Acordo entre Israel e Líbano: um passo importante, mas longe de uma solução definitiva
A assinatura de um acordo entre Israel e Líbano, ontem, é um passo importante, mas longe de uma solução definitiva. A implementação desse acordo é um caminho longo e cheio de obstáculos, e a experiência passada mostra que as chances de sucesso são baixas. O acordo contém 14 cláusulas, exatamente como o acordo de marco assinado semana passada entre os EUA e o Irã. Ele inclui palavras grandiosas que são o sonho de todos os israelenses e libaneses que querem viver em paz: segurança, fim do conflito e soluções para os problemas raizais através de diálogo, em negociações diretas mediadas pelos EUA.
Um dos principais problemas que o acordo busca resolver é a retirada das Forças de Defesa de Israel da Líbano. Israel temia que as tropas israelenses precisassem se retirar imediatamente, e que o Hezbollah se apoderasse das áreas evacuadas. Foi acordado que a retirada seria gradual e condicionada à tomada de controle dessas áreas pelo exército libanês. O Líbano se comprometeu a desarmar “todos os grupos armados não estatais” (o Hezbollah não é mencionado explicitamente no acordo), e a infraestrutura ligada a eles.
Outro problema importante é a verificação do processo. Em Israel, com base na experiência passada, há preocupação de que o exército libanês faça um trabalho parcial, no melhor dos casos, e, na prática, sirva de esconderijo para o Hezbollah para que ele possa retornar à região. O acordo exige a verificação das atividades libanesas, sob monitoramento e supervisão estadunidenses. As retiradas da IDF só ocorrerão após progresso no plano, enquanto o Líbano se compromete a não permitir que esses grupos armados não estatais operem em seu território, nem recebam fundos diretamente ou indiretamente.
Outro ponto importante é quebrar os laços com o Irã. No acordo, o Líbano rejeita “as reivindicações de qualquer estado” (sendo o Irã o destinatário implícito) e de “qualquer ator não estatal” (sendo o Hezbollah o destinatário implícito) para usar força em seu nome, e, na prática, determina que o Irã está prejudicando seus interesses. Essa determinação libanesa, pelo menos em papel, enfraquece a tentativa iraniana de manter controle efetivo sobre o Líbano e o Hezbollah, enquanto poder de fato no país, mantendo assim uma ameaça constante a Israel.
Além desses três pontos centrais, o acordo aborda outros problemas que perturbam Israel e Líbano. Eles vão desde a necessidade evidente de preservar o direito à autodefesa, até a reconstrução do Líbano (também com a ajuda de outros países que os EUA irão recrutar), e o tratamento do problema dos prisioneiros e das pessoas desaparecidas (uma referência a Ron Arad, o navegador israelense desaparecido desde que seu avião foi abatido sobre o Líbano em 1986).
O acordo também não deixa de agradecer ao presidente Donald Trump, que certamente irá se apressar a incluir esse acordo na lista de acordos de paz que ele se orgulha de ter alcançado, mesmo que a maioria deles ainda não tenha se concretizado.
📖 Perspectiva Bíblica
“A paz é um presente de Deus, que pode ser alcançado através da misericórdia, da verdade e da justiça.” (Romanos 14:17)
Fonte original: The American trap between Iran and Lebanon — Israel Hayom
