A escalada recente no teatro iemenita, ao longo da fronteira sul da Arábia Saudita, tem sido impulsionada por uma manobra iraniana sofisticada que utiliza os houthis como proxy. O grupo rebelde, ao capturar o estreito de Bab al‑Mandeb — ponto estratégico que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Aden — e ao atacar infraestrutura energética saudita, como oleodutos e o porto de Yanbu, procura elevar os preços do petróleo antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, pressionando a nova administração de Donald Trump sem declarar guerra formalmente. Essa estratégia cria um cenário de múltiplas ameaças para o Reino da Arábia Saudita. Primeiro, o bloqueio do estreito e os ataques a instalações energéticas comprometem a segurança econômica do reino. Segundo, os houthis lançam continuamente mísseis contra centros populacionais e aeroportos sauditas, gerando temor constante. Por fim, há o risco real de uma invasão terrestre dos houthis em território saudita, o que tem levado o Exército saudita a reforçar significativamente a fronteira e a intensificar bombardeios aéreos contra concentrações de combatentes houthis nas proximidades.
Em meio a esse clima de tensão, surgiram sinais de uma aproximação inédita entre a Arábia Saudita e Israel. Segundo o jornal Israel Hayom, autoridades sauditas procuraram Tel Aviv pedindo apoio no conflito contra os houthis. Um alto‑posto saudita declarou que “estamos em guerra com o Irã, embora não haja declaração formal”, apontando que Teerã utiliza os houthis para bloquear rotas marítimas e inflacionar o preço do petróleo, ao mesmo tempo que tenta desestabilizar o reino e semear o caos no Golfo. O mesmo oficial ressaltou que “derrubar o regime de Teerã é um interesse regional e global” e que “Israel pode ajudar, pois foi quem criou a guerra no Irã e demonstrou eficácia contra a Ansar Allah”. A referência era ao ataque israelense de agosto de 2025 que eliminou vários comandantes houthis, ação que, segundo o saudita, foi decisiva e será considerada nas futuras negociações diplomáticas.
Essas declarações indicam que, embora a cooperação atual se restrinja a intercâmbio de inteligência e apoio militar pontual, está sendo lançada uma base sólida para uma relação mais estreita no futuro. Contudo, especialistas alertam que um avanço diplomático dramático ainda não se vislumbra, já que a estabilidade do regime iraniano continua a ser o principal ponto de equilíbrio na região.
O movimento mais surpreendente vem do Kuwait, pequeno Estado na ponta norte do Golfo que sofreu graves danos durante a guerra entre Irã e a coalizão ocidental, em parte devido à presença de bases militares americanas em seu território e à dependência exclusiva do estreito de Hormuz para exportar petróleo. O Kuwait tem buscado diversificar suas rotas e reduzir a vulnerabilidade estratégica, e, nesse contexto, tem mantido diálogos discretos com Israel. O país vê em Jerusalém um parceiro capaz de oferecer tecnologia de defesa avançada, como o sistema Iron Dome, e expertise em guerra assimétrica, atributos que poderiam fortalecer a segurança marítima e terrestre do Kuwait contra ameaças iranianas e houthis.
A implicação desse acercamento silencioso é múltipla. Primeiro, ele sinaliza uma mudança no panorama geopolítico do Golfo, onde antigos rivais podem encontrar interesses comuns diante da expansão da influência iraniana. Segundo, a cooperação israelo‑kuwaitiana poderia abrir caminho para que outros Estados do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) considerem relações mais próximas com Tel Aviv, especialmente se o Irã continuar a usar grupos proxy para desestabilizar a região. Por fim, a parceria pode reforçar a posição de Israel como ator indispensável na segurança do Oriente Médio, legitimando ainda mais sua integração em fóruns regionais e ampliando seu leque de aliados estratégicos.
Em suma, a crise no Iêmen, alimentada por Teerã, tem provocado uma reconfiguração das alianças no Golfo. Enquanto a Arábia Saudita já procura apoio israelense contra os houthis, o Kuwait avança discretamente rumo a uma cooperação que pode transformar a dinâmica de poder regional, sempre condicionada à evolução do conflito iraniano e à capacidade de Israel de oferecer respostas militares eficazes.
📖 Perspectiva Bíblica
“Paz seja sobre ti, e prosperidade sobre os teus filhos.” (Salmos 122:7)
Fonte original: Kuwait quietly moves toward Israel amid Iran threat — Israel Hayom
