou o processamento de malas e criou um “evento de crise”. A direção exigiu a imediata retomada das atividades e ameaçou recorrer ao Tribunal do Trabalho para forçar o fim das ações. Em nota, a IAA afirmou: “Vemos com a máxima gravidade qualquer ação deliberada que possa prejudicar o público viajante e o funcionamento adequado do Ben Gurion, especialmente no auge dos volumes de verão”.
O presidente do sindicato dos trabalhadores da IAA, Pinchas Idan, rejeitou a caracterização de greve formal. Ele argumentou que o problema central é a falta crônica de mão de obra. “Não se pode dizer que é greve e inventar histórias. Em junho enviei uma carta ao Exército dizendo que faltava pessoal. Depois disseram que não faltava, que havia americanos e gregos — histórias. Um carregador não pode trabalhar 13 horas por dia nesse calor. O que vocês querem? Que as pessoas desmaiem?”, declarou. Idan afirmou que o turno da manhã terminou após nove horas de trabalho e que os funcionários tinham direito a ir para casa.
Fontes do Ministério dos Transportes classificaram a ação como possível “greve italiana” (trabalho lento ou “work-to-rule”, em que os funcionários cumprem as regras à risca para reduzir a produtividade). Altos funcionários afirmaram que, se for confirmada essa modalidade no auge da temporada, “cabeças rolarão e trabalhadores irão para casa”. O diretor-geral do ministério disse que o episódio está sendo investigado e que haverá resposta dura caso se confirme a greve italiana.
Fatores agravantes
A crise não surgiu do nada. Há meses o aeroporto enfrenta pressão acumulada por vários fatores:
- Presença de aviões-tanque americanos: Mais de 20 aeronaves de reabastecimento da Força Aérea dos EUA ocupavam posições de estacionamento próximas aos terminais 1 e 3, reduzindo o espaço disponível para aviões comerciais e alongando o tempo de transporte de bagagens e passageiros.
- Congestionamento no espaço aéreo europeu, especialmente na Grécia.
- Escassez de infraestrutura e de pessoal nas áreas de bagagem e segurança.
- Volume recorde de passageiros no verão de 2026, com previsão de cerca de 2,6 milhões de viajantes só em agosto.
Passageiros relataram esperas de até quatro horas para recuperar bagagens na noite anterior. Muitas malas simplesmente não chegavam, e o aeroporto passou a distribuir água aos viajantes enquanto tentava gerenciar a situação.
Ausência da ministra e visita anterior de Netanyahu
A ministra dos Transportes, Miri Regev, encontrava-se em viagem particular de cerca de uma semana a Marrocos, acompanhada do diretor-geral do ministério, Moshe Ben Zaken, e de outros assessores. A ausência gerou críticas, especialmente porque no dia anterior o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu e a própria Regev haviam visitado o aeroporto, encontrando-se com funcionários e passageiros e elogiando o trabalho da equipe.
Regev orientou a direção da IAA a recorrer imediatamente ao Tribunal do Trabalho contra o sindicato, classificando a ação como “greve bruta e ilegal”. Idan respondeu que já havia solicitado a intervenção judicial e que o problema real era a sobrecarga de trabalho no calor extremo.
Impacto nos passageiros e recomendação
A IAA pediu aos viajantes que acompanhem constantemente as atualizações das companhias aéreas sobre horários e possíveis alterações. “Lamentamos a conduta do comitê e pedimos desculpas aos passageiros”, afirmou a autoridade. O sindicato dos trabalhadores do transporte, por sua vez, negou ter emitido qualquer ordem de paralisação e atribuiu o caos à falta de preparação da administração para os picos de verão, após meses de alertas ignorados.
O episódio expõe a fragilidade estrutural do principal aeroporto de Israel em um momento de alta demanda, combinando pressão operacional, disputas laborais e limitações de infraestrutura. Enquanto a investigação do Ministério dos Transportes avança e o Tribunal do Trabalho é acionado, milhares de passageiros continuam a enfrentar incerteza sobre seus voos neste que deveria ser um dos dias de maior movimento do ano.
