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Yom Kippur: Israel ignora reflexão e perdão no novo ano

A reflexão que o Yom Kippur costuma inspirar – busca interior e pedido de perdão – parece ter desaparecido da esfera pública israelense à medida que o novo ano se inicia. O autor do texto aponta que, desde o cotidiano até o mais alto escalão do governo, a falta de responsabilidade e de humildade tem sido notória. Ele cita, como exemplo, o tenente‑coronel A., oficial de inteligência da Divisão de Gaza, que tentou permanecer em seu posto e impediu a divulgação de seu nome após os ataques de 7 de outubro, e o primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu, que ainda não assumiu a culpa pela maior tragédia da história do país. Outro episódio citado foi o encontro doloroso entre Sheli Mashal‑Yogev – mãe da vítima Libby, morta no festival Nova – e o ex‑chefe do Dintel, general aposentado Aharon Haliva. Embora Haliva tenha se desculpado e renunciado, o autor critica o tom paternalista da sua fala, que considerou inadequado diante do sofrimento de uma mãe enlutada.

O texto também menciona a fala do vice‑presidente dos EUA, JD Vance, que, em setembro de 2026, alertou que a polícia americana não seria subserviente a Israel, sinalizando tensões na aliança estratégica. Em seu discurso de abertura da campanha eleitoral do Likud, Netanyahu declarou que o Estado de Israel foi “salvo da aniquilação”. O autor classifica essa afirmação como furiosa e infundada, argumentando que nenhum inimigo possuía capacidade real de destruir Israel. Ele questiona quem, nos quinze anos anteriores ao conflito, permitiu que adversários se aproximassem tanto de tal ameaça, colocando a responsabilidade última sobre o próprio Netanyahu.

A crítica se estende ao debate nacional de segurança, que, segundo o autor, carece de rigor e tem sido ofuscado por populismo que mina a própria defesa do país. Comentários irresponsáveis de ministros têm causado danos colaterais à reputação internacional de Israel, superando até mesmo a destruição retratada no filme “NAZA”, exibido no Festival de Veneza de 2026. Além disso, há uma tendência perigosa de promover ideias marginalizadas, como a rejeição voluntária da ajuda de segurança americana e a busca por alianças com outras superpotências.

No cerne da argumentação está a afirmação de que os Estados Unidos não são apenas mais um aliado, mas a pedra angular da política de defesa israelense. Embora Israel tenha cultivado parcerias estratégicas ao longo das décadas – com a África do Sul, Turquia, Índia, Cingapura e Emirados Árabes Unidos – nenhuma delas pode substituir Washington. A supremacia americana no cenário global, seu veto permanente no Conselho de Segurança da ONU e sua capacidade tecnológica e de inteligência conferem a essa aliança um caráter indispensável.

As possíveis implicações desse “jogo perigoso” entre Israel e os EUA são múltiplas. Primeiro, a falta de autocrítica interna pode enfraquecer a coesão social e a confiança nas instituições, dificultando a formulação de políticas eficazes. Segundo, a retórica populista e a desvalorização da parceria com Washington podem abrir espaço para que potências rivais – como a China ou a Rússia – tentem oferecer alternativas que, embora atrativas, não garantam o mesmo nível de segurança. Por fim, a erosão da confiança mútua entre Israel e os EUA poderia comprometer o fluxo de apoio militar, inteligência e diplomático, expondo o país a riscos estratégicos maiores. Assim, o autor conclama a sociedade israelense a realizar um verdadeiro “Yom Kippur” interno, reconhecendo erros, assumindo responsabilidades e reforçando, de forma consciente, a aliança com os Estados Unidos como elemento vital para a sobrevivência e prosperidade do Estado judeu.


📖 Perspectiva Bíblica

“Arrependei-vos, e convertei-vos a Deus, para que ele apague as vossas transgressões.” (Joel 2:13)

Fonte original: Israel's dangerous game with its US alliance requires soul-searching — Israel Hayom

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