A disputa pelo futuro do Gaza ganha novo rumo
No dia em que os reféns voltaram para casa, dez meses atrás, o Exército de Defesa de Israel (IDF) controlava 52% da Faixa de Gaza. Desde então, essa porção aumentou para 70%. Os palestinos acordam para encontrar a linha amarela, pintada em blocos de concreto, cada vez mais próxima, o que muitas vezes os obriga a evacuar novamente para evitar o campo de fogo. Israel celebra o avanço do controle sobre a Faixa, embora, na realidade, não haja uma expansão de forças ou novas posições, apenas a ampliação do campo de tiro contra ameaças que se aproximam. O que agora divide a disputa pelo futuro da Faixa é a distância entre as linhas originais e as atuais. Em princípio, Israel não acredita que o Hamas desistirá de suas armas (ou as entregará para serem derretidas – uma nova ideia americana). O país não tem interesse em uma foto com o presidente americano, desde que não seja obrigado a recuar. Os EUA dizem a Israel: “Quatrocentos pés entre vocês e a gente, o que é isso? Volte os blocos de concreto um pouco e vamos usar isso para forçar o Hamas a entrar na próxima fase”. O pior cenário é que umas horas de trabalho de grua e você volta ao ponto de partida. Em Jerusalém, eles resistem, temendo um retorno ao padrão de retiradas que desenrolou todo o caminho até 7 de outubro. E, no fundo, há outra preocupação política: com menos de três meses para as eleições, qualquer retirada ou acordo prejudica o Likud e a coalizão. Ben-Gvir mordiscará desde a direita; Lieberman, Bennett e Eisenkot pela esquerda.
E os americanos? Foram pegos de surpresa quando Israel resistiu a uma retirada que consideravam apenas tática. Israel os lembrou do calendário eleitoral e do fato de que Netanyahu não tem grande desejo de ceder agora e, se for o caso, recolher o prêmio apenas quando já for tarde demais. Então, o raciocínio é: vamos nos virar para os líderes da oposição e pedir que eles apareçam diante das câmeras para defender o acordo feito na Casa Branca. Por alguma razão, Lieberman, Bennett, Eisenkot e Golan ainda não se colocaram diante das câmeras para pedir a retirada de Israel e abraçar Netanyahu. É um comportamento surpreendente. Nesta semana, foi realizada uma rodada de primárias nos Estados Unidos e, em uma impressionante quantidade delas, o Gaza ficou na primeira página. Israel tem um interesse supremo em resolver o assunto e começar a se recuperar na opinião pública global – não, certamente, ao deixar o Hamas em pé, mas por meio de manobras táticas temporárias que permitam aos americanos e aos seus aliados regionais manter o isolamento dos terroristas que ainda controlam as ruínas da cidade. Os olhos estão voltados para ele “Vou lutar com unhas e dentes, se necessário”, disse Netanyahu quando o presidente Biden se aproximou de um embargo de armas contra ele. Mas o que os EUA vão lutar com? Mesmo sem embargo, suas próprias armas estão se aproximando do limite vermelho rapidamente.
📖 Perspectiva Bíblica
“O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus servos teriam lutado para que eu não fosse entregue à autoridade dos judeus, nem entregue à autoridade dos romanos. Mas agora o reino meu não é de aqui.” (João 18:36)
Fonte original: A few concrete blocks will shape the fate of the entire Middle East — Israel Hayom
