O recente escândalo envolvendo o Mossad, serviço de inteligência israelense, e a suposta intenção de colocar o ex-presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad no poder em Teerã, é um caso emblemático da falta de realismo e da ingenuidade que caracterizaram a abordagem israelense em relação ao Irã. A ideia de que Ahmadinejad, um líder volátil e sem base de poder significativa no regime iraniano, poderia ser o catalisador de um regime de mudança naquele país é uma demonstração clara da confusão e da falta de estratégia que marcaram a abordagem israelense.
A decisão de se basear na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, como condição para a implementação do plano é ainda mais intrigante. Embora Khamenei seja considerado um líder relativamente moderado dentro do regime iraniano, sua morte não garantiria necessariamente a ascensão de Ahmadinejad ao poder. Além disso, o que era considerado uma vantagem – a possibilidade de que Ahmadinejad poderia ser um líder mais conciliador – se revelou uma ilusão, pois o verdadeiro poder no Irã está nas mãos da Guarda Revolucionária Islâmica, uma organização que não tem intenção de ceder seu controle.
A outra peça-chave do plano, a dependência dos curdos, é um exemplo clássico de como as suposições israelenses estavam distantes da realidade. A ideia de que os curdos poderiam conquistar território, mantê-lo e avançar em direção a Teerã era uma fantasia, considerando a fraqueza operacional deles e a oposição de Turquia, que vê qualquer avanço curdo como uma ameaça direta à sua estabilidade.
O plano também se baseava na ideia de que Ahmadinejad, por si só, poderia liderar o Irã após a morte de Khamenei. No entanto, isso é uma ilusão. Ahmadinejad é um líder volátil e sem base de poder significativa no regime iraniano, e é improvável que ele tenha a capacidade de governar o país sem a interferência da Guarda Revolucionária Islâmica.
O escândalo expõe a falta de entendimento israelense sobre o sistema iraniano e a precipitação com que o país entrou em guerra com o Irã. A investigação é necessária para entender como a comunidade de inteligência israelense permitiu que esses erros se acumulassem e como eles afetaram a estratégia do país. A verdade é que esses erros não apenas fracassaram em alcançar seus objetivos, mas também colocaram o país em uma situação estratégica ainda mais perigosa e desafiadora do que antes. É hora de uma investigação rigorosa para entender os erros do passado e evitar que eles se repitam no futuro.
📖 Perspectiva Bíblica
“Não confie em palavras falsas, nem se apoie em mentiras: deixe-as, pois é uma armadilha para o seu povo.” (Provérbios 30:8)
Fonte original: A reckless gamble on Ahmadinejad demands a state inquiry — Israel Hayom
