A discussão em torno das próximas eleições israelenses tem sido marcada por um tom de urgência quase apocalíptica, com slogans nas ruas, banners online, debates em rádio e telejornalistas que proclamam que se tratam “das eleições mais decisivas da história do Estado”. O autor do texto, porém, questiona essa retórica, apontando que, segundo as pesquisas, o pleito não deve gerar um resultado claro e, portanto, não pode ser considerado decisivo no sentido tradicional. Ele lembra que eleições anteriores – a vitória de Yitzhak Rabin sobre Yitzhak Shamir em 1992 e a de Benjamin Netanyahu sobre Shimon Peres em 1996 – foram decididas por margens extremamente estreitas, mas que ainda assim produziram mudanças de rumo políticas concretas. Hoje, as sondagens indicam que o bloco de mudança ficará aquém dos 61 assentos necessários para garantir maioria na Knesset, o que obrigará a formação de um governo frágil, possivelmente rompendo promessas centrais de campanha.
O texto enfatiza que a verdadeira decisão política ocorre quando um bloco determinado conquista maioria e se consolida ao longo de anos. Quando, ao contrário, diferentes partidos se unem apenas para garantir um voto na Knesset, trata‑se de um “acordo temporário”, que não tem a mesma força decisória. Essa crítica remete ao episódio do governo de mudança liderado por Naftali Bennett, que surgiu com grande expectativa, mas acabou desmoronando rapidamente, ilustrando como coalizões heterogêneas podem ser instáveis.
Um ponto central da análise é a recente fusão da lista de Chili Tropper com a de Itamar Ben‑Gvir (Eisenkot), resultado de uma negociação interna entre os partidos Yashar! e Yachad. Essa aliança tem implicações importantes para o cenário pós‑eleitoral, pois o grupo “Zionist Home”, ao qual Tropper pertence, havia prometido não apoiar governos minoritários, mesmo que estes dependessem da abstenção dos partidos árabes. O autor faz uma analogia com a lei judaica que proíbe “falar ao gentio” sobre questões de Shabat, sugerindo que Eisenkot pretende adotar uma postura de “não pedir diretamente” apoio ao líder palestino Mahmoud Abbas, mas sim insinuar que a responsabilidade recairá sobre ele caso Netanyahu não seja derrubado.
A estratégia, segundo o texto, visa criar esperança de uma reviravolta nas urnas, mantendo os eleitores engajados nas semanas finais de campanha. Tropper, que anteriormente impediu a formação de um governo semelhante ao de Benny Gantz em 2020, traz para a nova aliança figuras como Elisaf Peretz e Shira Shapira, vítimas de ataques terroristas que, segundo o autor, não recebem a devida denominação de “organização terrorista” pelos parlamentares árabes. Essa presença reforça o discurso de segurança e resistência ao terrorismo que o bloco de direita deseja projetar.
Em síntese, o autor argumenta que, embora o clima eleitoral seja carregado de dramatismo, a realidade dos números indica que o resultado será mais um governo de coalizão instável do que uma mudança decisiva de direção. As negociações de fusões partidárias, como a de Tropper e Eisenkot, revelam a tentativa de maximizar o peso do bloco de mudança, mas também evidenciam as limitações impostas por um eleitorado fragmentado e por regras parlamentares que dificultam a formação de maiorias claras. As possíveis implicações incluem a continuação de políticas de segurança rígidas, a manutenção de tensões com a comunidade árabe e a probabilidade de novos impasses legislativos, que podem prolongar a instabilidade política que Israel tem vivenciado nos últimos anos.
📖 Perspectiva Bíblica
“Então o Reino de Deus será estabelecido, e ele destruirá todos os reinos da terra, e o seu domínio permanecerá para todo o sempre.” (Daniel 2:44)
Fonte original: 'The most crucial election in Israel's history'? Just asking — Israel Hayom
