O presidente Isaac Herzog iniciará, nesta quarta‑feira, as consultas formais com os partidos eleitos para a 25ª Knesset, a fim de decidir quem receberá a missão de montar o próximo governo israelense. Diferente das rodadas habituais, em que o presidente costuma começar o diálogo pelos partidos maiores e terminar pelos menores, Herzog optou por inverter a ordem: as reuniões acontecerão do menor para o maior número de cadeiras, começando com a facção religiosa de direita Zehut (Religious Zionism‑Zehut) e encerrando com o Likud, partido do atual primeiro‑ministro, no dia seguinte.
A mudança foi explicada pelos assessores da Casa do Presidente como uma estratégia para ampliar o leque de possibilidades de coalizão antes de se concentrar nos blocos mais poderosos. Ao ouvir primeiro as menores legendas, Herzog espera estimular “pensamentos fora da caixa”, descobrir propostas inéditas e avaliar se alianças inesperadas podem surgir. O objetivo, segundo a residência presidencial, é garantir que todas as posições sejam consideradas, permitindo, inclusive, a realização de uma segunda rodada de consultas caso surjam novas demandas ou negociações.
Durante cada encontro, o líder da bancada apresentará sua recomendação sobre qual Knesset‑member deve ser incumbido de formar o governo. Após a conclusão das audiências – previstas para quarta à noite e quinta‑feira ao longo do dia – o presidente anunciará oficialmente quem receberá o mandato. A legislação israelense concede ao escolhido um prazo de 28 dias para concretizar a coalizão, com a possibilidade de extensão de até 14 dias, mediante aprovação presidencial.
A agenda detalhada demonstra a diversidade do espectro político israelense: após Zehut, a reunião segue com o partido ultra‑ortodoxo Shas, depois Yisrael Beytenu, United Torah Judaism, Otzma Yehudit, The Democrats, Ra’am (representante árabe), Joint List (coalizão árabe), Beyachad, Yashar e, por fim, Likud. Cada sessão será transmitida ao vivo nas redes oficiais do presidente, embora apenas câmeras da Government Press Office tenham permissão dentro da sala de reuniões. Um centro de imprensa será montado na residência presidencial para que os líderes partidários façam declarações imediatas após seus encontros.
Essa inversão de ordem tem implicações estratégicas relevantes. Primeiro, pode enfraquecer a prática de “cabeça de cadeia”, na qual o partido maior costuma ser o primeiro a ser consultado e, muitas vezes, a escolha natural para liderar a coalizão. Ao dar voz precoce a partidos pequenos e, em alguns casos, marginalizados, Herzog abre espaço para negociações que poderiam resultar em blocos centrais mais amplos, possivelmente envolvendo partidos árabes ou de direita religiosa que, tradicionalmente, permanecem à margem das conversas iniciais. Segundo, o gesto reforça a imagem do presidente como árbitro neutro e proativo, disposto a buscar soluções que ultrapassem a simples soma de cadeiras, algo que pode ser bem visto tanto pelos eleitores que desejam estabilidade quanto pelos aliados internacionais que acompanham de perto a volatilidade da política israelense.
Caso a iniciativa gere coalizões inesperadas, o cenário político poderia se estabilizar mais rapidamente, evitando novas eleições antecipadas que, nos últimos anos, têm sido recorrentes. Por outro lado, se as negociações falharem, Herzog ainda poderá recorrer a uma segunda rodada de consultas ou, ainda, conceder um mandato a um candidato tradicional, como o líder do Likud, mantendo o status quo. De qualquer forma, o processo de consultas invertidas marca uma ruptura simbólica com a tradição e evidencia a busca por criatividade e consenso em um momento de fragmentação parlamentar que exige soluções inovadoras para garantir a governabilidade de Israel.
📖 Perspectiva Bíblica
“Quando não há direção, o povo cai; mas na multidão de conselheiros há segurança.” (Provérbios 11:14)
Fonte original: How Israel's president chooses who forms the next government, and why Herzog is breaking with tradition — Israel Hayom
