Apenas uma semana antes de Rosh Hashanah e das Festas Altas, os números divulgados pelo FBI revelam a gravidade do risco que tem moldado a segurança nas sinagogas dos Estados Unidos. Para 2025 foram registrados 1.528 incidentes de crimes de ódio contra judeus, representando quase dois terços de todos os crimes de ódio motivados por religião no país. Embora haja queda em relação aos 1.938 casos de 2024, 2025 ainda figura como o terceiro ano com maior número de ocorrências na história dos registros federais. Os judeus, que constituem cerca de 2 % da população americana, continuam a ser o grupo religioso mais visado.
Para entender como essas estatísticas se traduzem no cotidiano das comunidades, a Israel Hayom conversou com a rabina Eve Posen, líder sênior da Congregação Neveh Shalom, em Portland, Oregon. A comunidade, uma das maiores e mais antigas congregações conservadoras egalitárias do estado, reúne cerca de 850 famílias. Na prática, os números de crimes de ódio se transformam em postos de segurança permanentes, treinamentos regulares, sistemas de vigilância e orçamentos cada vez mais robustos.
A rabina Posen descreve uma mudança de paradigma na estratégia de proteção. “Todo ano avaliamos o cenário global de segurança judaica e tomamos decisões de acordo”, afirma. “Este ano focamos em criar sistemas que protejam a comunidade de maneiras que nunca tivemos antes – um enfoque em camadas diferentes”. Essa nova abordagem vai além da simples presença de guardas: envolve posicionamento estratégico de pessoal, definição de locais para kits de primeiros socorros, planos de resposta a diferentes cenários e a conciliação entre trancar portas e garantir rotas de fuga. No passado, a preocupação era quase que exclusivamente impedir a entrada de intrusos; agora, a comunidade também se prepara para reagir caso o ataque ocorra dentro do próprio edifício.
Um ponto marcante foi a participação direta dos líderes religiosos e da diretoria da sinagoga nos exercícios de emergência. “Ao contrário de anos anteriores, estivemos dentro dos nossos espaços de oração, apresentamos um cenário hipotético e debatemos o que faríamos”, relata Posen. Essa prática evidencia a mentalidade que prevalece: não se trata mais de “se” algo acontecer, mas de “quando”. A preparação, segundo a rabina, deve ser tão completa quanto possível para minimizar perdas humanas e psicológicas.
A Neveh Shalom mantém contato constante com a Polícia de Portland. Os números de telefone dos dirigentes da comunidade e dos oficiais são trocados, permitindo que a polícia seja avisada quando há maior fluxo de fiéis ou quando o nível de risco aumenta, o que gera patrulhas adicionais e visitas de rotina para conhecer as atividades da sinagoga. Essa cooperação estreita facilita respostas rápidas e demonstra a importância da parceria entre autoridades civis e instituições religiosas.
Entretanto, a intensificação da segurança gera um dilema sensível. “É a pergunta de um milhão de dólares: queremos que todos se sintam seguros, mas isso pode comprometer a sensação de acolhimento”, admite Posen. A necessidade de revistas de bolsas, verificações de identidade e presença de guardas pode criar um ambiente que, embora protegido, parece menos convidativo. A comunidade busca equilibrar essas duas demandas, consciente de que a percepção de vulnerabilidade pode afastar fiéis e prejudicar a vida congregacional.
As implicações desse cenário vão além de Portland. O aumento dos protocolos de segurança nas sinagogas norte‑americanas sinaliza um reconhecimento de que o antissemitismo está se tornando uma ameaça cotidiana, exigindo respostas estruturais e colaborativas. A tendência é que outras congregações adotem práticas semelhantes, investindo em treinamento, tecnologia e relacionamento próximo com as forças de segurança. Ao mesmo tempo, a discussão sobre a preservação do clima de hospitalidade nas casas de oração permanece central, desafiando líderes a encontrar soluções que garantam proteção sem sacrificar a essência de comunidade que caracteriza o judaísmo nos Estados Unidos.
📖 Perspectiva Bíblica
“Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal.” (Jeremias 29:11)
Fonte original: Ahead of High Holidays, US synagogues drill for attacks: 'It's not if, but when' — Israel Hayom
