A proposta dos Estados Unidos para que o Hamas iniciasse o desarmamento antes das próximas eleições da Knesset encontrou forte resistência em Tel Aviv, revelando a complexidade das negociações de paz no cenário israelense. Embora o assessor de segurança nacional Jake Sullivan e o ex‑conselheiro de segurança nacional Jared Kushner tenham defendido a ideia de que o Hamas deveria começar a entregar armas como condição preliminar para qualquer avanço diplomático, a realidade política interna de Israel impede que essa exigência seja aceita antes da votação que ocorrerá em 27 de outubro.
O plano, conhecido como “Board of Peace”, foi elaborado por um grupo de diplomatas e especialistas norte‑americanos que pretendem criar um quadro de segurança que permita a retomada de conversações entre Israel e o Hamas, inclusive com a participação de mediadores internacionais. O ponto central da proposta é que o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, deveria iniciar um processo de desarmamento verificável, sob supervisão de observadores externos, antes de qualquer concessão política ou econômica. Essa medida, segundo os EUA, seria essencial para garantir a segurança de civis israelenses e para criar confiança mútua.
Entretanto, a liderança israelense tem sido cautelosa. O primeiro‑ministro Benjamin Netanyahu e seu partido Likud, que lideram as pesquisas eleitorais, temem que aceitar a condição de desarmamento antes das eleições possa ser percebido como fraqueza diante de um eleitorado que ainda sente os efeitos de conflitos recentes. Além disso, há preocupação de que uma exigência tão rigorosa possa desencorajar o Hamas a participar de qualquer negociação, já que o grupo vê o armamento como elemento central de sua capacidade de resistência.
Kushner, que continua atuando como um influente interlocutor entre Washington e Jerusalém, insistiu que o Hamas deveria “dar o primeiro passo” antes de qualquer avanço diplomático, argumentando que isso evitaria que Israel fosse visto como o único a ceder. No entanto, analistas apontam que a insistência de Kushner pode subestimar a necessidade de consenso interno em Israel, especialmente em um período eleitoral. O próprio Sullivan reconheceu que, sem o apoio do governo israelense, o “Board of Peace” não terá eficácia prática.
A data de 27 de outubro, marcada para a votação da Knesset, torna-se, portanto, um ponto crítico. Caso Netanyahu e seus aliados consigam manter a agenda de segurança como prioridade, o desarmamento do Hamas será adiado até depois das eleições, o que pode prolongar o impasse e dificultar a retomada de conversações de paz. Por outro lado, se o resultado eleitoral favorecer partidos que defendam uma postura mais conciliadora, pode haver abertura para aceitar a proposta americana, embora ainda haja resistência dentro das forças de segurança e da sociedade civil israelense.
As implicações desse impasse são amplas. Para os Estados Unidos, a falha em conseguir que Israel aceite a condição de desarmamento antes das eleições pode ser vista como um revés na sua estratégia de mediar o conflito, reduzindo a credibilidade de Washington como facilitador. Para Israel, a decisão de adiar o desarmamento pode reforçar a percepção de que o país prioriza a segurança nacional acima de iniciativas diplomáticas, mas também pode prolongar o ciclo de violência e sofrimento na Faixa de Gaza. Para o Hamas, a recusa em desarmar antes das eleições pode ser usada como argumento de que a comunidade internacional está impondo condições injustas, ao mesmo tempo que mantém sua capacidade militar.
Em suma, a proposta americana de exigir o desarmamento do Hamas antes das eleições da Knesset esbarra na necessidade de consenso interno em Israel, que provavelmente só será alcançado após a votação de 27 de outubro. Enquanto isso, a situação humanitária em Gaza permanece crítica, e a falta de progresso nas negociações de paz continua a alimentar a instabilidade regional. O futuro das conversações dependerá, em grande medida, dos resultados eleitorais e da disposição dos líderes israelenses em equilibrar segurança e diplomacia.
📖 Perspectiva Bíblica
“Buscai a paz e segui-a” (Salmos 34:14)
Fonte original: US wanted Hamas to start disarming before Knesset election, but it’ll have to wait — Times of Israel
