Mais de 20 mil novos imigrantes – os chamados olim – provenientes de mais de cem países chegarão a Jerusalém para celebrar, pela primeira vez, o Rosh Hashanah como cidadãos israelenses. Os números, divulgados pelo Ministério da Aliá e Integração e pela Agência Judaica para Israel, revelam que as chegadas vieram da América do Norte, Europa, América do Sul e Austrália, com destaque para Estados Unidos, Rússia, França, Reino Unido, Ucrânia, Alemanha, Canadá, Argentina e Brasil. Essa diversidade reflete a continuidade de um movimento que, apesar da realidade de segurança extremamente difícil nos últimos três anos, tem atraído judeus da diáspora para a terra de seus ancestrais.
O ponto de partida desse fluxo intenso foi o ataque surpresa do Hamas em 7 de outubro de 2023, que desencadeou a chamada “Guerra das Espadas de Ferro” em Gaza e sucessivas rodadas de confrontos envolvendo o Irã. Mesmo diante de foguetes, sirenes de alerta e a necessidade constante de abrigos, milhares de judeus decidiram que a segurança de um futuro coletivo e a conexão espiritual com Israel valem o sacrifício. O perfil dos novos olim demonstra que a decisão não está limitada a um segmento específico da sociedade: 35 % têm entre 18 e 35 anos, enquanto, no extremo oposto, dois imigrantes já contam 102 anos de idade.
Entre os jovens que chegam, destaca‑se Eitan Cohen, de 19 anos, natural de Nova Iorque. Filho de pais israelenses, ele relata que o horror de 7 de outubro o aproximou ainda mais da religião e reforçou sua crença de que sionismo e fé são inseparáveis. Na academia pré‑militar Eli, onde está matriculado, ele espera celebrar o feriado ao lado dos amigos, enquanto seu rabino, atualmente em serviço de reserva, retornará para participar das cerimônias. Cohen expressa um desejo simples, porém profundo: “Que possamos viver em paz, sem precisar correr para abrigos; que sempre tenhamos motivos para ser felizes”. Ele também almeja cumprir um serviço significativo nas Forças de Defesa de Israel, reforçando seu compromisso com a pátria adotiva.
Outros relatos confirmam que a motivação vai além da segurança material. Amiad Fredman, 33 anos, que imigrou com a esposa Joelle e os três filhos (de 7, 6 e 2 anos) de St. Louis, Missouri, descreve a busca por “uma vida de maior sentido, comunidade forte e liberdade para viver a identidade judaica”. Para ele, Israel oferece a possibilidade de criar um futuro onde valores religiosos e civis coexistam sem as pressões de sociedades onde o judaísmo muitas vezes se restringe a práticas privadas.
O contexto político também pesa nas expectativas dos recém‑chegados. O país se prepara para eleições nacionais que podem redefinir a direção estratégica de Israel nos próximos anos. Muitos olim veem seu voto como parte da construção de um futuro estável e pacífico, desejando que a liderança eleita priorize a segurança sem sacrificar o bem‑estar social. Ao mesmo tempo, eles trazem consigo a esperança de que a presença de novos cidadãos, com bagagens culturais variadas, enriqueça o debate público e fortaleça a democracia israelense.
As implicações desse grande movimento migratório são múltiplas. Demograficamente, a entrada de 20 mil olim ajuda a compensar a diminuição natural da população e a equilibrar a proporção entre judeus e não‑judeus, aspecto sensível nas discussões sobre o caráter judaico do Estado. Economicamente, a chegada de profissionais qualificados – desde jovens universitários até empreendedores experientes – pode impulsionar setores como tecnologia, saúde e educação, que ainda sentem o impacto da guerra e das sanções internacionais. Socialmente, a integração de famílias de diferentes origens linguísticas e culturais exige políticas de absorção eficazes, desde habitação até ensino de hebraico, para evitar a formação de guetos e garantir coesão.
Em síntese, o primeiro Rosh Hashanah desses novos cidadãos simboliza mais que uma celebração religiosa; representa a renovação do pacto entre o povo judeu e sua terra ancestral. Mesmo sob o constante risco de conflitos, a decisão de milhares de judeus de fazer aliá demonstra que a esperança por um futuro de paz, identidade plena e contribuição ao Estado de Israel permanece viva e, agora, mais diversificada do que nunca.
📖 Perspectiva Bíblica
“Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal.” (Jeremias 29:11)
Fonte original: This year in Jerusalem: New olim mark first Rosh Hashanah as Israeli citizens — Israel Hayom
