A avaliação de três altos oficiais de segurança que não são israelenses, citada pelo Israel Hayom, indica que setores do Corpo de Guardiões da Revolução Islâmica (CGRI) podem avançar rumo à obtenção de armas nucleares mesmo sem a anuência direta do Líder Supremo, caso considerem que o regime corre risco iminente de colapso. Essa conclusão decorre, sobretudo, da percepção de que a morte do aiatolá Ali Khamenei, ocorrida no início da guerra, retirou o principal obstáculo interno aos elementos mais radicais do CGRI, que historicamente defendiam a bomba nuclear. Khamenei, embora tenha permitido o desenvolvimento do programa nuclear iraniano – inclusive o enriquecimento de urânio a níveis avançados – era contra a aquisição efetiva de um artefato nuclear.
O falecimento do líder, aliado ao desempenho insatisfatório das forças convencionais iranianas durante o conflito, pode reconfigurar o cálculo de sobrevivência do regime. Até então, a opção nuclear era vista como um recurso de longo prazo; agora, alguns dentro do CGRI podem considerá‑la essencial para garantir a continuidade do governo. Essa mudança de postura eleva a probabilidade de um “breakout” nuclear a um cenário mais plausível.
O contexto geopolítico que alimenta essa avaliação inclui a deterioração do chamado “anel de fogo” ao redor de Israel. O Hamas sofreu perdas significativas, o Hezbollah foi enfraquecido a ponto de limitar suas ações a meros atritos, e o arsenal de mísseis e drones iraniano causou danos modestos ao Estado judeu, bem aquém das expectativas iniciais. Paralelamente, a tentativa de fechar o estreito de Ormuz – estratégia que visava pressionar o Ocidente por meio da interrupção das exportações de petróleo iranianas – acabou gerando um efeito autodestrutivo. Os EUA responderam impondo um bloqueio naval que praticamente cortou a principal fonte de receita de Teerã. Embora o impacto no mercado ocidental tenha sido mitigado por rotas alternativas, o golpe econômico para o Irã foi severo, atingindo centenas de bilhões de dólares.
Além do colapso econômico, o país enfrenta uma infraestrutura já precária – nos setores de água, energia e transportes – que sofreu agravamento durante a guerra. A estrutura de governo iraniano, dividida entre um governo civil frágil e o CGRI detentor de recursos financeiros, poder militar e influência política, revela-se incapaz de conduzir uma reconstrução eficaz. Essa dicotomia institucional aumenta a vulnerabilidade do regime e alimenta a percepção de que um colapso inevitável está se aproximando.
Nesse cenário, a transição de uma crise profunda para a decisão de buscar uma bomba nuclear não parece ser um salto tão grande. O Irã já possui um estoque considerável de urânio enriquecido: estimativas apontam cerca de 480 quilogramas de material com 60 % de enriquecimento, nível próximo ao necessário para a produção de armas. Caso a liderança do CGRI decida avançar, o caminho técnico está, em grande parte, pronto.
As possíveis implicações são alarmantes. Um Irã nuclear alteraria drasticamente o equilíbrio de poder no Oriente Médio, incentivando uma corrida armamentista regional e pressionando ainda mais os aliados de Israel. Os Estados Unidos e seus parceiros teriam de reavaliar suas estratégias de contenção, que incluem sanções econômicas, presença militar e acordos diplomáticos. Para Israel, a ameaça nuclear iraniana representaria um risco existencial que poderia justificar medidas preventivas, desde operações de sabotagem até a busca de garantias de segurança junto a potências globais.
Em suma, a combinação de um líder supremo ausente, um fracasso militar convencional, um colapso econômico e institucional, e a existência de um estoque significativo de urânio altamente enriquecido cria um caldo propício para que facções dentro do CGRI considerem a bomba nuclear não apenas viável, mas necessária para a sobrevivência do regime. O cenário demanda atenção urgente da comunidade internacional, que precisa ponderar entre pressão diplomática, contenção econômica e, se necessário, ações preventivas para impedir que o Irã atravesse a linha da proliferação nuclear.
📖 Perspectiva Bíblica
“Não temas, porque eu sou o teu Deus; eu te fortalecerei, e ajudarei, e te sustentarei com a minha mão direita fiel.” (Isaías 41:10)
Fonte original: Fear of collapse could push Iran toward a nuclear bomb — Israel Hayom
