A jornalista palestina Rula Jebreal, nascida em Haifa e criada em Jerusalém Oriental, gerou grande polêmica nos Estados Unidos ao chamar o líder da minoria republicana na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffrey Jeffries, de “macaco da AIPAC” e “recado”. O comentário foi feito ao vivo no podcast “The Left Hook”, apresentado por Wajahat Ali, durante uma conversa sobre a relação dos EUA com Israel e a influência do lobby pró‑israelense. Jebreal, que já trabalhou em veículos italianos e norte‑americanos, foi comentarista da MSNBC e atualmente leciona como visitante na Universidade de Miami.
Ao se referir ao nome árabe de Jeffries – “Hakeem”, que significa “curador” – a jornalista afirmou que ele não cura, mas divide, e que seria “comprado e pago pela AIPAC”. Ela tentou suavizar a ofensa dizendo que não tinha intenção racista, explicando que a palavra “macaco” seria uma alusão aos três macacos que não veem, não ouvem e não falam o mal. Contudo, o termo “macaco”, especialmente quando dirigido a uma pessoa negra, carrega conotações históricas de desumanização, e a tentativa de Jebreal não foi aceita. Ali reconheceu que a palavra tem “terríveis conotações raciais”, mas ainda assim deu espaço à fala da jornalista.
O Congresso respondeu rapidamente. O Congressional Black Caucus (CBC) declarou que não existe forma “não‑racista” de chamar Jeffries, um homem negro, de “macaco” ou “recado”. Deputados democratas como Ritchie Torres, de Nova‑Iorque, e Shontel Brown, de Ohio, condenaram veementemente a declaração, qualificando‑a de “racismo vil”. O CBC também criticou Ali por proporcionar plataforma ao discurso.
Jebreal acabou pedindo desculpas públicas, reconhecendo que o termo foi “inapropriado e ofensivo” e que “deveria nunca ter sido usado”. Ela manteve, porém, a crítica ao financiamento de Jeffries por parte da AIPAC, alegando que isso ocorreria “no meio do genocídio em curso na Palestina”. Jeffries ainda não se pronunciou sobre o incidente.
É importante contextualizar que a imagem de Jeffries como simples marionete da AIPAC não reflete a complexidade de sua atuação. O congressista, que também é negro, tem sido um dos democratas mais firmes apoiadores de Israel. Em pronunciamentos recentes, ele reafirmou o compromisso dos EUA com a existência de Israel como Estado judeu e democrático, descrevendo-o como “inabalável”. Condenou o ataque de 7 de outubro perpetrado por Hamas, exigiu a libertação dos reféns e a derrota do grupo terrorista. Ao mesmo tempo, Jeffries tem defendido a necessidade de reduzir as vítimas civis em Gaza, ampliar a ajuda humanitária aos palestinos e avançar na solução de dois Estados.
A controvérsia levanta questões sobre os limites da crítica ao lobby pró‑israelense e sobre a sensibilidade racial nos debates políticos norte‑americanos. Enquanto alguns setores da esquerda podem ver a reação de Jebreal como um ataque legítimo ao poder de influência de grupos como a AIPAC, a forma como foi expressa – usando linguagem que remete a estereótipos raciais – acabou desviando o foco da discussão para o racismo. Para os apoiadores de Israel, o episódio reforça a necessidade de separar críticas ao lobby de ataques pessoais que, quando carregados de conotações raciais, prejudicam o diálogo e alimentam narrativas antissemitas disfarçadas de combate ao lobby. O caso ainda pode gerar reflexões sobre a responsabilidade de jornalistas e comentaristas ao abordar temas tão sensíveis, sobretudo quando envolvem figuras públicas negras e a complexa política do Oriente Médio.
📖 Perspectiva Bíblica
“Quem anda com os sábios será sábio, mas o companheiro dos tolos acabará na miséria.” (Provérbios 13:20)
Fonte original: Palestinian journalist calls Jeffries an 'AIPAC monkey' — Israel Hayom
