A captura do porto de al‑Mokha, na costa ocidental do Iêmen, pelos rebeldes houthis, desencadeou uma onda de críticas internas ao bloco anti‑houthis, sobretudo ao papel de Riad. Al‑Mokha, localizado no Mar Vermelho, foi tomado nos últimos dias e, a partir dele, os houthis avançaram para o sul, assumindo o controle do estreito de Bab al‑Mandab, passagem estratégica que liga o Mar Vermelho ao Golfo de Áden. Essa conquista coloca o grupo apoiado pelo Irã em posição de ameaçar rotas marítimas internacionais, já que o estreito é uma das vias mais movimentadas para o comércio global, inclusive para o transporte de petróleo.
O colapso das linhas de defesa do governo iemenita, apoiado pela Arábia Saudita, tem raízes que remontam ao início de 2026, quando o Conselho de Transição do Sul (CTS) – movimento que busca a independência do sul do Iêmen – sofreu um duro golpe das forças sauditas. O líder do CTS, Aidarous al‑Zoubaidi, e seus aliados foram expulsos do governo de exílio em Sanaa e rotulados de “traidores”. Em seguida, as tropas sauditas atacaram combatentes do CTS, forçando‑os a recuar para Aden. Segundo fonte citada pelo Israel Hayom, a retirada das forças do CTS criou um vácuo político e militar que impediu a defesa de al‑Mokha. Esse vazio, aliado à pressão internacional para iniciar negociações com os houthis, facilitou a tomada da cidade.
A mesma fonte aponta que os houthis já se preparavam para esse momento. Em 2022, o grupo assinou um “road map” com a Arábia Saudita que lhes permitiu estabelecer condições próprias, inclusive a transferência de salários de funcionários públicos nas áreas sob seu controle – um pagamento que chegou a US$ 90 milhões. Para o informante, a queda de al‑Mokha simboliza o fracasso do projeto da Irmandade Muçulmana no Iêmen, que, segundo ele, delegou a região costeira a jogos de poder em vez de defendê‑la como linha estratégica. A influência do partido al‑Islah e de seus aliados, que tratavam a costa como arena de influência política, teria enfraquecido ainda mais as linhas de frente, desviando recursos para lutas internas dentro do bloco anti‑houthis.
Com a captura de al‑Mokha, os houthis avançaram também para cidades próximas e para a ilha de Mayyun, situada no coração do estreito. O informante descreve Bab al‑Mandab como uma “linha vermelha”, alertando que, se a costa ocidental se transformar em uma esfera de influência houthis, o sul do Iêmen enfrentará uma ameaça estratégica direta. O estreito não é apenas um canal marítimo, mas a porta de entrada do sul para o comércio internacional; seu controle pelos rebeldes poderia ser usado como ferramenta de pressão econômica e militar contra a coalizão liderada pela Arábia Saudita e seus aliados.
As implicações são amplas. Primeiro, o risco de interrupções no tráfego naval pode elevar os preços do petróleo e impactar cadeias de suprimentos globais. Segundo, a derrota das forças sauditas pode enfraquecer ainda mais a credibilidade da coalizão, encorajando outras facções a desafiar a ordem estabelecida. Por fim, a situação evidencia como rivalidades internas – entre o CTS, al‑Islah e outros grupos anti‑houthis – podem gerar consequências estratégicas de grande alcance, beneficiando o avanço de Teerã na região. O cenário aponta para uma escalada de tensões que exigirá respostas diplomáticas e militares cuidadosas, sob risco de transformar o estreito de Bab al‑Mandab em um ponto de conflito aberto.
📖 Perspectiva Bíblica
“Porque eu bem sei os pensamentos que penso de vós, diz o Senhor; pensamentos de paz e não de mal.” (Jeremias 29:11)
Fonte original: Yemeni insider blames Riyadh for handing Houthis Red Sea gateway — Israel Hayom
