Durante o período das Altas Festas judaicas, Yehudá Kurtzer e o rabino Noa Kushner lançam uma reflexão sobre a fé em tempos de ceticismo crescente, abordando temas como santidade, reverência e espiritualidade em uma sociedade marcada pelo consumismo. O texto, publicado originalmente no The Times of Israel como conteúdo patrocinado, propõe que mesmo quem não acredita em Deus pode – e talvez deva – experimentar práticas religiosas como forma de descobrir um sentido mais profundo na vida.
Kurtzer, historiador e especialista em questões de identidade judaica, inicia o debate apontando que a modernidade trouxe uma ruptura entre a tradição religiosa e o modo de vida contemporâneo. Ele observa que, embora a ciência e a razão tenham ampliado o horizonte do conhecimento, muitas pessoas ainda sentem um vazio existencial que não é preenchido por bens materiais ou pelo sucesso profissional. Nesse contexto, a ideia de “não crer” deixa de ser apenas uma posição intelectual e passa a ser um sintoma de falta de conexão com algo maior.
O rabino Noa Kushner, por sua vez, traz a perspectiva da prática ritual. Ele argumenta que a experiência de participar de cerimônias, como o toque do shofar, a leitura da Torá ou a recitação de bênçãos, pode gerar um estado de “awe” – um sentimento de admiração que transcende a lógica racional. Para Kushner, a santidade não está restrita a quem tem convicções teológicas firmes; ela pode ser vivida como um momento de presença, de pausa diante da grandiosidade da existência. Ele cita estudos de psicologia positiva que mostram como momentos de contemplação e gratidão aumentam o bem‑estar e reduzem o estresse.
Os autores reconhecem, porém, que a abordagem deve ser cuidadosa para não transformar a religião em mera ferramenta de autoajuda. Eles alertam contra a “espiritualidade de consumo”, na qual práticas sagradas são reduzidas a modismos ou a produtos de bem‑estar vendidos em lojas de lifestyle. Em vez disso, sugerem que a participação consciente, ainda que temporária, pode abrir caminho para uma relação mais autêntica com a tradição judaica. Essa abertura, segundo eles, pode ser particularmente relevante para jovens adultos que se sentem distantes das instituições religiosas, mas que ainda buscam respostas a questões existenciais.
Ao propor que “não acreditar em Deus” seja um convite a experimentar, o texto abre espaço para um diálogo intergeracional dentro da comunidade judaica. Ele sugere que as sinagogas e centros comunitários poderiam criar ambientes mais inclusivos, oferecendo eventos que enfatizem a experiência sensorial e emocional da fé, sem exigir adesão doutrinária. Essa estratégia poderia reverter a tendência de afastamento observada em várias comunidades ocidentais, onde a taxa de filiação está em declínio.
As possíveis implicações desse convite são múltiplas. Primeiro, há o potencial de revitalizar a prática religiosa ao torná‑la mais acessível a um público cético, ampliando o alcance das instituições judaicas. Segundo, ao enfatizar a dimensão emocional da espiritualidade, pode‑se fomentar um senso de identidade coletiva mais forte, reforçando laços entre judeus que compartilham valores culturais, mesmo que não se considerem religiosos. Por fim, a abordagem pode inspirar outras tradições religiosas a repensarem suas estratégias de engajamento, reconhecendo que a busca por significado transcende crenças específicas.
Em síntese, a proposta de Kurtzer e Kushner não é converter os incrédulos, mas oferecer-lhes uma porta de entrada para experimentar, ainda que provisoriamente, a sacralidade que permeia as Altas Festas. Ao fazê‑lo, eles apontam para a possibilidade de que a fé, mesmo quando questionada, continue a exercer um papel vital na construção de comunidades resilientes e na promoção do bem‑estar individual.
📖 Perspectiva Bíblica
“Porque desde a criação do mundo os atributos invisíveis de Deus, tanto o seu eterno poder como a sua natureza divina, têm sido claramente percebidos, sendo compreendidos por meio das coisas criadas, de modo que tais homens são indesculpáveis.” (Romanos 1:20)
Fonte original: Don’t believe in God? Try it anyway – Sponsored Content — Times of Israel
