O acordo entre os Estados Unidos e o Irã é um tema que tem sido amplamente debatido em Israel, mas a maioria dos textos publicados no país não refletem a realidade do acordo. A análise apresentada aqui é baseada em uma conversa com uma fonte altamente informada sobre as relações entre Israel e os Estados Unidos. Embora não seja necessário aceitar essa análise, ela é digna de ser lida, especialmente em dias como esses, em que é importante tomar um tempo para pensar.
A partir das eleições parlamentares dos Estados Unidos, marcadas para ocorrer em cerca de quatro meses, o acordo entre os dois países ganha um novo significado. Para Donald Trump, essas eleições são fundamentais, pois se ele perder a Câmara dos Deputados para os democratas, mesmo que o Senado permaneça sob controle republicano, ele passará os últimos dois anos de seu mandato sob investigação constante e sob ameaça de impeachment. Não há dúvida de que ele seria afastado do cargo, pois na Câmara dos Deputados, basta uma maioria simples para aprovar o impeachment, diferente do que ocorre no Senado.
A queda do regime no Irã ou a remoção do urânio poderiam ser um golpe importante para Trump, mas um aumento nos preços da energia significaria uma perda quase certa nas eleições. O presidente dos Estados Unidos tinha duas cartas na manga para jogar. A primeira era uma operação terrestre para remover o urânio, mas Trump acreditava que, ao final, poderia sempre negociar a retirada do material. A segunda era destruir as instalações de energia do Irã. Essa é a mesma ameaça que ele fez em abril, quando disse que iria apagar a civilização iraniana. Em Israel, essa ameaça foi expressa de forma diferente: em Teerã, as pessoas voltariam a iluminar suas casas com velas.
O problema, segundo a fonte, é que em Israel não há nem dez pessoas pensando sobre o que uma crise energética global significaria. Para Trump, essa é a questão central que o ocupa. Seria o Irã drasticamente enfraquecido por um ataque desses? Sim, sem dúvida. Mas se o Irã cairia antes do primeiro dia de novembro de 2026? Nenhum responsável pode garantir isso. O que isso significa é que a resposta iraniana a um ataque desse tipo causaria uma crise energética, com o preço do petróleo chegando a 200 dólares por barril, e de lá, como uma cadeia de domínos rapidamente derrubados — inflação, perda da Câmara, impeachment.
O mesmo ocorre com o bloqueio. Mesmo supondo que o bloqueio continue a enfraquecer o Irã, isso significa que o combustível nos Estados Unidos alcançaria seis dólares por galão e a inflação subiria ainda mais, antes mesmo que o regime iraniano caísse. Portanto, Trump está, na verdade, lutando contra os iranianos com uma mão amarrada — sem a invasão curda, sem uma operação terrestre, e sem atacar a infraestrutura energética, pelo menos até as eleições.
Foi assim que o acordo foi negociado. Trata-se de um acordo não sobre a nuclearização do Irã, mas sobre a crise de Hormuz. E aqui, segundo a fonte israelense, é importante notar algo muito significativo sobre a cláusula que vai além da questão de Hormuz e entra em dinheiro: é uma flexibilização temporária das sanções contra o Irã, e não sua eliminação permanente.
📖 Perspectiva Bíblica
“Amados, não se deixem enganar por nenhuma espécie de doutrina falsa”. (Hebreus 13:9)
Fonte original: What you still haven't been told about the Iran deal — Israel Hayom
