Em entrevista concedida a um veículo iraniano, o diplomata Mohammad Reza Rezaee afirmou que os Estados Unidos só poderão garantir a reabertura do estreito de Hormuz – rota marítima estratégica por onde passa cerca de um quinto do petróleo mundial – se demonstrarem um compromisso real e concreto com o fim dos conflitos que afetam Gaza e o Líbano. Segundo Rezaee, a continuação das hostilidades entre Israel e os grupos palestinos, bem como a escalada de confrontos no sul do Líbano, representam “uma ameaça direta à segurança regional e à estabilidade do fluxo de energia”. Ele ressaltou que o Irã, como potência que controla boa parte das instalações de extração e transporte de petróleo no Oriente Médio, tem o dever de proteger os interesses globais e que, para isso, é imprescindível que Washington cesse seu apoio militar a Israel e adote uma postura que favoreça uma solução política duradoura para o conflito palestino.
O diplomata destacou que a pressão sobre o estreito de Hormuz não se trata de “ameaça vazia”, mas de um instrumento de política externa que o Irã pode acionar caso os EUA continuem a financiar ou legitimar ações que resultem em vítimas civis em Gaza e em confrontos fronteiriços no Líbano. “Não é uma questão de retaliação, mas de responsabilidade”, disse Rezaee, acrescentando que a comunidade internacional tem observado com preocupação o aumento das tensões, que podem desencadear um colapso nos preços do petróleo e afetar a economia global.
Além da questão do estreito, Rezaee abordou um rumor que circulou nos últimos dias, alegando que haveria um plano para assassinar o filho mais novo do ex‑presidente dos EUA, Donald Trump. O diplomata classificou a informação como “uma mentira completa”, denunciando a difusão de notícias falsas que visam desestabilizar ainda mais as relações entre Washington e Teerã. Ele ressaltou que o Irã não tem interesse em atos de violência contra cidadãos americanos e que tais boatos são “instrumentos de propaganda” utilizados por adversários que buscam alimentar o clima de hostilidade.
A declaração de Rezaee chega num momento em que o mercado de energia demonstra sinais de vulnerabilidade. O fechamento parcial ou total do estreito de Hormuz poderia reduzir drasticamente a oferta de petróleo, elevando os preços e pressionando economias dependentes de importação de energia. Analistas apontam que, se Washington não apresentar uma estratégia clara para desescalar os confrontos em Gaza e no Líbano, o Irã pode considerar medidas de pressão mais agressivas, incluindo a intensificação de operações navais que dificultem a passagem de navios ocidentais.
Para o governo dos EUA, a mensagem iraniana representa um desafio diplomático significativo. Enquanto o presidente Joe Biden busca equilibrar o apoio a Israel com a necessidade de conter a crise humanitária em Gaza, a exigência iraniana de um cessar-fogo total pode colidir com as políticas de segurança nacional e com a aliança histórica com Israel. Observadores sugerem que, se Washington quiser evitar um risco de interrupção do fluxo de petróleo, precisará acelerar as negociações multilaterais envolvendo a ONU, a União Europeia e países árabes, visando um acordo que contemple a retirada de forças israelenses de Gaza e a desmilitarização de áreas sensíveis no Líbano.
Em síntese, Rezaee deixou claro que o futuro da navegação no estreito de Hormuz está intrinsecamente ligado à capacidade dos Estados Unidos de promover uma solução pacífica para os conflitos que assolam o Oriente Médio. Ao mesmo tempo, desmentiu veementemente as alegações sobre um suposto plano de assassinato contra o filho de Donald Trump, reforçando que a disseminação de notícias falsas só contribui para o aumento das tensões. As próximas semanas deverão revelar se Washington aceitará as condições iranianas ou se buscará alternativas para garantir a segurança do comércio marítimo global.
📖 Perspectiva Bíblica
“Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal.” (Jeremias 29:11)
Fonte original: US 'must commit' to ending Gaza, Lebanon conflicts to reopen Hormuz, Iranian official says — Jerusalem Post
