Israel demonstra sua força não apenas pela capacidade de lançar ataques ou interceptar mísseis, mas sobretudo pela habilidade de preservar a normalidade da vida civil diante de ameaças persistentes. O editorial analisa como a estratégia de defesa do país tem focado excessivamente em sistemas de intercepção de foguetes, como o Domo de Ferro, enquanto negligencia a proteção de infraestruturas essenciais — hospitais, escolas, redes de energia, abastecimento de água e telecomunicações. Essa lacuna, segundo os autores, coloca em risco a resiliência da sociedade israelense e compromete a legitimidade de um Estado que se apresenta como guardião da segurança de seus cidadãos.
O texto contextualiza a discussão a partir dos recentes conflitos com grupos militantes no sul do país e na Faixa de Gaza, onde ataques de foguetes e artilharia têm causado interrupções frequentes no fornecimento de eletricidade e água, além de danificar hospitais e escolas. Embora o Domo de Ferro tenha reduzido significativamente o número de vítimas mortais, ele não impede que fragmentos de projéteis atinjam áreas civis, gerando destruição de bens e interrupções de serviços. A consequência direta é um desgaste psicológico da população, que passa a viver sob a constante ameaça de apagões, falta de água potável e impossibilidade de acesso a cuidados médicos em situações de emergência.
Os autores defendem que a defesa civil deve evoluir para incluir sistemas de proteção física de instalações críticas, como blindagem de edifícios, redundância nas redes de energia e água, e a criação de “zonas seguras” equipadas com geradores autônomos e estoques de suprimentos. Citam exemplos internacionais, como a Holanda, que investiu em diques e barreiras contra inundações, e a Coreia do Sul, que desenvolveu abrigos subterrâneos resistentes a ataques de mísseis. Para Israel, a proposta seria adaptar essas práticas ao contexto local, reforçando hospitais com paredes anti-projeção, instalando painéis solares de reserva e criando rotas de evacuação rápidas para escolas e centros comunitários.
Além do aspecto técnico, o editorial aponta implicações políticas. Uma infraestrutura civil robusta reforça a narrativa de que Israel pode proteger seus cidadãos sem depender exclusivamente de respostas militares agressivas. Isso pode melhorar a percepção internacional, reduzindo críticas de organizações de direitos humanos que acusam o Estado de usar força desproporcional. Internamente, a confiança da população nas instituições aumenta, o que pode mitigar tensões sociais e reduzir a pressão sobre o governo para adotar medidas de segurança que invadam liberdades civis.
O texto também alerta para o risco de complacência: confiar apenas em sistemas de interceptação pode gerar uma falsa sensação de segurança, levando a cortes de investimento em outras áreas de defesa. Recomenda-se, portanto, que o Ministério da Defesa, em parceria com o Ministério de Energia e o Ministério da Saúde, elabore um plano integrado de “defesa da vida cotidiana”. Esse plano deveria incluir auditorias regulares das vulnerabilidades de infraestruturas, financiamento de pesquisas em materiais de construção resistentes a explosões e a criação de um fundo de emergência para reparos rápidos após ataques.
Em síntese, o editorial sustenta que a verdadeira medida da força de Israel reside na capacidade de garantir que hospitais continuem funcionando, que escolas permaneçam abertas e que as luzes das casas não se apaguem, mesmo sob fogo inimigo. Investir na proteção da infraestrutura civil não é apenas uma questão de segurança técnica, mas um imperativo moral que reforça a identidade de um Estado que se compromete a proteger seu povo em todas as circunstâncias.
📖 Perspectiva Bíblica
“Deus é o nosso refúgio e fortaleza, socorro bem presente na angústia.” (Salmos 46:1)
Fonte original: Beyond missiles: Why Israel’s civilian infrastructure needs stronger defenses – editorial — Jerusalem Post
