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Presidente iraniano fala na ONU sobre guerra com Israel

A presença do presidente iraniano Masoud Pezeshkian na Assembleia Geral das Nações Unidas, nesta semana de “High‑level”, ocorre em um cenário de guerra aberta entre Irã, Estados Unidos e Israel. Trata‑se da terceira vez que Pezeshkian fala no plenário desde que assumiu o cargo, mas agora o discurso será marcado por um contexto interno e externo muito mais hostil. A economia iraniana está em níveis historicamente baixos, o ex‑presidente Donald Trump já declarou o Irã “acabado” e o primeiro‑ministro israelense Benjamin Netanyahu reiterou, de forma clara, que o objetivo de Jerusalém é eliminar a ameaça iraniana e derrubar o regime de Teerã, que luta pela própria sobrevivência.

No discurso, o presidente iraniano deverá colocar toda a responsabilidade pela guerra e suas consequências sobre Washington e Jerusalém, apresentando o Irã como vítima de agressões externas e justificando os recentes ataques com drones e mísseis a bases americanas na região e a embarcações no Golfo como “resposta legítima”. Um ponto sensível que ele deve abordar é o esforço, com o apoio da Rússia, para desqualificar o mecanismo de “snapback” – a cláusula que reinstitui automaticamente as sanções da ONU caso o Irã viole o acordo nuclear. O debate sobre a validade desse mecanismo está previsto para o final do mês, e Pezeshkian provavelmente reafirmará que o Irã não busca armas nucleares, embora insista no direito de defender seus interesses estratégicos.

Curiosamente, ao rememorar uma fala feita há dois anos – “nos últimos doze meses o mundo viu a verdadeira natureza do regime israelense” – Pezeshkian acabou, sem intenção, descrevendo a Israel pós‑7 de outubro como um Estado resiliente, proativo, ousado, sofisticado e determinado. Essa avaliação, ainda que inicialmente pretendida como crítica, acabou por reconhecer a capacidade de Israel de resistir a três anos de ataques com mísseis sem colapsar. O reconhecimento vem reforçado por um estudo divulgado no início do mês pelo Mada al‑Carmel, Centro Árabe de Pesquisa Social Aplicada, com sede em Haifa. A pesquisa indica que a população judaica israelense manteve alta resiliência, apoia amplamente a continuação das operações militares e aceita os custos humanos e econômicos decorrentes, motivada por uma percepção compartilhada de ameaça existencial.

As implicações desse cenário são múltiplas. Primeiro, a retórica iraniana na ONU tende a intensificar a polarização diplomática, dificultando ainda mais qualquer negociação sobre o programa nuclear de Teerã. Segundo, a demonstração de coesão interna em Israel, confirmada pelos dados do Mada al‑Carmel, sugere que o país continuará sua política de resposta militar robusta, inclusive contra alvos iranianos e de seus aliados. Terceiro, a colaboração entre Irã e Rússia para minar o snapback pode levar a um novo impasse nas negociações multilaterais, potencialmente resultando em sanções ainda mais rígidas ou, ao contrário, em concessões que alterem o equilíbrio de poder no Oriente Médio.

Em suma, a fala de Pezeshkian na ONU deve reforçar a narrativa de defesa própria do Irã, ao mesmo tempo em que evidencia a crescente determinação de Israel em enfrentar seus adversários. O embate diplomático e militar que se desenha aponta para uma escalada de tensões que, se não contida, poderá ampliar a instabilidade regional e exigir respostas coordenadas da comunidade internacional.


📖 Perspectiva Bíblica

“Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça.” (Isaías 41:10)

Fonte original: Israel's enemies are learning what resilience really means — Israel Hayom

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