Israel enfrenta, neste momento, um dilema interno que vai muito além das discussões externas sobre segurança e política externa. O texto de opinião argumenta que, ao invés de buscar o silêncio ou a negação dos problemas que afetam a sociedade israelense, o país precisa adotar o conceito judaico de *tikkun olam* – a reparação do mundo – como guia para uma autocrítica profunda e para a implementação de mudanças estruturais. Essa proposta parte da constatação de que, embora Israel tenha conquistado avanços notáveis em tecnologia, economia e defesa, ainda carrega feridas sociais que comprometem sua democracia e sua identidade moral.
Um dos pontos centrais levantados é a persistência de atos de violência cometidos por extremistas judeus contra palestinos e contra cidadãos israelenses que se posicionam contra as políticas de ocupação. Esses ataques, muitas vezes encobertos por uma retórica que os apresenta como “defesa do Estado”, criam um clima de intimidação que silencia vozes críticas e alimenta a sensação de impunidade. O autor destaca que, ao não condenar publicamente esses atos, o governo e setores da imprensa contribuem para a normalização da violência e para a erosão da confiança nas instituições.
Além da questão da violência, o texto aponta para a “demonização política” que afeta tanto a esquerda quanto a direita dentro de Israel. No espectro da esquerda, há uma tendência a reduzir o debate a slogans simplistas, como “libertação dos palestinos”, sem reconhecer as complexidades históricas e de segurança que cercam o conflito. Na direita, a narrativa dominante tende a equiparar qualquer crítica ao Estado a antissemitismo, o que impede um diálogo construtivo e gera um clima de polarização. Essa polarização impede a formação de consensos necessários para reformas em áreas sensíveis como a lei de nacionalidade, o serviço militar e a distribuição de recursos entre judeus e árabes israelenses.
O autor também menciona a necessidade de enfrentar desigualdades econômicas e sociais que afetam principalmente os cidadãos árabes de Israel, bem como os judeus ultraortodoxos que permanecem à margem do mercado de trabalho. A disparidade no acesso à educação, à saúde e ao desenvolvimento urbano cria um abismo que alimenta ressentimentos e dificulta a coesão nacional. A proposta de *tikkun olam* implica reconhecer essas disparidades e promover políticas públicas que reduzam as lacunas, investindo em infraestrutura nas áreas periféricas e ampliando oportunidades de integração no mercado de trabalho.
Outro aspecto abordado é a relação entre a sociedade civil e o Estado. Organizações não‑governamentais, movimentos de direitos humanos e grupos de jovens têm desempenhado um papel crucial ao denunciar abusos e ao propor alternativas. Contudo, o autor alerta que, sem apoio institucional e sem garantias de liberdade de expressão, essas iniciativas correm o risco de serem marginalizadas ou criminalizadas. Ele defende a criação de mecanismos de proteção legal para jornalistas, ativistas e acadêmicos que investigam questões delicadas, bem como a institucionalização de comissões independentes de investigação de incidentes de violência.
Quanto às possíveis implicações, o texto sugere que a falta de autocrítica pode levar Israel a um isolamento internacional crescente, especialmente se a comunidade global perceber que o país não está disposto a lidar com seus próprios problemas internos. Por outro lado, ao adotar uma postura de *tikkun olam*, Israel poderia reforçar sua legitimidade moral, melhorar sua imagem perante aliados tradicionais e abrir espaço para negociações de paz mais equilibradas. Internamente, a reparação das feridas sociais poderia reduzir a radicalização, melhorar a coesão social e fortalecer a democracia, tornando o Estado mais resiliente diante de ameaças externas.
Em síntese, a opinião defende que o silêncio diante das falhas internas não protege Israel, mas o enfraquece. O caminho para a verdadeira segurança e prosperidade passa por reconhecer a violência interna, combater a polarização política, reduzir desigualdades e garantir a liberdade de expressão. Só assim o país poderá cumprir o ideal de *tikkun olam* e construir um futuro mais justo e seguro para todos os seus cidadãos, judeus e não‑judeus.
📖 Perspectiva Bíblica
“Buscai o bem e não o mal; assim viverá o povo, e a sua descendência herdará a terra.” (Miquéias 2:8)
Fonte original: Israel needs tikkun olam, not silence about its problems – opinion — Jerusalem Post
