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Ataque terrorista de 11 de setembro: 25 anos de memória

Esta semana os Estados Unidos – e também Israel – comemoram o vigésimo quinto aniversário do ataque terrorista mais mortal da história americana, ocorrido em 11 de setembro de 2001. O atentado, que ceifou a vida de quase 3 mil pessoas e deixou marcas profundas na psique nacional, ainda gera debates sobre sua lembrança e significado. Em Nova Iorque, a capital financeira do país, a preparação para as cerimônias já está em ritmo acelerado. O prefeito da cidade, Zohran Mamdani, assinou ordem executiva que reconhece oficialmente o 11 de setembro como dia de memória. No Bryant Park, um memorial composto por 2.753 cadeiras – uma para cada vítima – foi instalado, todas orientadas para o sul, apontando para o local onde antes se erguiam as Torres Gêmeas. Além disso, haverá uma cerimônia no complexo do World Trade Center, onde se espera a presença de autoridades, familiares das vítimas e representantes de diversas comunidades, inclusive a judaica, que perdeu membros entre os mortos.

Embora os atos simbólicos pareçam indicar que a memória do 11 de setembro permanece viva, surgem nuances que sugerem um esquecimento parcial. Recentemente, a diretora de padrões jornalísticos da Canadian Broadcasting Corporation (CBC) – emissora que perdeu 24 cidadãos canadenses naquele dia – orientou sua equipe a evitar o termo “ataque terrorista” ao se referir ao evento. Essa decisão gerou controvérsia, pois a própria definição de terrorismo parece inquestionável: dezenove militantes da al‑Qaida sequestraram quatro aviões comerciais e deliberadamente colidiram dois deles contra as torres do World Trade Center, causando a morte de milhares de inocentes e forçando outros a escolher entre queimar vivos ou saltar de alturas impensáveis. O debate sobre a nomenclatura revela uma tentativa de relativizar ou reconfigurar a narrativa histórica.

O caso mais emblemático dessa relativização vem de Hasan Piker, influenciador de esquerda e assessor estratégico de um candidato ao Senado dos EUA por Michigan. Piker reconheceu que o 11 de setembro foi um ataque terrorista, mas afirmou que “a América merecia” o ocorrido. A declaração provocou indignação massiva, especialmente entre comunidades judaicas e veteranos que perderam familiares. Após críticas intensas, Piker tentou matizar suas palavras, alegando que não se referia a “americanos” em geral, mas a “Estados Unidos”. Mesmo assim, sua postura foi amplamente condenada como uma “declaração extrema, odiosa e perigosa”, que ele acabou por retratar.

Esses episódios revelam um panorama complexo: por um lado, a sociedade americana mantém rituais de lembrança, como a instalação de memórias físicas, discursos oficiais e homenagens aos primeiros socorristas que arriscaram suas vidas. Por outro, há vozes que buscam minimizar a gravidade do ataque ou até mesmo culpabilizar a própria nação, alimentando uma narrativa que pode minar a compreensão histórica e o respeito às vítimas. Para Israel, que também sofreu ataques terroristas e compartilha laços estratégicos e culturais estreitos com os EUA, a manutenção da memória do 11 de setembro tem implicações de segurança e diplomáticas. O reconhecimento firme do ataque como ato terrorista reforça a cooperação em combate ao extremismo e legitima a solidariedade entre os dois países.

As possíveis implicações desse debate são múltiplas. Internamente, a tentativa de reescrever ou suavizar a linguagem pode influenciar a educação das novas gerações, que podem receber uma versão diluída dos fatos. Externamente, a percepção de que o ataque ainda é usado como referência para justificar intervenções militares – como as guerras no Afeganistão e no Iraque – pode gerar ceticismo quanto às motivações políticas dos governos ocidentais. Além disso, a polarização ideológica que permite que figuras públicas expressem simpatia ao terrorismo, ainda que de forma velada, ameaça o tecido social ao legitimar discursos de ódio.

Em suma, o 25º aniversário do 11 de setembro mostra simultaneamente a força dos rituais de memória e a fragilidade da narrativa consensual. Enquanto Nova Iorque ergue cadeiras vazias em homenagem às vítimas, vozes controversas continuam a questionar a própria natureza do ataque. O desafio para a sociedade americana – e para seus aliados, como Israel – é garantir que a lembrança do dia seja preservada com rigor factual, honrando os sacrifícios das vítimas e reforçando o repúdio ao terrorismo em todas as suas formas.


📖 Perspectiva Bíblica

“Não te deixes vencer pelo mal, mas vence o mal com o bem.” (Romanos 12:21)

Fonte original: 25 years later, does America still remember 9/11? — Israel Hayom

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