A visita do chefe da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Grossi, ao Irã trouxe novas informações sobre o chamado “Monte Picareta”, local subterrâneo próximo à cidade de Natanz, que tem sido alvo de suspeitas ocidentais há anos. Segundo relatos de inteligência dos Estados Unidos e de outros aliados, o complexo seria usado para armazenar material nuclear, possivelmente urânio enriquecido, e agora há indícios de que obras de construção estão sendo realizadas no sítio.
Grossi, que está em Teerã para a primeira inspeção oficial da AIEA desde que o Irã retomou o cumprimento do acordo nuclear de 2015 (JCPOA), afirmou ter observado “atividades de construção” no Monte Picareta. Embora não tenha detalhado o que exatamente está sendo erguido, o chefe da agência destacou que a presença de obras pode indicar a preparação de instalações para fins nucleares, o que contraria as garantias dadas por Teerã de que o local seria usado apenas para fins civis. O discurso de Grossi foi cuidadoso: ele não acusou diretamente o Irã de violar o acordo, mas enfatizou a necessidade de transparência e de acesso irrestrito aos locais suspeitos, sob pena de gerar dúvidas sobre a real natureza das atividades iranianas.
A reação dos Estados Unidos foi imediata. O porta-voz da Casa Branca, Karine Jean-Pierre, citou a observação de Grossi como “mais um sinal de que o Irã continua avançando em seu programa nuclear clandestino”. O governo americano, que já impôs sanções severas ao país por supostas violações do JCPOA, utilizou a declaração de Grossi para reforçar sua postura de pressão. Em entrevista ao presidente Donald Trump, o ex‑mandatário também comentou que há “um pouco de atividade” no Monte Picareta e alertou Teerã: “não tente ser esperto”. Essa frase, embora informal, reflete a frustração dos aliados ocidentais com a aparente falta de cooperação iraniana.
Do lado diplomático, a União Europeia e o Conselho de Segurança da ONU acompanham de perto a situação. O secretário‑geral da ONU, António Guterres, reiterou que a segurança global depende da plena implementação do JCPOA e de inspeções sem restrições. A AIEA, por sua vez, solicitou que o Irã conceda acesso total ao Monte Picareta e a outros locais que possam estar ligados ao programa nuclear, sob pena de comprometer a confiança construída nos últimos anos.
As possíveis implicações são múltiplas. Primeiro, caso se confirme que o Monte Picareta está sendo usado para armazenar urânio enriquecido ou para desenvolver componentes de armas, o Irã poderá enfrentar novas rodadas de sanções econômicas, que já afetam gravemente seu setor energético e a população civil. Segundo, a descoberta pode desencadear um debate interno nos países europeus sobre a viabilidade de retomar o acordo nuclear completo, que tem sido visto como um pilar da estabilidade no Oriente Médio. Por fim, a situação aumenta o risco de uma escalada de tensões entre o Irã e Israel, que mantém uma política de “não tolerar” qualquer avanço nuclear que possa ameaçar sua existência. Em resposta, Israel tem reforçado sua cooperação com os Estados Unidos e tem sinalizado que está pronta para agir caso o Irã chegue a um ponto de “breakout” nuclear.
Em resumo, a observação de construções no Monte Picareta por parte da AIEA adiciona mais um elemento de incerteza ao já delicado panorama nuclear do Irã. Enquanto o Irã insiste que suas atividades são pacíficas, a comunidade internacional exige provas concretas e acesso irrestrito. O desenrolar dos próximos dias será crucial para determinar se o acordo nuclear de 2015 poderá ser salvaguardado ou se o mundo terá que enfrentar novamente a ameaça de uma corrida nuclear no Oriente Médio.
📖 Perspectiva Bíblica
“Vigiai, pois, porque não sabeis a que hora virá o vosso Senhor.” (Mateus 24:42)
Fonte original: UN nuclear watchdog chief says construction observed at Iran’s Pickaxe Mountain — Times of Israel
