A situação de segurança entre Israel e o Irã tem sido analisada sob a perspectiva de quem realmente se beneficia de uma escalada bélica. Embora os indicadores mostrem que um novo conflito não deve se iniciar antes das eleições legislativas dos Estados Unidos, previstas para meados de novembro, a narrativa de que Israel está à beira de uma guerra persiste e tem motivos claros para ser cultivada. O autor da matéria aponta que o principal interessado em fomentar esse clima de tensão é o próprio primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu. Se a decisão de entrar em guerra estivesse apenas nas mãos dele, Israel já teria acionado o que o texto chama de “terceira guerra contra o Irã” há algum tempo. Contudo, dois fatores têm limitado essa possibilidade.
O primeiro é a postura do presidente dos EUA, Donald Trump, que embora tenha elogiado publicamente Netanyahu e sua condução da questão iraniana, tem exercido um efeito de freio nas iniciativas israelenses de retomar as hostilidades desde o fim da última campanha militar, em meados de abril. O segundo elemento crucial é a atitude do chefe do Estado‑maior das Forças de Defesa de Israel (IDF), o tenente‑general Eyal Zamir, e da alta cúpula militar. Eles têm deixado claro que a prioridade é garantir que o processo democrático – em especial as próximas eleições – transcorram sem interferências militares. Em visita a um exercício da Divisão de Gaza, Zamir enfatizou que o exército está pronto para responder a qualquer ataque surpresa, mas também sublinhou que a missão da tropa é “proteger o lar para que as eleições possam acontecer em casa”. Essa mensagem serve tanto para os adversários externos quanto para o público interno, alertando contra a utilização das forças armadas como ferramenta política nas vésperas de um pleito.
Apesar da retórica de cautela militar, o texto denuncia uma exploração política da imagem das Forças de Defesa. Netanyahu tem usado bases aéreas – como Ramat David – e equipamentos militares em vídeos de campanha, inclusive com helicópteros e guardas da Shin Bet ao fundo, para criar a impressão de que o país vive sob ameaça iminente. Essa prática, segundo o autor, viola o princípio de que as forças armadas e os serviços de segurança devem permanecer fora da disputa eleitoral, mas ao mesmo tempo serve ao objetivo de gerar um clima de urgência que favoreça a agenda do governo.
A probabilidade de uma escalada nos próximos dias ou semanas permanece baixa, conforme evidenciado na reunião de Netanyahu com o secretário de Defesa dos EUA, Pete Hegseth, que esteve na região apenas para consultas pontuais. O encontro não trouxe sinais de uma mudança de postura, mas reforçou a ideia de que, embora haja tensão latente, os principais atores – Washington, a alta cúpula militar israelense e até mesmo o próprio Netanyahu – ainda ponderam os riscos políticos e estratégicos de um confronto aberto. Assim, a “ilusão de guerra iminente” parece mais um instrumento de manipulação interna do que uma realidade iminente, refletindo as complexas interações entre interesses nacionais, pressões eleitorais e a necessidade de preservar a estabilidade democrática em tempos de incerteza regional.
📖 Perspectiva Bíblica
“Aparta-te do mal e faze o bem; busca a paz, esforça-te por ela.” (Salmos 34:14)
Fonte original: Only one man has an interest in warmongering – and the IDF chief must stand in his way — Israel Hayom
