A mais recente pesquisa realizada pela Pew Research Center revelou que a maioria dos israelenses e palestinos ainda considera inviável a solução de dois Estados para o conflito que perdura há décadas. Apenas 17 % dos entrevistados em Israel e 21 % dos palestinos que vivem na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental acreditam que exista um caminho viável para a coexistência pacífica de duas nações soberanas. Esses números expressam um aumento da descrença em relação a pesquisas anteriores, sinalizando um endurecimento das posições em ambos os lados.
Os inquiridos apontaram três fatores principais que dificultam a concretização de um acordo: a disputa sobre a terra, as preocupações de segurança e a profunda desconfiança mútua. Entre os israelenses, a maioria acredita que ceder territórios significativos comprometeria a segurança do Estado, sobretudo diante das ameaças de grupos militantes que operam na Faixa de Gaza e na Cisjordânia. Por outro lado, os palestinos ressaltam que a ocupação israelense, a expansão de assentamentos e as restrições de mobilidade tornam impossível a criação de um Estado viável e contíguo. A falta de confiança é reforçada por episódios de violência recorrentes, como confrontos em Jerusalém e ataques a civis, que alimentam narrativas de inimigo permanente.
O estudo também trouxe à tona diferenças internas dentro de cada sociedade. Entre os israelenses, os judeus ultraortodoxos mostraram ainda menos disposição para um acordo de dois Estados, enquanto os judeus seculares e os árabes israelenses demonstraram maior abertura, embora ainda em números modestos. Nos territórios palestinos, os residentes da Cisjordânia apresentaram ligeiramente mais otimismo que os de Jerusalém Oriental, mas ambos os grupos permaneceram majoritariamente céticos.
As implicações políticas desse cenário são profundas. Para os governantes israelenses, a baixa expectativa de apoio popular a um acordo pode tornar arriscado avançar com concessões territoriais, especialmente quando a coalizão de governo depende do apoio de partidos nacionalistas e religiosos. Da mesma forma, a liderança palestina enfrenta pressões internas de grupos que rejeitam qualquer negociação que não inclua o fim total da ocupação e o direito de retorno dos refugiados. A falta de perspectiva de duas nações pode empurrar ambas as partes para soluções unilaterais, como a anexação de partes da Cisjordânia por Israel ou a busca de reconhecimento internacional do Estado palestino sem acordo de paz.
Especialistas apontam que, se a tendência de descrença persistir, o conflito poderá se tornar ainda mais estático, com episódios de violência esporádica mantendo o status quo. A comunidade internacional, incluindo os Estados Unidos e a União Europeia, pode encontrar maior dificuldade em mediar um acordo quando a base popular de apoio está tão fragilizada. Ao mesmo tempo, a pesquisa indica que ainda há uma minoria significativa disposta a considerar a solução de dois Estados, o que sugere que esforços diplomáticos bem direcionados, focados em garantias de segurança para Israel e em garantias territoriais e de soberania para os palestinos, poderiam reverter a percepção de impossibilidade.
Em resumo, o levantamento da Pew demonstra que a maioria dos israelenses e palestinos vê a coexistência de dois Estados como um objetivo praticamente inalcançável, citando questões de terra, segurança e desconfiança como obstáculos centrais. Essa realidade coloca em xeque as iniciativas de paz tradicionais e exige novas abordagens que consigam reconquistar a confiança dos povos, equilibrar as exigências de segurança de Israel e atender às aspirações de autodeterminação dos palestinos. Só assim será possível reverter a tendência de impasse e abrir caminho para uma solução duradoura.
📖 Perspectiva Bíblica
“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus.” (Mateus 5:9)
Fonte original: Pew poll finds majority of Israelis and Palestinian say two-state coexistence impossible — Times of Israel
