Nos últimos dias, um relatório publicado pela revista The Atlantic confirmou informações reveladas há seis meses pelo jornal Israel Hayom, trazendo à tona um episódio pouco conhecido que ocorreu pouco antes da catástrofe de 7 de outubro. Segundo a investigação, o chefe da inteligência egípcia, Abbas Kamel, chegou a Israel a bordo de um avião militar que pousou na pista isolada do Aeroporto Ben Gurion em 26 de setembro de 2023. O pouso coincidiu com a cerimônia que marcava o 50.º aniversário da Guerra do Yom Kippur, quando a alta cúpula israelense se reunia para prestar homenagens. O avião permaneceu no solo por cerca de uma hora, tempo suficiente para que, segundo fontes familiarizadas com os protocolos de operações sensíveis, fosse realizada uma reunião urgente a bordo. O objetivo, conforme apontam os documentos, foi alertar Tel Aviv sobre a possibilidade de uma explosão de violência a partir da Faixa de Gaza.
Naquele mesmo dia, o conselheiro de Segurança Nacional de Israel, Tzachi Hanegbi, que normalmente seria o interlocutor direto de Kamel, encontrava‑se ausente da cerimônia, levantando suspeitas de que estivesse envolvido em preparativos de outra operação militar. O Conselho de Segurança Nacional, ao ser questionado, recusou‑se a comentar. No dia seguinte, em reunião no gabinete do primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu, foram aprovadas medidas de flexibilização das restrições sobre Gaza e outros ajustes relativos ao enclave, de acordo com uma fonte presente na sala que confirmou os detalhes ao Israel Hayom. Essa sequência de eventos sugere que o alerta egípcio foi recebido, mas não gerou uma resposta decisiva por parte das autoridades israelenses.
O histórico de contato entre Kamel e altos funcionários israelenses não é novo. Desde 2021, o chefe da inteligência mantinha diálogos regulares com ministros e outros representantes do governo, inclusive com a então ministra da Economia, Orna Barbivai, que buscava estreitar laços econômicos entre os dois países. Contudo, a gravidade do aviso transmitido em setembro parece ter sido subestimada. Um alto oficial egípcio, entrevistado em Israel, revelou que a delegação de seu país compareceu ao Ministério das Relações Exteriores israelense duas semanas antes de 7 de outubro, alertando que “a situação em Gaza está extremamente volátil” e que “tudo poderia explodir”. Essa mensagem foi reiterada por várias fontes do Ministério das Relações Exteriores, que confirmaram ter recebido avisos frequentes do Egito sobre a necessidade de buscar uma solução definitiva para o conflito, ao invés de apenas gerenciá‑lo.
A revelação tem implicações profundas para a narrativa que se construiu em torno do ataque palestino‑israelense de 7 de outubro. Se o alerta egípcio foi efetivamente transmitido e compreendido, a falta de ação preventiva por parte de Israel pode ser vista como uma falha estratégica grave, que custou milhares de vidas e desencadeou uma nova fase de guerra na região. Além disso, o episódio evidencia a importância dos canais diplomáticos e de inteligência entre Israel e seus vizinhos árabes, sobretudo o Egito, que historicamente tem desempenhado o papel de mediador. A aparente desconexão entre os avisos recebidos e as decisões tomadas em Tel Aviv pode gerar tensões internas, questionamentos sobre a eficácia dos conselhos de segurança e, possivelmente, revisões nos protocolos de cooperação com parceiros regionais.
Por fim, a publicação do relatório pela The Atlantic, baseada em investigações de quase um ano, reforça a necessidade de maior transparência nas relações de segurança entre Israel e o Egito. Enquanto o conflito em Gaza continua a evoluir, a lembrança de que um alerta foi ignorado pode influenciar tanto a opinião pública israelense quanto as negociações diplomáticas futuras, pressionando os líderes a reconsiderarem suas estratégias de prevenção e a valorizarem ainda mais os sinais de alerta provenientes de aliados estratégicos.
📖 Perspectiva Bíblica
“Portanto, guardai-vos bem de todo engano; porque não é por força, nem por poder, mas por meu Espírito, diz o Senhor dos Exércitos.” (Zacarias 4:6)
Fonte original: Egyptian source: 'We told the Israelis the situation in Gaza could blow up' — Israel Hayom
