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Direita israelense vira religiosa e messiânica, veja impacto

A direita israelense, que nas décadas de 1970 e 1980 se consolidou como um bloco predominantemente secular, nacionalista e focado na segurança, está passando por uma transformação profunda que a aproxima cada vez mais de um perfil religioso e messiânico. O texto analisa como esse processo, embora gradual, tem implicações significativas para a política interna, a relação com os palestinos e a posição de Israel no cenário internacional.

Originalmente, a base da direita era constituída por veteranos das forças de defesa, empresários e intelectuais que viam o Estado como um projeto nacionalista laico, dedicado à defesa de suas fronteiras e à garantia de um Estado judeu forte, mas sem a necessidade de uma agenda religiosa explícita. Essa formação encontrou seu auge com partidos como Likud, liderado por Menachem Begin e, mais tarde, por Benjamin Netanyahu, que combinaram um discurso de segurança rígido com políticas econômicas liberais. O apoio popular vinha de eleitores que priorizavam a segurança diante das ameaças externas, a continuidade de assentamentos nos territórios ocupados e a resistência a concessões no processo de paz.

Nos últimos anos, porém, o panorama mudou. A ascensão de figuras como Naftali Bennett, Itamar Ben-Gvir e o crescimento do partido Otzma Yehudit trouxe para o centro da cena política uma agenda que mistura nacionalismo com doutrinas religiosas. Esses líderes defendem a ideia de que a terra de Israel é uma herança divina que deve ser plenamente controlada pelos judeus, independentemente de acordos internacionais ou de considerações demográficas. O discurso messiânico, que antes permanecia restrito a setores marginalizados, agora aparece em discursos oficiais, em projetos de lei e em estratégias de segurança. A influência de movimentos sionistas religiosos, como o settler movement, tem sido decisiva para essa virada, pois eles exercem pressão sobre os partidos de direita para que adotem políticas mais rígidas em relação aos assentamentos e à soberania sobre toda a Cisjordânia e Jerusalém Oriental.

Essa mudança tem múltiplas repercussões. Internamente, a fusão entre nacionalismo e religiosidade gera tensões com setores laicos da sociedade israelense, que temem a imposição de leis baseadas na Halachá (lei judaica) e a marginalização de minorias, como árabes e cristãos. O debate sobre o serviço militar obrigatório para os judeus ultraortodoxos, que historicamente tem sido isento, também ganha nova urgência, pois a direita religiosa pressiona por uma maior integração desses grupos nas forças de defesa, ao mesmo tempo em que reivindica privilégios religiosos.

No âmbito externo, a tendência de uma direita cada vez mais religiosa complica ainda mais as perspectivas de paz. A ideia de um Estado judeu com base bíblica dificulta a aceitação de um Estado palestino ao lado de Israel, já que a narrativa messiânica costuma negar a legitimidade de reivindicações palestinas sobre a mesma terra. Isso pode levar a um endurecimento das políticas de assentamento, maior resistência a negociações multilaterais e até a um aumento de confrontos com grupos militantes palestinos. Além disso, aliados tradicionais dos EUA podem se mostrar mais cautelosos, temendo que a política israelense se torne incompatível com os valores democráticos e de direitos humanos que norteiam a relação bilateral.

Por fim, a consolidação de um bloco religioso dentro da direita israelense pode redefinir o futuro do país. Se a tendência continuar, a agenda legislativa poderá incluir leis que reforcem a identidade judaica como elemento central da cidadania, possivelmente restringindo direitos civis de não‑judeus e alterando o equilíbrio entre religião e Estado. Ao mesmo tempo, a própria coesão da direita pode ser testada, já que facções mais radicais podem entrar em conflito com setores mais moderados, gerando instabilidade política. Assim, o que começou como um movimento secular de segurança está se transformando em um projeto que mistura nacionalismo, fé e messianismo, cujas consequências ainda serão sentidas tanto dentro quanto fora das fronteiras de Israel.


📖 Perspectiva Bíblica

“E o Senhor te guiará continuamente, e fartará a tua alma em lugares secos; e fortificará os teus ossos; e serás como um jardim regado, e como manancial cujas águas nunca faltam.” (Isaías 58:11)

Fonte original: Religious Right: Slowly but surely, Israel’s right-wing is becoming the religious bloc – opinion — Jerusalem Post

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